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Planos de saúde: como alcançar a sustentabilidade do modelo nas empresas
A busca por uma utilização correta do sistema de saúde passa a ser fundamental nas empresas. E as operadoras já oferecem soluções.

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Quando o assunto é a parceria de empresas com planos de saúde, os desafios são muitos para garantir a sustentabilidade do negócio.

A conta simplesmente não fecha: instituições desejam negociar serviços mais acessíveis, mas a verdade é que muitas carteiras permanecem deficitárias.

Presente em 84% do país, a Unimed tem uma estrutura complexa e de grande capilaridade, sendo o maior sistema cooperativista do país, com mais de 17 milhões de beneficiários.

Mesmo com esses atributos, a empresa é lembrada por muitos por situações como a falência da Unimed Paulistana e a fragilidade financeira em outras regiões, como no Rio de Janeiro.

Em 2011, um mapeamento mostrou que 28% do sistema está em situação financeira grave. Em 2017, esse número baixou para 4%, mostrando hoje que a Unimed do Brasil trabalha fortemente para que as unidades da rede se fortaleçam.

Há ainda, porém, dificuldades com questões regulatórias, intercâmbio de dados pelo País e, o mais importante, o equilíbrio da relação entre custos e qualidade de saúde.

Como costurar essas parcerias entre empresas e planos de saúde de forma efetiva? Conheça o trabalho da Unimed do Brasil em torno do conceito de Atenção Primária de Saúde.

Negociação inteligente para os planos de saúde

Equilibrar os custos é um desafio. São muitas as questões, tanto do lado das operadoras de planos de saúde como das companhias. Sheila Mittelstaedt, gerente de Gestão de Saúde da Unimed do Brasil, aponta como um caminho a simetria das informações.

Para ela, o Big Data ajuda ambas as instituições a olhar para dados com maior profundidade, indo além de relatórios sintéticos.

A inteligência de dados permite avaliar usos, mapear high users crônicos e estudar o perfil de diversos beneficiários – e seus dependentes – para precificar melhor o serviço e qualificar toda a cadeia assistencial.

“Eu só tenho sustentabilidade na parceria entre plano e empresa quando tenho dados concretos”, ressalta Sheila. Para isso, a executiva especifica que são necessários tanto dados cadastrais como de sinistros para fazer um bom trabalho de análise. Esses registros precisam ter acesso fácil, estarem seguros e atualizados.

A Unimed considera a ciência de dados a espinha dorsal de uma gestão de saúde adequada.

A importância desse tema é tanta que a empresa investiu pesado em tecnologia nos últimos anos: desenvolveu fora do Brasil uma plataforma de registro eletrônico, que concentra dados dos 17 milhões de beneficiários em um só lugar. O intuito é poder rastrear e mapear toda a jornada de um usuário em todo território nacional.

Verticalização: um caminho para otimizar custos

Estimular a criação de hospitais e sistemas próprios funcionou para a Unimed em algumas regiões, sobretudo em locais onde a massa de beneficiários é significativa.

Para Sheila, a verticalização, quando bem gerida, é muito eficiente. Atualmente, a Unimed conta com 117 hospitais, 94 laboratórios, centro de educação e inúmeros recursos próprios que mobilizam a cadeia da empresa.
 

 

Atenção primaria à saúde: o ponto-chave para o viés da sustentabilidade

Dentro do cenário de sustentabilidade, Sheila aponta que a estratégia essencial vista por ela como por toda a diretoria da Unimed é o investimento em atenção primaria à saúde (APS), que foca na prevenção de doenças e minimiza uma rotina de procedimentos excessivos.

Enquanto as empresas exigem mais inteligência no atendimento de planos de saúde, a Unimed foca em trabalhar APS como porta de entrada e elemento central na coordenação de toda a rede.

“Sabemos que é possível atender boa parte dos pacientes com APS e, assim, reduzir expressivamente o volume de internações, consultas e exames desnecessários, atendendo a demanda de um atendimento mais inteligente e produtivo”, conta Sheila.

Contudo, por mais que a operadora de plano de saúde trabalhe fortemente na expansão desse modelo, ela entende que essa é uma jornada de longo prazo, especialmente porque existe um grande paradigma a ser superado tanto pelo beneficiário como pelo cooperado.

Sheila reforça que a ideia central é convencer todo o sistema a migrar de um pensamento do cuidado centrado na doença para o cuidado focado na pessoa e na atenção integral na saúde. Esse é o mote do trabalho da Unimed nesse momento.

Todavia, migrar para APS não é tão simples assim e os obstáculos são muitos. Por exemplo, não existem profissionais suficientes com formação em médico de família. No mais, para elaborar e vender um produto de APS para as empresas é preciso pensar em:

  • Como mostrar para o colaborador que ele não está perdendo nada, mas sim ganhando com esse modelo;
  • Providenciar um sistema avançado para gestão e intercâmbio de dados, como um prontuário de fácil uso;
  • Modelo de remuneração atrelado a indicadores.

Essencialmente, uma das maiores dificuldades é realmente a mudança de mindset em relação à APS. A proposta desse modelo assegura que o beneficiário seja muito bem cuidado e, no longo prazo, garante que não há excesso de utilização e outros recursos. Assim, o desfecho é interessante para todos os lados, em termos qualitativos.

Em 2016, 43 unidades da operadora de planos de saúde estavam trabalhando com APS. Já em 2017, o número chegou a 56, o que mostra que o sistema está crescendo exponencialmente.

“Os próprios dirigentes das empresas parceiras estão se sensibilizando com a questão do desequilíbrio dos custos e cobrando um novo produto mais otimizado que inclua o APS”, pontua Sheila.

Das 56 unidades que trabalham com APS, 34 vendem esse modelo como um produto novo. O esforço da Unimed em promover a APS é tão intenso que as redes que foram premiadas viraram núcleos de excelência em APS e, agora, vão virar hubs colaborativos de qualificação e ajudar outras Unimeds do país a atingir a alta performance em APS.

Para finalizar, Sheila pontua: “Problemas de saúde são imprevisíveis, procedimentos preventivos, diagnósticos e terapêuticos são indivisíveis e, por isso, a necessidade de saúde é incompatível com o plano de preço promocional. Não se iludam com produtos supostamente customizados para a empresa, mas que não entregam qualidade”.

Como em toda parceira, ambos os lados precisam se beneficiar.

Logo, o equilíbrio de valores e a adoção de práticas modernas e mais eficazes de atendimento, com base em dados e um trabalho ostensivo de APS, são aspectos que devem estar na mente dos gestores na hora de negociar planos de saúde para seus colaboradores com uma operadora.

Se você quer conhecer outros casos práticos sobre como posicionar estrategicamente a saúde nas empresas, participe da próxima edição do Corporate Health Conference.

Serão 20 palestrantes apresentando 10 projetos e 1 estudo de caso nos dias 5 e 6 de junho em São Paulo.

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Autor

Flávia Lima

Flávia Lima é jornalista pela PUC-SP e pós-graduada em Comunicação e Marketing pela ECA/USP. Possui ampla experiência como jornalista setorizada. Atualmente, é gerente de conteúdo da Blueprintt, responsável pelo planejamento de congressos corporativos nas áreas de RH Estratégico, Marketing e Tecnologia da Informação.