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Como promover o equilíbrio da vida pessoal e profissional dos funcionários
Especialistas mostram que é possível transitar entre estes dois mundos sem que o colaborador deixe de entregar tudo o que precisa com qualidade.

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“Faz sentido pensarmos em vida pessoal e profissional hoje em dia? Lá nos anos 90, quando eu comecei a trabalhar, a gente ouvia muito ‘vida pessoal fica lá fora’, mas quanto o nosso trabalho não é a nossa vida?”, questiona Andrea Destri, especialista em RH e fundadora da friendsBee.

Novos tempos e antigos hábitos. As necessidades que sempre existiram agora estão mais em voga do que nunca, trazidas à tona por uma geração que conseguiu escancará-las ao mercado de uma maneira que não dá mais para ignorar.

A verdade é que a maioria dos profissionais está disposta a experimentar novos modelos de trabalho, em que seja possível ter maior flexibilidade, autonomia e responsabilidade pela carreira.

Segundo uma pesquisa realizada pela Regus, empresa especialista em trabalho remoto, 73% das empresas ouvidas aumentaram sua produtividade após flexibilizarem seu formato de trabalho, além de 70% terem um crescimento na receita.

Por outro lado, mas ainda assim positivo, 72% dos colaboradores escutados dizem se sentir mais motivados com as condições mais abertas de trabalho.

Há muitos meios de entrelaçar cada vez mais a vida pessoal e profissional dos funcionários, como a prática do banco de horas, home office e flexibilização de horários.

É possível também promover atividades que envolvem diretamente a saúde (mental e física) e a educação, como bolsas de estudos, espaços para descanso e parceria com academias.      

Mas há iniciativas que você já ouviu falar (ou não) e parecem absurdas, como projetos para anos sabáticos e free country, aonde um gestor, por exemplo, pode trabalhar da Alemanha, cuidando de uma equipe no Brasil, tendo visitas físicas esporádicas agendadas conforme a demanda.

É justamente sobre o papel das empresas na integração entre a vida pessoal e profissional que Andrea Destri, Malena Martelli, ex-VP de RH da Schneider Eletric e hoje fundadora da Genuine, e Beatriz Alli, Diretora de Recursos Humanos da Conductor.

Confira, a seguir, as principais ideias das especialistas.

Flexibilidade no trabalho: muito além das gerações

Os profissionais de RH sempre debatem como é possível integrar vida pessoal e profissional com modelos de trabalho que possibilitem o atingimento das metas dos colaboradores.

“A questão da flexibilidade não é só da geração jovem e também não tem só a ver com liberdade, mas também com felicidade”, acredita Malena.

Para ela, quando as empresas começarem a enxergar que o trabalho é um objetivo de vida e de mais felicidade, as decisões quanto à sua rotina serão cada vez mais genuínas, naturais e igualitárias.

A especialista defende que a capacitação, desenvolvimento e aprendizado de um profissional tem que deixar cada vez mais de ser só uma obrigação, tornando-se uma fonte de prazer.

Já pensou em junto com a pós-graduação você também ter, oferecido pela empresa, aquela aula de piano que você tanto sonhou quando era jovem?

“Quando eu entrei na Schneider, optei por não abrir mão do meu tempo dedicado ao aprendizado e qualidade de vida. Eu estava para iniciar um mestrado naquele período e fui totalmente acolhida dentro da rotina de trabalho”, ressalta Malena.

E, afinal, quem precisa de tudo isso? Quais gerações devem embarcar nesta ideia?

Para Beatriz, as empresas erram ao tentar entender qual geração precisa de tudo isso, afinal isso não é uma necessidade de idade, mas sim do ser humano.

Ela acredita que isso pode ser muito melhor assimilado como um mindset único que é a busca pelo equilíbrio, independentemente de qualquer outra coisa.
 

 

Integração da vida pessoal e profissional e o futuro do trabalho

A questão da culpa por sair mais cedo do trabalho por um compromisso ou simplesmente por ter que buscar o filho na escola é comum quando se pensa na integração a vida pessoal e profissional.

Como é possível transformar a cultura com este sentimento rondando as empresas?

Dentre as experiências da Malena, a aplicação de home office foi uma das que mais fez efeito para combater esta questão.

“Este é um tema que já deveria ter sido superado, mas ainda nos deparamos com muita dificuldade das empresas em aplicá-lo”, frisa.

Home office, teletrabalho e automação são modelos previstos no futuro das relações de trabalho

Porém, há sempre o alerta: nem todos estão preparados para estes “novos tempos”. É necessário aplicar uma nova cultura de responsabilidade e de “corte de cordão umbilical”, tanto para colaboradores quanto lideranças.

Por isso, um dos principais pontos de partida para esta corrida é a prática do Top Down, os gestores têm que ser bons exemplos. 

“Não adianta só virar e falar ‘faz’, a empresa precisa se adaptar. Não dá pra arrancar um telefone da mesa de alguém, se ninguém tem a cultura de usar Skype”, exemplifica Beatriz.

Outras duas grandes questões também são como os novos modelos de trabalho estão acordados com os sindicatos envolvidos e também como a cultura daquele país se entrelaça às novas ideias.

Mas, antes de tudo, é preciso pensar na responsabilidade do funcionário. “A empresa faz a sua parte, mas o colaborador também tem que fazer a dele, parando de depositar a sensação de alcance de felicidade plena toda no trabalho”, realça Beatriz.

Entendendo as necessidades dos seus colaboradores

Outro ponto importante é considerar que a rotina das mulheres, na maioria das vezes, é muito diferente da dos homens, tudo graças às antigas práticas culturais brasileiras. Por isso, vale sempre estar atento se o benefício que é bom para uns pode não ser tanto para outros.

“Uma vez na fábrica falamos sobre vários pontos de flexibilidade de horário para os colaboradores homens e, a única coisa que eles queriam, era que o fretado sempre saísse no horário para que não perdessem o futebol”, lembra Andrea.

Daí a importância de observar dados estatísticos e realizar pesquisas aprofundadas sobre o assunto. Assim você, além de conhecer as reais necessidades dos times, também conseguirá identificar peculiaridades individuais que podem ser transformadas em algo massivo.

“Na Conductor, empatia e respeito ao próximo é um dos pontos que mais temos trabalhado ultimamente neste aculturamento sobre a flexibilidade de trabalho e o retorno têm sido gigantesco”, conta Beatriz.

“Investir tempo de qualidade nas conversas com as pessoas gera empatia e diminui aquele sentimento de culpa que falamos anteriormente, pois os olhares maldosos também ficam menores. Não dá para engatarmos na rotina sem este freio consciente”, conclui a especialista.

Aliás, mostrar que a empresa está aberta à promover soluções para integrar a vida pessoal e profissional dos seus funcionários pode ser uma forma de atração de novos talentos.

Afinal, esses profissionais esperam que o emprego tenha um significado e seja fonte de felicidade, de acordo com a pesquisa Carreira dos Sonhos 2017, realizado pela Cia de Talentos.

Gostou das conclusões das especialistas de RH?

Elas estiveram presentes no Contalento, congresso realizado pela Blueprintt em 2019.

A próxima edição do evento vai discutir novas formas de atração e retenção de talentos por meio de cases da Monsanto, Itaú Holding, Localiza, Natura, Vedacit, Easy Taxi, Kroton, 3 Corações, OLX e ABB, entre outras.

Veja a programação completa do 10º Contalento e participe!

Autor

Flávia Lima

Flávia Lima é jornalista pela PUC-SP e pós-graduada em Comunicação e Marketing pela ECA/USP. Possui ampla experiência como jornalista setorizada. Atualmente, é gerente de conteúdo da Blueprintt, responsável pelo planejamento de congressos corporativos nas áreas de RH Estratégico, Marketing e Tecnologia da Informação.