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Como utilizar a gamificação em programas de qualidade de vida
Itaguaí Construções Navais criou ações interativas para melhorar o engajamento de colaboradores quanto à importância da integridade física e mental.

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As grandes empresas já perceberam a importância do cuidado com o capital humano para aumentar a produtividade e ter melhores resultados, por meio de programas de qualidade de vida.

No entanto, no que diz respeito à saúde, um desafio encontrado é como garantir a integridade física e mental dos colaboradores de forma efetiva, dentro e fora da companhia.

Sempre muito pautada por tecnologia e inovação, a Itaguaí Construções Navais (ICN) apostou na gamificação para engajar profissionais em seus programas de qualidade de vida.

Especializada na construção de submarinos para a Marinha, a empresa identificou padrões ligados à saúde que estavam atrapalhando a performance operacional.

Então, teve a iniciativa de criar uma série de ações interativas e canais de comunicação para despertar o interesse de todos com relação à prática de atividades físicas, qualidade do sono, alimentação balanceada, entre outros temas.

A soma das ações causou efeitos positivos nas rotinas de trabalho, no clima organizacional, bem como colaborou para o alcance de metas e para reduzir o absenteísmo.

No post de hoje, vamos analisar esse case e ver como a gamificação foi aplicada no projeto. Acompanhe a leitura!

Estruturação da novas estratégias de programas de qualidade de vida

Em meados de 2016, por conta da crise que atingiu a Petrobrás e toda a cadeia envolvida, a ICN percebeu que alguns dos novos funcionários contratados estavam, depois de muito tempo sem emprego ou trabalhando sob pressão, doentes.

Em uma análise feita pela companhia, muitos estavam hipertensos, obesos, com colesterol alto ou diabetes, por exemplo.

Somado à isso, diversos profissionais não eram liberados para cumprir suas funções por conta das limitações de saúde, uma vez que o trabalho apresentava riscos, como estar em altura ou em espaço confinado.

Nesse cenário, a instituição traçou em 2017 um programa de qualidade de vida chamado “Mergulhando na Saúde”, que contemplava assuntos como:

  • Saúde mental;
  • Prevenção de doenças crônicas;
  • Estímulo a atividade física;
  • Controle da obesidade;
  • Saúde bucal;
  • Saúde financeira;
  • Satisfação do funcionário;
  • Planejamento familiar;
  • Prevenção de alcoolismo e uso de drogas.

Para implantar esse programa, foi elaborado um plano estratégico que incluía uma série de ações e atividades, como:

  • Cursos e palestras sobre saúde;
  • Avaliações médicas (check-ups) dentro da empresa;
  • Criação de grupos de caminhada e corrida;
  • Unidades médicas e odontológicas dentro da companhia;
  • Atendimento nutricional;
  • Parceria com academias (gym pass);
  • Refeições mais saudáveis nos refeitórios e elaboração de pratos para dietas vegetarianas, veganas, restritivas etc.

 

 

Criação de um portal de conhecimento e da competição “Batalha Naval”

Mesmo investindo em iniciativas interessantes que foram muito bem recebidas pelos colaboradores, a ICN sentiu a necessidade de aprimorar ainda mais a comunicação com seus funcionários, por meio de programas de qualidades de vida.

Nesse ponto, foi criado o “Radar da Saúde”, um portal de aprendizagem sobre o tema e que por si só já continha alguns recursos de gamificação.

Por exemplo, quanto mais a pessoa acessa a página, posta, comenta, dá likes, faz cursos e intervenções, ela acumula pontos e é premiada no fim do ano.

“O canal do conhecimento foi importante para dar esse primeiro passo de adesão dos integrantes e ele em si já era uma ferramenta interessante e que funcionava. Todavia, queríamos engajar ainda mais o colaborador, tornar o processo de saúde envolvente, mais próximo e divertido para as pessoas”, conta Adriana Jardim Arias Pereira, que foi da Coordenação de Saúde Ocupacional da companhia.

Foi a partir desse momento que surgiu o jogo “Batalha Naval”. Com duração de 100 dias, equipes de até 7 pessoas de toda a corporação recebem um kit – com um gadget para monitoramento, o Pulse – e precisam cumprir etapas até completarem toda a jornada proposta no jogo.

Os módulos envolvem atividades sobre:

  • Sono;
  • Atividade física;
  • Nutrição;
  • Bem-estar psicológico;
  • Foco e concentração.

De maneira espontânea, o colaborador pode se unir às pessoas que preferir. Cada equipe é registrada em um portal e podem acessar as atividades, bem como acompanhar seu desempenho e o do time por meio de um aplicativo ou pela intranet.

Quanto mais atividades o grupo realizar, mais rápido os módulos seguintes são destravados e ele avança ao longo da competição.

Antes de começar, os setores de comunicação e saúde se aliaram para divulgar o projeto e estimular a participação. Um dia antes de a batalha iniciar, todos os inscritos se reuniram em um café da manhã no qual todos os detalhes sobre a competição foram explicados e foram definidos também os capitães dos times.

Uma vez terminado o jogo, o colaborador participante continua tendo acesso ao sistema por mais um ano.

“A ideia é que o hábito continue e não pare nos 100 dias. Queremos que o colaborador use a ferramenta e o projeto como inspirações para fazer uma mudança na sua qualidade de vida”, afirma Adriana.

Avaliação de resultados

Os retornos dos programas de qualidade de vida da ICN foram expressivos. Antes da “Batalha Naval”, apenas 30% dos integrantes ultrapassava os 10 mil passos por dia – medida determinada pela OMS para a pessoa ser considerada ativa e não sedentária.

Após o projeto, 92% das pessoas continuaram ativas fisicamente. Ademais, outros dados que mereceram destaque foram:

  • 55% das pessoas começaram a dormir 7 ou mais horas por dia, o que melhorou a classificação de produtividade e aumentou em 64% o foco e concentração;
  • 76% dos colaboradores se sentiram menos estressados, representando um aumento de 24% na felicidade e satisfação;
  • 98% relataram ter uma melhor compreensão sobre o que era preciso melhorar no seu estilo de vida.

No mais, o clima organizacional e a parte social também se beneficiaram com essa ideia para alavancar os programas de qualidade de vida.

Com a “Batalha Naval”, os vínculos entre colegas se reforçaram, pessoas de outros setores passaram a se conhecer melhor e a interagir mais. Em pouco tempo, o programa proporcionou outros ganhos para a empresa como:

  • Queda do absenteísmo;
  • Liberação dos colaboradores para assumir as funções de risco;
  • Redução da sinistralidade;
  • Taxa de acidentes minimizada (acidentes sem afastamento nos últimos 3 anos);
  • Índice de zero doenças ocupacionais.

“O intuito da companhia era trazer o colaborador para perto as empresa e ensiná-lo a melhorar sua saúde e de sua família, sendo veiculador desse tipo de informação. Não são apenas números ou melhora de indicadores”, afirma Adriana.

“Agora, a jornada continua. Esperamos que isso não seja só uma prioridade passageira, mas que se torne um hábito, parte dos valores, da cultura da empresa e de cada integrante. Para nós, a tecnologia e práticas inovadoras, como a gamificação, ajudaram a mudar a vida das pessoas e contribuíram para bons resultados”, completa.

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Autor

Flávia Lima

Flávia Lima é jornalista pela PUC-SP e pós-graduada em Comunicação e Marketing pela ECA/USP. Possui ampla experiência como jornalista setorizada. Atualmente, é gerente de conteúdo da Blueprintt, responsável pelo planejamento de congressos corporativos nas áreas de RH Estratégico, Marketing e Tecnologia da Informação.