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Treinamento para inovação: 13 dicas para desenvolver os funcionários
É possível criar um amplo programa para desenvolver competências dos funcionários e cultura para que toda a empresa possa inovar. Entenda!

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O uso de treinamento para inovação tem se tornado, cada vez mais, realidade em algumas empresas. Para outras, esse tema ainda está no discurso.

Muitas companhias querem introduzir a inovação em seu contexto de trabalho, mas não conhecem direito as práticas envolvidas no assunto e querem retorno à curto prazo, porém, sem muitos investimentos. Este era o caso da Brasilprev.

Tendo em vista este cenário, a equipe de inovação da empresa, comandada por Bruno Palhão, Gerente de Estratégia, Inovação e PMO, recebeu a missão de encarar a realidade da empresa para que ela desse um dos seus maiores passos rumo aos novos tempos, não esquecendo que ela é uma instituição bicentenária.

Para alcançar este objetivo, a equipe desenvolveu diversas atividades que foram divididas com o público da última edição do Educorp, congresso sobre educação corporativa realizado em 2018 pela Blueprintt.

Como sabemos que a corrida ainda é grande rumo a inovação, já separamos como dicas para auxiliar a sua jornada a linha de chegada. Leia até o final.

Dica 1: como convencer a diretoria

O primeiro desafio, então, como já comentado acima, foi a quantidade de anos que as empresas por trás da Brasilprev têm de mercado.

O Banco do Brasil e a Principal Financial Group, por exemplo, são duas companhias bicentenárias que ocupam há, pelo menos, 10 anos, a liderança em seu mercado.

E, a partir disso, veio o medo comum: para que vamos mexer em time que está ganhando e apostar em treinamento para inovação?

Para responder esta primeira grande pergunta da diretoria da empresa, o primeiro passo foi partir para uma série de benchmarkings.

Porém, aqui vai a grande dica. A equipe de inovação levou alguns diretores junto consigo às visitas, pois absorver o aprendizado através de terceiros é uma coisa, mas fazê-los presenciar e entender de fato os detalhes e peso do que é a inovação para as empresas, é outra.

Dica 2: entenda o que a sua empresa quer, mas, acima de tudo, o que ela entende sobre o assunto

Antes de qualquer ação, tateie o terreno. Para isso, na Brasilprev foi realizada uma pesquisa para entender tanto o que o mercado tem feito, quanto o que eles vêm executando quanto à treinamento para inovação.

Alguns pontos foram detectados e que valem a atenção para a realidade da sua empresa também:

  • A companhia entendia que queria inovar, mas não queria investir;
  • A palavra mais utilizada pela diretoria sobre inovação era “disrupção”, mas, na verdade, descobriu-se eles não entendiam de fato o poder desta palavra. Ela era uma das mais buscadas no Google nos últimos tempos, ou seja, estava (ainda está!) na moda, o que influenciou muito a percepção de que eles não faziam muita ideia do que queriam;
  • O principal motivo da inovação para eles era a lucratividade a curto prazo, o que é um problema muito grande, afinal, não queriam investir muito.

Dica 3: dê o primeiro passo rumo ao treinamento para inovação

Sim, este ponto serve para qualquer empresa, no entanto, no caso da Brasilprev, havia algumas particularidades.

Além, de ser uma empresa bicentenária, como já dissemos, ela também é originada de um órgão público, ou seja, não dava para mudar a sua cultura da noite pro dia. Por isso, muito além do  treinamento para inovação, foi construída uma plataforma sobre o tema.

Os objetivos foram melhorar a experiência do cliente ou maximizar a experiência operacional, o que em resumo, é aumentar os lucros ou diminuir as despesas.

O programa foi feito em 4 pilares:

  • Busca pelas principais habilidades da empresa para inovar e quais as capacidades técnicas que os colaboradores deveriam ter;
  • Relacionamento com startups para a geração de negócios.
  • Sustentabilidade e responsabilidade social;
  • Criar experiências 100% digitais.

Dica 4: metodologias

Toda a plataforma ou o projeto de aculturamento precisa de metodologias. Nesta gigante do ramo financeiro, a primeira parte deste processo foi utilizar a ferramenta do Google Design Sprint.

O objetivo era criar soluções a partir da ótica do usuário ou do cliente e testá-la antes de produzir de fato. Hoje, ela já tem sido usada em programas de integração de novos colaboradores e revisão do modelo de metas e bonificação

O funcionamento original da ferramenta consiste em aplicar todas as fases do Design em apenas uma semana onde, em cada dia, trabalha-se uma atividade específica.

A primeira parte é entender o problema e se colocar no lugar do usuário ou cliente. Já no segundo dia, basicamente o que acontece são trocas de ideias e brainstorm.

A partir disso, seleciona-se os melhores projetos para que no próximo encontro criem um protótipo básico que partirá para teste.

Isso ajuda a empresa a eliminar muitas daquelas ideias que parecem brilhantes, mas, no final, não vão resultar no que se quer.

Dica 5: treinamento para inovação, de fato

Não adianta ter ideias e ferramentas se os colaboradores não as absorveram e não sabem utilizar. Por isso, em 2017, começou o treinamento para inovação entre todas as pessoas da empresa na Brasilprev.

E, voltando ao assunto budget, como não havia dinheiro para capacitar todo mundo com ferramentas adquiridas por empresas terceirizadas, o processo começou com workshops de inovação.

A ideia era entender o que estava acontecendo lá fora e traduzir em desafios como, “se aqui fosse o Apple, como a empresa venderia Previdência?”.

Estes workshops aconteceram a partir de uma investidora selecionada pela empresa, que também aplicaram a verba na capacitação de colaboradores identificados pelo RH (através do método Quantum) como potenciais “convencedores” e empreendedores, para passar o conceito do Design Sprint para a sua área.

E o grupo ainda ganhou um nome, escolhido por eles mesmos, os Meta Designers.
 

 

Dica 6: selecionando as plataformas

Udacity e Endeavor foram plataformas selecionadas pela Brasilprev para que os colaboradores o fizessem treinamento para inovação que desejavam.

Com elas, era possível filtrar por gaps identificados em cada área e transformar isso em uma meta de atualização.

Esta ideia também confronta uma habitual ação no mercado que é dispensar profissionais que exercem uma função que passou por transformações inovadoras e não se atualizou.

Alguém que sabe trabalhar com Excel, mas ainda não conhece Analytics, seria um exemplo. Neste caso, a ideia foi capacitá-las, através de parcerias com escolas como a ESPM, incluindo opções de cursos online.

Dica 7: utilize os cenários a seu favor

Uma dica muito interessante para disseminar a inovação, com base no case em questão, foi contratação de uma estagiária para a área.

Ela foi incumbida de fazer para empresa exatamente o que ela faz na faculdade: estudar (só que, neste caso, o que a empresa pede) e apresentar para eles.

Esta estratégia serviu para que eles pudessem dar cada vez mais vida e novos conteúdos para treinamentos das equipes.

Dica 8: surpreenda no treinamento dos executivos

A linha de executivos abaixo dos C-levels pode ser um grande problema quando se fala em treinamento para inovação. “Mandá-los para workshops e treinamentos não vinha surtindo resultado, eles sempre achavam tudo muito chato e não saíam do celular”, comenta Palhão.

Porém, após esta análise, a equipe também concluiu que a maioria deles exerce uma função de mentoria em startups, por conhecerem muito sobre negócios, e gostam muito.

Por isso, a ideia então foi aplicar a eles uma mentoria de novos negócios que fossem aplicadas nestes encontros.

Isso fez com que eles tivessem uma rotina de troca de informação com líderes de fora da empresa, para que eles tivessem contato com o que acontece lá fora.

Para auxiliar ainda mais no aculturamento deles, também foi criado o programa “De executivo para executivo”.

Através de uma parceria com outras empresas, bate-papos são agendados entre executivos do mesmo nível hierárquico, promovendo a ideia de que eles interajam de uma maneira mais solta e orgânica, criando laços mais culturais na troca de informações sobre mercado e a vida, já que o lifestyle do grupo é muito parecido.

Dica 9: separe um dia para foco total no assunto

É muito comum assuntos que precisam de muita energia e esforço diário caírem no esquecimento pela parte dos envolvidos que apenas consomem.

Por isso, a equipe de Palhão criou o “Innovation day”, evento de participação voluntária que acontece toda última sexta-feira do mês.

Para participar, os colaboradores se inscreveriam para, no auditório da empresa, assistir palestras com convidados externos sobre temas definidos em pesquisas feitas com os próprios funcionários.

Dica 10: multiplique cada vez mais as ferramentas de aprendizado

Aqui vão dois exemplos de imersão de treinamento para inovação da Brasilprev para te inspirar!

O primeiro se chama “Terceiro ponto de contato com o mundo”. Neste programa, os colaboradores são levados para eventos de inovação feitos em outras empresas, que são mapeados e direcionados as pessoas que mais tem sinergia com o assunto.

O contato com os colaboradores através da comunicação interna também é indispensável nesta jornada.

Por lá, comunicações são publicadas incentivando os colaboradores a buscar aprendizados em cursos pagos ou gratuitos ou a partir de temas que já apareceram no “Innovation Day”, por exemplo.

Dica 11: ambientalize a inovação e expande

Paredes, móveis e espaços podem ter um poder de transformação maior do que você imagina. Na Brasilprev, foi criada uma sala totalmente projetada para dinâmicas de Design Sprint, inclusive com cronogramas e acompanhamento de atividades.

E aqui vai a dica extra sobre inovação: dê poder aos seus colaboradores!

Neste exemplo, foi criado um programa de engajamento e “intra-empreendedorismo”, digamos assim, em que foram levantadas e divulgadas várias “dores” da empresa aos colaboradores, para que pudessem acolhe-las e inscreverem suas ideias sobre a resolução do problema.

Para a sequência do projeto à uma curadoria avaliadora, que entre os times formados entre 3 e 5 pessoas, seleciona três deles para que possam fazer uma imersão fora da empresa e criar um protótipo para testar o projeto dentro de uma aceleradora.

Os resultados são avaliados dentro da empresa e o time com o projeto que emplacar vai para uma expedição no Vale do Silício.

Dica 12: una-se aos filhos da inovação

Uma estratégia adotada pela Brasilprev além do treinamento para inovação foi começar a contratar startups como fornecedores.

Foram selecionadas 5 empresas para apresentar o projeto à área fim e, assim, além de baratear alguns custos, aprofundar o aculturamento geral sobre inovação.

Dica 13: não se esqueça do retorno à comunidade

Empresas sustentáveis não são apenas moda, muitos ainda tratam o assunto desta maneira, mas é inevitável aceitar que para termos um ambiente saudável para o funcionamento das empresas, a natureza e/ou a comunidade precisam dos nossos cuidados.

E, foi pensando no retorno social, que a Brasilprev resolveu disseminar a inovação também a crianças em situação de vulnerabilidade de uma ONG, repassando a elas ensinamentos de profissões do futuro, que é claro, envolvem treinamento para inovação.

Aliás, o desenvolvimento de pessoas com foco em inovação e geração de resultados é o tema da próxima edição do Educorp, que acontecerá nos dias 24 e 25 de julho em São Paulo.

Serão 13 palestrantes e 6 casos práticos de especialistas da área de educação corporativa.

Saiba mais sobre o evento da Blueprintt clicando aqui.

Autor

Flávia Lima

Flávia Lima é jornalista pela PUC-SP e pós-graduada em Comunicação e Marketing pela ECA/USP. Possui ampla experiência como jornalista setorizada. Atualmente, é gerente de conteúdo da Blueprintt, responsável pelo planejamento de congressos corporativos nas áreas de RH Estratégico, Marketing e Tecnologia da Informação.