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As tecnologias da Natura e Electrolux para redução de custos na logística
Na esteira da quarta revolução industrial, empresas brasileiras investem em inovações para atingir a excelência nos negócios.

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Muitas empresas vêm adotando tecnologia para facilitar a execução dos processos e alcançar a redução de custos na logística.

Isso porque a logística representa hoje de 6% a 12% das despesas de uma companhia. Porém, nem todas as empresas a entendem como área estratégica – um pré-requisito para aprovação de orçamentos dedicados à inovação e ganhos de performance.

Duas líderes de mercado, a Natura, na área de cosméticos, e a Electrolux, na área de eletrodomésticos, alavancaram seus negócios enquanto a tecnologia exercia poder relativamente moderado.

Agora, na esteira da quarta revolução industrial, as companhias foram desafiadas a mudarem suas culturas e levarem a automação até seus departamentos de supply chain.

A seguir, vamos saber quais foram as tecnologias adotadas pela Natura e Electrolux nos processos de distribuição e entregas de produtos, melhorando a produtividade operacional.

Estudo da malha logística na Natura

Totalmente alinhada com a quarta revolução industrial, a Natura é uma empresa de vanguarda. A tecnologia na logística faz parte de seu DNA.

Investe, desde 1999, em automação, promove sustentabilidade, reduz seus custos logísticos, tem agilidade na entrega de pedidos e é focada na inclusão social.

Parte desse cenário foi traçado há oito anos, quando a companhia fez um “estudo de malha logística” para aperfeiçoar o atendimento pelo Brasil e reduzir os prazos de entrega dos pedidos das consultoras e via e-commerce para, no máximo, 48 horas.

Nestor Felpi, diretor de Inovação Logística da Natura, ressalta que a empresa transformou-se em uma corporação e tornou-se uma empresa multicanal. Hoje, tem participação consolidada na América Latina, sendo 70% no Brasil e 30% nos demais países latinos.

Com a implantação do cinturão logístico de São Paulo, a Natura reduziu os custos com logística e agilizou o sistema de entregas.

O projeto funciona da seguinte maneira: uma carreta automatizada é carregada em Cajamar com produtos acabados, é descarregada no hub em Itupeva, montada novamente com produtos solicitados pelo centro de distribuição de São Paulo e descarregada na capital paulista sem nenhum contato humano.

Toda a carga é montada fora do caminhão e depois, através de um sistema de esteiras motorizadas e elevadores, transporta-se tudo para o interior da carreta.

Esse processo de retirada ou abastecimento de produtos da carreta leva cinco minutos.

Tecnologia na logística da Natura

O hub de Itupeva, no interior de São Paulo, ocupa um prédio com 35 mil m², com 90 mil posições pallets, 13 corredores com transelevadores, 35 mil posições de caixa (armazém de caixa), dois robôs despaletizadores, dois robôs de paletizadores, carreta automática e esteira telescópica para granel.

Trata-se de um conceito inovador em nível mundial que trouxe os seguintes benefícios:

  • Redução de 72% de mão de obra;
  • Fim da armazenagem externa;
  • Expedição automatizada (expedição sem conferência);
  • Sistema de despaletização (zero pessoa com trabalho manual e tudo de forma integrada através de esteiras e um sistema WCS);
  • Sistema de paletização;
  • Granel na metade do tempo e com a metade das pessoas;
  • Atendimento ao Centro de Distribuição (CD) de São Paulo mais próximo de Itupeva em três horas;
  • Looping do armazenamento de caixa.

O CD de São Paulo é a segunda sede da empresa, ocupa 26 mil , abriga as áreas comercial, de TI e administrativa e uma central de monitoramento online. Tem a seguinte estrutura:

  • Capacidade de estoque de três dias com captação estendida no hub;
  • 74 mil posições de caixas disponíveis para linha de picking;
  • Recebimento automático dos 48 pallets de forma rápida;
  • Expedição rápida automática com dois robôs de despaletização;
  • Expedição automática com dois robôs paletizadores;
  • Estações para fracionamento e packing para atender e-commerce;
  • Descentralização do WMS para permitir melhor rastreabilidade;
  • Interfaces são intuitivas para incluir 18% de pessoas com deficiência;
  • Gestão de performance individual;
  • Pré-separação dos pedidos (picking antecipado);
  • Rastreabilidade de lote para o consumidor final.

Diante desses avanços, a Natura teve que repensar o modelo de trabalho de seus funcionários. Promoveu uma mudança cultural, fez com que seu time entendesse melhor a dinâmica dos fluxos, da operacionalização e da parte técnica.

Encontrou na inteligência artificial uma forma de controlar a performance e o funcionamento de equipamentos. É a maior fabricante de cosméticos do País – graças, também, à tecnologia.

Gestão de supply chain da Electrolux

A Electrolux, líder mundial de eletrodomésticos, tem o propósito de reinventar formas em favor do bem estar da sociedade. A tecnologia, nesse contento, é empregada nas linhas de produção e integrada aos processos logísticos da companhia pela competitividade.

Jivago Affonso, digital & automation, revela que a fábrica de São Carlos, no interior de São Paulo, é um case de sucesso nessa trajetória. Lá ficam seis linhas de produção, incluindo máquina de lavar, lavadoras de roupas, fogões e cooktops, três áreas tecnológicas e parte das peças são produzidas pelos seus 1.600 colaboradores.

A fábrica de São Carlos tem passado por uma revolução. Seu projeto logístico está sustentado pela tecnologia de ponta. Jivago destaca que o Interfacility Freight Automation Project (IFA), projeto de automação na saída da linha de produção, está revolucionando a gestão da suply chain.

Nesse sistema, todos os produtos são colocados em um linhão que vai até a área de expedição, sendo separados de acordo com as suas características e carregados automaticamente de 2,5 minutos em 2,5 minutos no caminhão, otimizando tempo, gerando economia no processo logístico e colaborando para se evitar acidentes.

Outra novidade é o uso de um etiquetador automatizado (labeling automatic assembly), que pega a etiqueta da impressora e cola no produto, substituindo o elemento humano nas linhas de montagem da fábrica.

Lá os robôs também estão sendo utilizados em vários processos ao longo da linha de montagem.

Smart Factory: um novo conceito na supply chain

A Electrolux está apostando na Smart Factory como modelo ideal de fábrica em nível global e que possa:

  • Detectar desabastecimento;
  • Modularizar as linhas de produção com o auxílio de robôs;
  • Buscar a rastreabilidade de todo produto para detectar se foi utilizado erroneamente dentro da supply chain;
  • Inclusão de robôs para atividades que não são ergonômicas

Além disso, a Electrolux vai introduzir o Manufacturing Execution System (MES) para coletar dados em tempo real, sincronizar os fluxos e a produtividade das fábricas.

Em São Carlos, o MES está em uma fase de testes integrados com a manufatura. A ideia é que no começo de 2019 o MES entre na fase de testes com a logística.

Eis a Electrolux na construção de uma interação digital pela melhoria da competitividade industrial.

Gostou dos cases?

A Natura e Electrolux estiveram presentes no Logistics Management Forum 2018, promovido pela Blueprintt em outubro.

Fique de olho na nossa agenda e participe de eventos como este.

Autor

Rosa Buccino

Rosa Buccino é jornalista e atua na gestão de conteúdo, planejamento e briefings, redes sociais, sites e blogs. Apresenta o programa Inclusive, um novo olhar para a inclusão social na rádio Mega Brasil On Line.