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Saúde e bem-estar nas empresas: pesquisa mostra a evolução do tema
Saiba como as companhias têm usado, na prática, os eixos estratégia e controles na área de saúde corporativa.

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Ainda hoje, mesmo com uma nova era de relação entre trabalhadores e empregadores, não existe uma lei que as obrigue a construir estratégias ou colocar em prática ações para saúde e bem-estar nas empresas.

 

Porém, se o mercado de mão de obra se movimenta, o da demanda também acompanha, mesmo que em menor escala.

 

Hoje já existem muitas empresas se preocupando com esta pauta, mesmo que com muito ainda a evoluir.

 

Por isso, vale a pena conferira importante pesquisa realizada pela Lockton, maior corretora de seguros privada do mundo, sobre gestão de saúde e bem-estar nas empresas.

 

O quanto mudou? Com o que temos que nos preocupar? Quais as melhores práticas? Vamos conferir neste artigo,

 

Base da pesquisa

 

Para direcionar a coleta de informações e amostra de resultados, a Lockton dividiu a pesquisa em três dimensões: Usuário, Gestão Médica e Empresa. Sendo regidas, respectivamente, pelos pilares: Adoecimento e Utilização, Ocupacional e Assistencial e Estratégias/Controle e Comunicação/Engajamento.

 

A aderência a pesquisa superou as expectativas da seguradora, Foram 269 empresas respondentes, de segmentos de mercado como TI, bens de consumo não duráveis, comércio eletrônico e varejo físico, indústria química, entre outros.

 

Falando em porte, participaram instituições que continham de 100 a mais de 10.000 colaboradores, com matrizes em países como Reino Unido, Brasil, Estados Unidos e França.

 

Agora vamos acompanhar os mais interessantes resultados divididos pelas dimensões e pilares que citamos acima.

 

Dimensão: Usuário – Adoecimento e Utilização

 

Toda vez que um colaborador utiliza uma ferramenta de gestão de saúde e bem-estar disponibilizada pela empresa, aquilo vira uma mina de ouro de informações de informações para gestão, que nem sempre ganha a devida visibilidade e tratamento.

 

Uma das principais vias de acesso para tal é manter uma comunicação ativa com o convênio médico contratado.

 

Entre as atividades que poderiam ser feitas em conjunto por estas partes, considerando apenas os resultados de empresas que já consolidaram a atividade, apenas 36% delas acompanham o quadro do que chamam de “principais ofensores” a utilização do convênio, ou seja, pessoas com doenças crônicas.

 

Outros 45% realizam uma análise prévia em casos de liberação para home care e apenas 54% realizam auditoria na base de sinistros para atuar em cima de casos mais graves e repetitivos.

 

Todas estas atividades podem ajudar a encaminhar melhor as utilizações do convênio médico por parte do colaborador, evitar possíveis gastos desnecessários e trabalhar com ações preventivas, além de propiciar uma vida cada vez mais saudável aos colaboradores.

 

Dimensão: Gestão Médica – Ocupacional e Assistencial

 

Dentro da gestão ocupacional, mora um grande trabalho de estudos sobre históricos e planejamento de ações para prevenção, que devem ser cada vez mais considerados dentro das empresas.

 

Entre os estudos temos, coleta de guias de exames – para identificar possíveis complexidades e afastamentos, rastreamento populacional – com base nos dados de utilização do plano de saúde, “hiperutilização” de exames e consultas, entre outros.

 

Para gestão de gastos, podemos considerar controle sobre afastamentos de longa duração, monitoramento junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e padrões de utilização adequados para cada caso, por exemplo.

 

Quanto ao eixo assistencial, que contempla a presença de um médico em ambulatório interno, algumas atividades de relacionamento entre este profissional e os colaboradores, alimentariam uma gestão de saúde e bem-estar mais eficaz.

 

São elas: a relação médica fidelizada com o usuário, médicos com perfil mais resolutivo e a viabilidade de internalização de alguns cuidados, como fisioterapia, por exemplo.

 

Quais empresas estão utilizando tal serviço

 

Apenas metade das empresas entrevistadas tem a presença de um dos dois mais corriqueiros profissionais contratados para tais atividades, um médico ocupacional (50%) ou um enfermeiro (49%).

 

Dentro outros possíveis cargos, temos Assistente Social (17%), Dentista (7%), Médico Assistencial (26%) e 17% delas não tem uma equipe dedicada a gestão médica.

 

Quando falamos em espaço dedicado (ambulatório médico), e não apenas um ou dois profissionais sem espaço fixo, o número de áreas inexistentes cresce para 57%, levando em consideração que, dos números gerais, 42% estão em fase de desenvolvimento e 22% em plena atividade.

 

 

Ações em atividade

 

Entre as empresas que já conseguiram colocar em andamento atividades de prevenção a doenças ou impacto em contenção de gastos, temos em:

 

  • 80% das empresas, mulheres acima de 40 anos realizando mamografia;
  • 77% com homens acima de 50 anos realizando PSA (Antígeno Prostático Específico – exame de sangue que identifica alterações na próstata);
  • 58% tem mulheres acima de 18 anos realizando exame Papanicolau;
  • 34% delas realizam pesquisas de mudança do perfil epidemiológico da população;
  • 28% das respondentes já evitaram cirurgias ortopédicas;
  • E 17% cirurgias bariátricas.

 

Dimensão: Empresa – Estratégia e Controles

 

Neste trecho, a empresa pesquisadora fez questão de colocar a seguinte frase: “Não se gerencia o que não se mede, não se mede o que não se define, não se define o que não se entende e não há sucesso no que não se gerencia”. Deming, W. Edwards.

 

E ela explica exatamente tudo que permeia a atenção que as empresas devem ter aos eixos Estratégia e Controles e sobre como deve ser colocada em prática.

 

Algumas ações a serem tomadas são muito familiares aos ouvidos no mercado, como clareza sobre o melhor modelo de assistência de saúde a ser contratado, monitoramento dos indicadores de utilização, estabelecimento de canais de comunicação, realização de campanhas, palestras, comunicados, entre outros.

 

Então, mais do que olharmos para estes direcionamentos, vamos ver alguns dados sobre como o mercado têm se movimentado em relação a eles.

 

Considerando a criação de padrões para gestão de saúde e bem-estar:

 

  • 59% dos respondentes tem um direcionamento consolidado;
  • 81% consideram a prática inexistente.

 

Quanto a coleta de informações da operadora:

 

  • Tratando-se do recebimento de cópia da conta médica, os maiores números se dividem em “nunca fizemos esta solicitação” (33%) e “sim, sem grandes barreiras”‘ (35%).

 

A implementação de programas/benefícios para cuidados prévios a saúde dos colaboradores (considerando as empresas em fase de consolidação do projeto):

 

  • Acompanhamento de gestantes, 55%;
  • Gympass ou reembolso a academia, 29%;
  • Programa de perda de peso, 22%;
  • Massagem laboral, 46%;
  • Blitz postural, 26%;
  • E, uma atividade pouco praticada, mas que ainda apareceu em 4% das empresas: estímulo a meditação.

 

Um fato alarmante é o resultado de empresas que não desenvolvem qualquer estímulo para que seus colaboradores realizem check-ups, que seria um cuidado prévio.

 

Ao todo, 97% delas, não atrelam a atividade a conquistas como: indicador extra na remuneração variável ou gatilho para a antecipação de 1/3 das férias, por exemplo.

 

Acompanhamento de resultados

 

Em relação ao monitoramento e tomadas de decisões quanto aos números, de uma maneira geral, é possível enxergar alguns avanços do mercado em relação a alguns pontos.

 

Por exemplo, 96% dos respondentes dizem analisar o relatório de performance e sinistralidades mensal dos seus fornecedores de planos de saúde.

 

Partindo para as ações quanto a custos, 89% delas dizem negociar preços constantemente com seus fornecedores e, inclusive, realizar cotações periódicas para possíveis trocas (81%).

 

Nem sempre é possível enxergar, olhando apenas para dentro de casa, em quais pontos a gestão de saúde e bem-estar deve ser melhorada.

 

Pensando nisso, 78% das empresas disseram responder a pesquisas de parceiros estratégicos ou consultorias, para identificar novas práticas e tendências, colocando o conhecimento a ações, como divulgação de novos materiais de comunicação sobre temas específicos (94%), campanhas (81%) e palestras (68%).

 

E, não podemos esquecer de um dos pontos mais importantes quando falamos em políticas empresariais e ambientes corporativos, o apoio das lideranças.

 

Em 69% das empresas que responderam à pesquisa, as lideranças, em todos os seus níveis, são completamente ativas e apoiadoras as práticas de saúde e bem-estar dentro da companhia e suas devidas melhorias.

 

Fato muito animador que, com certeza, fomentará cada vez mais o grau de importância do assunto a todo o mercado, não só entre C-levels, mas também com os resultados destes incentivos sendo vistos por todo mercado, gerando cases e grandes exemplos a todos.

 

Gostou dos dados? Qual a sua opinião sobre a área de saúde corporativa?

 

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Autor

Flávia Lima

Flávia Lima é jornalista pela PUC-SP e pós-graduada em Comunicação e Marketing pela ECA/USP. Possui ampla experiência como jornalista setorizada. Atualmente, é gerente de conteúdo da Blueprintt, responsável pelo planejamento de congressos corporativos nas áreas de RH Estratégico, Marketing e Tecnologia da Informação.