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Saúde mental: lidando com a 3ª maior causa de afastamento nas empresas
As condições emocionais enfrentam muitos estigmas e são rodeadas de preconceitos nas organizações. Veja dicas de três especialistas sobre o tema.

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A Health and Safety Executive, uma agência governamental do Reino Unido, apontou que, em 2015 e 2016, metade do absenteísmo nas empresas foi causada por questões que afetam a saúde mental dos colaboradores.

No Brasil, o 1º Boletim Quadrimestral sobre Benefícios por Incapacidade, da Previdência Social, analisou o período entre 2012 e 2016 e mostrou que as condições mentais e emocionais ocupam a terceira posição como motivo de afastamento no trabalho.

Ainda assim, mesmo diante desse cenário e com diversos outros dados e estudos que o comprovam ao redor do mundo, há pouco investimento sobre o tema.

A saúde mental enfrenta muitos estigmas nas organizações: empresas não falam sobre isso ou não sabem como tratar o assunto, que é rodeado de preconceitos.

Enquanto isso, gerenciar o estresse e promover mais qualidade de vida permanecem como desafios nas organizações, causando reflexos nos custos e na produtividade.

No post de hoje, vamos abordar possíveis soluções e estratégias para lidar com a saúde mental nas companhias, com base nas experiências de três especialistas no assunto. Continue a leitura e informe-se sobre o tema!

Saúde mental: desafios e seus efeitos nas organizações

O cuidado com a saúde mental é um dos temas mais espinhosos da atualidade, em uma realidade onde casos de ansiedade e depressão, por exemplo, se multiplicam. Diversos desses quadros se originam ou se agravam dentro das organizações, culminando muitas vezes em afastamentos.

“Manter as pessoas saudáveis dentro das companhias é um grande desafio, uma vez que os impactos das doenças mentais no trabalho – em termos de produtividade e custos – são grandes”, pontua José Maciel Filho, médico do trabalho na Porto Seguro.

Ele vê como saída uma mudança de mindset: mudar o foco da doença para a saúde, cuidando do funcionário e promovendo bem-estar em vez de investir em ações para restabelecê-la.

Diante dos dados sobre absenteísmo, José Maciel afirma que não adianta focar no colaborador afastado: o tempo médio de um afastamento por doença mental é de 6 meses a 1 ano, o que é um período longo. Logo, é mais inteligente e efetivo apostar em ações preventivas para evitar licenças.

Nas empresas, é possível adotar ferramentas, como formulários de avaliação, para medir a saúde emocional dos colaboradores e identificar problemas.

“Instituições precisam acompanhar seus colaboradores, avaliar fatores de risco psicossociais em seu ambiente e mostrar para gestores que esse cuidado com as pessoas é necessário para traçar estratégias preventivas”, conta o médico.

Estratégias e iniciativas para promover a saúde mental nas empresas

Para falar sobre abordagens para cuidar da saúde mental, José Valadão, coordenador dos Médicos de Família e Comunidade do Hospital Sírio Libanês, reforça que problemas de saúde, sobretudo os mentais, devem ser vistos de forma global e tratados por meio de estratégias que atuem tanto na origem da questão como nos efeitos e sintomas.

Samia Simurro, vice-presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), complementa a fala de Valadão afirmando que empresas lidam com a gestão da saúde pelo viés da gestão de risco e da redução da sinistralidade. Para ela, o foco tem que ser na construção de um ambiente de trabalho sadio e em manter pessoas saudáveis.

José Maciel relembra que muitas pessoas são afastadas, especialmente as mais jovens, por sofrerem conflitos com a alta gestão ou terem altas expectativas, que são frustradas pela companhia.

“Alinhar expectativas é importante. Nós somos a empresa, ou seja, nós temos as respostas e podemos tranquilizar as pessoas”, diz ele.

“Mesmo sendo a saúde mental uma questão multifatorial – cujos motivos têm raízes que estão além do trabalho – nós, a empresa, podemos assumir uma atitude proativa e apostar em iniciativas para cuidar da saúde dos colaboradores”, completa.

Ele ressalta também que estudos provam que o ROI na área da saúde mental tem uma relação de 4 para 1: isto é, a cada dólar investido, a empresa recebe 4 de retorno.

“Logo, investir em saúde mental é extremamente vantajoso para os negócios, e cabe a áreas como saúde e RH mostrar isso para a diretoria”, finaliza.
 

 

Lacuna geracional e psicologia positiva nas companhias

Para José Valadão, a lacuna geracional é um assunto que merece atenção nas empresas. Muitos gestores reclamam da geração atual, das suas altas expectativas de crescimento, pouca resiliência e foco, por exemplo.

Ao mesmo tempo, jovens colaboradores apresentam altos índices de depressão relacionados à falta de satisfação profissional. Na sua visão, é necessário mudar o foco para lidar com o gap entre as gerações no mercado de trabalho.

“Empresas hoje não precisam de um chefe, mas sim de pessoas inspiradoras que vão conseguir atender essa nova geração e garantir qualidade de vida para que eles tenham ótimo rendimento”, afirma o coordenador do Hospital Sírio Libanês.

“Essa geração tem grande potencial e é muito melhor que a nossa. Impor o padrão de nossa geração para eles é o grande erro nas organizações. Atualmente, percebo que se transmite muito das tradições, problemas, expectativas e apegos de uma geração e um tempo para uma nova que tem uma forma diferente de pensar e vive outro processo de evolução. Tomar cuidado com esses retrocessos no ambiente profissional é essencial, por isso modelos inspiracionais são necessários para lidar com fatores que causam ou minam a saúde mental”, finaliza.

Sendo assim, lidar com a liderança tradicional, controladora e com tendências punitivas é um dos principais trabalhos preventivos que a empresa pode fazer.

Companhias precisam trabalhar essa mudança de mindset e treinar seus gestores com base em dois pilares: aprendizado contínuo – para que reforcem seus conhecimentos e se tornem uma referência para a equipe – e empatia.

Por mais difícil que pareça, Samia defende a ideia da psicologia positiva, na qual organizações colocam não o cliente, mas o colaborador em primeiro lugar.

“Se o funcionário estiver feliz, ele fará o seu melhor, um trabalho excepcional. Gestores precisam cultivar esse espaço e respeitar a autonomia, capacidade e timing de cada um”, acredita.

É muito comum escutarmos casos de empresas onde o ritmo frenético de trabalho é corriqueiro e até mesmo incentivado, com diversos colaboradores permanecendo nos escritórios muitas horas depois do seu horário ou levando tarefas para casa. Reclamar do chefe também é um lugar-comum.

Nesse sentido, Samia completa seu raciocínio dizendo que é crucial flexibilizar a cultura organizacional para que ela seja mais sustentável para a saúde mental.

“Certos ambientes adoecem. A humanização no trabalho é a prática indispensável para empresas que focam na sustentabilidade e desejam contar com uma equipe em alta performance”, conclui.

O tema de saúde mental será tratado na próxima edição do Corporate Health Conference, que será promovido em junho em São Paulo pela Blueprintt.

A keynote speaker Dra. Marilda Lipp trará orientações práticas para enfrentar as doenças que são campeãs de afastamentos do trabalho causados pelo ambiente laboral.

Saiba mais sobre a programação do evento clicando aqui.

Autor

Flávia Lima

Flávia Lima é jornalista pela PUC-SP e pós-graduada em Comunicação e Marketing pela ECA/USP. Possui ampla experiência como jornalista setorizada. Atualmente, é gerente de conteúdo da Blueprintt, responsável pelo planejamento de congressos corporativos nas áreas de RH Estratégico, Marketing e Tecnologia da Informação.