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Por que empresas vêm se unindo para reduzir custos no Cold Chain?
As necessidades específicas da área geram diversos obstáculos para garantir a logística e o funcionamento de qualidade em todas as etapas do processo.

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À primeira vista, parece estranho empresas concorrentes fazendo parcerias. Mas é exatamente isso que está acontecendo para a redução de custos no Cold Chain.

 

Os tempos mudaram.

 

Segundo Tiago de Oliveira, gerente de Customer Care & Collaboration da DPA/Nestlé, a colaboração entre empresas é uma forte tendência na cadeia do frio.

 

“A concorrência deve acontecer somente no ponto de venda. Até lá, a preocupação deve ser com os custos e nível de serviço. Nosso lema, inclusive, é esse: compartilhar sempre, concorrer só na gôndola”, destaca.

 

Não é por menos. Um dos setores com mais desafios pela frente no cenário do mercado atual é o da cadeia do frio.

 

As necessidades específicas da área geram diversos obstáculos para garantir a logística e o funcionamento de qualidade em todas as etapas do processo.

 

Para se ter ideia, deixar um produto termossensível por algum tempo fora de uma determinada faixa de temperatura já é o suficiente para perdê-lo.

 

Portanto, uma das principais preocupações é, sem dúvida, quanto ao aprimoramento da gestão de demanda e controle de estoques com minimização dos custos e excelência no nível de serviço.

 

Dentro desse contexto, uma solução que tem se mostrado bastante viável é a colaboração entre empresas na cadeia do frio.

 

A seguir, descubra os maiores desafios desse tipo de parceria e conheça alguns exemplos que vêm dando certo.

 

Os desafios do compartilhamento de cargas

 

Em um primeiro momento, a solução pode parecer bastante contraditória.

 

Aliás, é comum que as empresas envolvidas fiquem receosas de estabelecer parcerias com possíveis concorrentes para não compartilhar informações sensíveis.

 

No entanto, Rafael Andreatta, Distribuition Manager da Unilever, entende que isso não é mais uma preocupação.

 

“Vale reforçar que, hoje em dia, a informação é disseminada rapidamente. No próprio CD (Centro de Distribuição), já é possível ter acesso a algumas estratégias dos concorrentes”, aponta.

 

Mas é claro que nem tudo são flores quando se trata de compartilhamento. Reduzir o custo sem afetar o nível de serviço exige ações flexíveis e, claro, um planejamento conjunto bastante estruturado.

 

Para que a parceria funcione, é primordial que todos os envolvidos entendam que a divisão de custos inclui a tecnologia envolvida no processo, para que ninguém considere estar apenas com o ônus e não com o bônus da divisão.

 

Entre os muitos aspectos a se conciliar no gerenciamento de times diversos, destacam-se o desenvolvimento comercial, a gestão de riscos, a malha logística e a forma de atuação.

 

“Não é fácil gerenciar a cadeia logística de uma empresa, imagine de duas, três empresas”, resume Oliveira.

 

De acordo com o responsável pela área de colaboração, é importante saber que, em um primeiro momento, a parceria não traz lucro nenhum para qualquer uma das partes.

 

“Muitas parcerias nos primeiros seis meses não vão dar lucro ou benefício financeiro. Mas há uma tendência em melhorar o nível de serviço”, explica.

 

 

Parceria na DPA/Nestlé

 

Com quatro anos de experiência no compartilhamento horizontal de cargas na DPA/Nestlé, Oliveira fala sobre como o estabelecimento desse tipo de parceria pode gerar inúmeros benefícios para as empresas envolvidas.

 

Para se ter ideia, os custos da DPA/Nestlé com o transporte de caminhão diminuíram por volta de 5% graças ao compartilhamento do veículo.

 

Para exemplificar outros ganhos, ele cita uma parceria com uma empresa que permitiu a diminuição do tempo do produto em estoque de 15 para dois dias, o que ajudou a aumentar as vendas e o faturamento.

 

É claro que, antes de buscar parceiros, Tiago de Oliveira leva em conta os limites de temperatura para o compartilhamento de cargas.

 

Parceria na Laticínios Tirolez

 

Também presente no painel sobre compartilhamento de cargas, Antonio Carlos da Silva Neto, Gerente de Logística da Laticínios Tirolez, acrescenta que o compartilhamento de cargas é um aprendizado diário.

 

Parceira da Danone há cerca de um ano, a Laticínios Tirolez ainda está planejando seus próximos passos no mercado, mas começou com grandes conquistas.

 

Entre elas, destaca-se a penetração em novos mercados.

 

“Começamos a levar nossos produtos a pequenas cidades do interior nas quais ainda não estávamos presentes e agora temos um cronograma de expansão que pretendemos seguir. Basicamente, a gente vira uma região, estabiliza, verifica os resultados e depois vai ampliando”, explica.

 

Atualmente, a parceria funciona em dois modelos: comercial e logística. Segundo Silva Neto, os distribuidores da Danone passaram a vender, também, produtos da Tirolez. E na logística eles distribuem.

 

Assim, agora passa-se a trabalhar com entregas diretas e indiretas, de forma que o distribuidor ganha pela venda e pela logística.

 

O Gerente de Logística da Tirolez conta ainda que, por trabalhar na mesma faixa de temperatura da Danone, quase não foram necessárias alterações, ainda que a qualidade da Danone tenha feito uma exigência em relação às embalagens.

 

Em termos de resultados práticos, Silva Neto afirma que é essencial saber que os parâmetros devem ser analisados com cuidado.

 

Segundo ele, “houve sim uma redução de custos que pode variar de 5% a 20% dependendo da praça. Além disso, esses parâmetros também vão depender do nível de serviço. E é nesse momento de fazer ajustes finos que nós estamos”, finaliza.

 

Aproveito para convidar você a ver esse artigo sobre como o Aeroporto de Viracopos se preparou para transportar cargas termossensíveis.

 

Tenho certeza que vai ser útil.

Autor

Bruno Maddalena

Bruno é formado em jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduado em Marketing Digital pela Escola Superior de Propaganda e Marketing, já escreveu sobre e-commerce, empreendedorismo, franquias, marketing digital, mercado imobiliário e tecnologia.