Blog

Insights de gestão para você antecipar, assimilar e solucionar os seus desafios de negócio

Planejamento estratégico no cooperativismo: vincule ao propósito
A Sicredi Pioneira mostra que é possível ser próxima ao associado, sem deixar de lado a inovação e o crescimento alinhado às estratégias da companhia.

Conecte-se

[addthis tool=addthis_horizontal_follow_toolbox]

O cooperativismo de crédito é uma prática centenária do mercado financeiro. Perdeu força entre as décadas de 60 e 70, mas ainda resiste e agora começa a encontrar caminhos para o crescimento.

Um dos propósitos-chave dessas companhias é estar sempre próximas à comunidade e aos seus associados. Porém, não pode deixar de lado o quanto o mercado financeiro é feroz, sedento por mudanças e inovação diariamente.

Sendo assim, cabe as cooperativas o desafio sobre o como alinhar um planejamento estratégico maduro e funcional, com o seu propósito de proximidade com o cliente e valorização do trabalho nas pequenas cidades.

A seguir, Solon Stapassola Stahl, Diretor Executivo da Sicredi Pioneira, conta como a companhia que existe desde 1902, vem enfrentando e prosperando nesse cenário tão desafiador. Confira.

Começando a desenhar o projeto

“A linha de raciocínio da Sicredi é gerar negócios com propósito, para além da lucratividade, também criar comunidades melhores”, contou Stahl na última edição do C3 – Congresso de Cooperativas de Crédito, realizado pela Blueprintt.

Ele acredita que este deve ser o início do planejamento de qualquer cooperativa, ou seja, ter em mente e bem traçado qual o viés de pensamento a empresa vai seguir sempre.

E para dar vida a este propósito, a aplicação de esforços na transformação digital foi a principal ferramenta que a Sicredi Pioneira utilizou. Unindo assim, tanto os seus objetivos numéricos quanto os ideais do cooperativismo.

“Nas cidades pequenas em que atuamos, o associado vai à uma agência, saca a aposentadoria dele, vai ao comércio, compra o que precisa e, ao final do dia, o dono do comércio volta para o Sicredi com o mesmo dinheiro”, conta o diretor.

“Por isso, a digitalização dos nossos serviços e ações vão tanto nos levar à uma agilidade e lucratividade maior, quanto oferecer mais segurança e comodidade aos associados”, complementa.

Um passo importante dado na Sicredi também foi, antes de concretizar qualquer ideia, envolver o conselho e a diretoria para, junto a área operacional, definir o pensamento estratégico antes do planejamento estratégico.

A partir disso, foram definidas 11 grandes linhas mestres de pensamento, que foram transferidas à diretoria executiva para transformá-las em ações e, somente após esta fase, entrar no campo operacional.

Estruturando e dando vida ao planejamento estratégico

Em 2018, quando o evento foi realizado, a Sicredi contabiliza 52 iniciativas geradas, que acompanham uma linha do tempo para produção, que eles chamam de 3 ondas: 2018, 2019 e 2020. Todo este processo de desenho da estratégia durou 10 meses.

Naquela primeira etapa que comentamos, relacionada à definição do pensamento estratégico com conselho e diretoria, ganhou o seu segundo passo com a contratação de um professor de planejamento estratégico para ajudar a traçar este primeiro caminho, com um prazo de aplicação de 3 anos.

A segunda etapa foi a realização de um benchmark. Alguns C-levels da empresa visitaram empresas na Alemanha para troca de experiências, já que é um País que tem este modelo de cooperativismo muito bem estruturado.

Na sequência, houve uma ação de Design Thinking, onde a empresa ouviu mais de 100 associados, através de perguntas simples e objetivas, tais como:

  • No que a Sicredi Pioneira é a melhor opção e no que é pior?
  • O que bancos privados têm de melhor?
  • Se você fosse o presidente da Sicredi, o que mudaria na cooperativa?
  • Os nossos preços são bons?
  • Você aceitaria pagar mais por um atendimento diferenciado?

Após estes estudos e estruturações, os 500 colaboradores da companhia foram apresentados ao planejamento em um grande evento, que teve como resultado seus objetivos, missão, visão, propósito, proposta de valor, princípios de atuação e fatores de sucesso, postos em um mapa para a visualização concreta de todos.

Três pontos macro foram traçados como meta para este projeto, mas Stahl focou em apenas dois durante a palestra, pois, segundo ele, quando estes forem alcançados, 80% dos desejos da empresa já estarão concluídos:

  1. Melhorar a experiência do associado. Para alcançá-lo, isso foi construída uma pirâmide da experiência, que começa por três etapas de contato com o cliente: a transacional (prevista para a onda 2018), a relacional e a emocional.
  2. Eficiência do sistema. Afinal, não adianta encantar o cliente se ele passa horas em uma concessionária para financiar um carro.

“Nós, enquanto cooperativa, estamos muito atrás nestes quesitos do que os bancos, então não há como nosso objetivo ser outro”, pontua Stahl.

Gameficação no cooperativismo: como usar

Informar todos os colaboradores e alinhar as expectativas do novo planejamento estratégico, é um desafio que, inclusive, gerou a demanda de um novo planejamento para a Sicredi.

Somente o evento para a exposição da ideia e o mapa criado não seria o suficiente. As pessoas precisavam mergulhar naquilo de fato. Então, eles criaram um aplicativo, com toda a sua narrativa baseada em gameficação.

“Nós criamos um desafio com perguntas, baseado em uma história, que gerava alusão aos objetivos que precisavam ser explicados. Eles iam jogando, passando de fase, acumulando pontos e condecorações, até virar o gran mestre do planejamento estratégico da empresa”, explica Stahl.

O game também contempla a sugestão de estratégias para que a empresa alcance os objetivos propostos. Os projetos ficavam visíveis a todos e, qualquer colaborador, podia dar estrelas para cada ideia. Ao total, 203 planos foram cadastrados.

Agora, porque não aproveitar toda esta rica plataforma para auxiliar outras situações do cooperativismo?

Pensando nisso, a Sicredi também implementou um projeto de plano de carreira no aplicativo, iniciando com perguntas aos colaboradores sobre em qual ponto dentro da empresa eles desejam chegar e depois passando aos gestores para a fase de estruturação do plano. No final, 392 planos de carreira foram construídos dentro do game.

Mais uma vez, os colaboradores foram envolvidos em uma nova funcionalidade, através da qual entrevistaram 361 associados para entender como a proposta de valor traçada influenciaria na relação com o cliente

“Hoje ainda utilizamos o aplicativo para sustentar toda a estratégia e como braço para outras ideias. E, vale frisar, que esta plataforma surgiu de uma gerência que foi criada totalmente voltada para inovação. Afinal, não era um projeto isolado, ou seja, para que esta cultura se sustentasse, era preciso um time olhando para isso”, explica o diretor.

Tecnologia e a proximidade com os associados

A proximidade com o associado sempre foi um ponto focal do cooperativismo e, claro, da Sicredi. Mas, para ter eficiência, não poderia ser algo pontual.

Por isso, embarcando mais uma vez na tecnologia, em 2018, surgiu outro aplicativo da companhia chamado Juntos, próximo à um programa de fidelidade, onde acumula-se pontos pelos produtos adquiridos.

Essa pontuação pode ser trocada por experiências descontos na anuidade do cartão ou serem doar, por exemplo, como presente a alguém que desejar.

Cada ponto vale R$ 1,00, o que deixa a comunicação muito clara entre a empresa e o associado, já que o valor de pontos de programas de fidelidade costumam ser um enigma em muitos lugares.

E, por fim, para acelerar ainda mais o planejamento, a Sicredi resolveu encubar o projeto dentro de um polo de tecnologia, a Tecnosinos no Rio Grande do Sul.

O Instituto Euvaldo Lodi (IEL), braço direito em tecnologia dentro da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), é que forma o time de inovação na incubadora, focado em ajudar a Sicredi.

Lá eles conseguem entender para onde o mundo está indo e o que eles têm que fazer para acompanhá-lo. “Nós sabemos que esta mudança não acontece da noite para o dia, por isso, não temos que tratar como projeto, mas sim como um núcleo”, cita Stahl.

Como aprendizado, a empresa levou consigo várias quebras de paradigmas:

  • Empoderamento das equipes que estão na ponta dos processos;
  • Conhecimento e aplicação de novas tecnologias;
  • Aumento do foco no alcance dos objetivos, principalmente sobre melhorar a experiência do associado;
  • Introdução do conceito de lucratividade com propósito.

Gostou desse exemplo de inovação e planejamento estratégico no cooperativismo?

Conheça outras estratégias de quem aproveita as oportunidades para crescer sem abandonar o propósito das cooperativas. Participe da próxima edição do C3 – Congresso de Cooperativas de Crédito, nos dias 29 e 30 de maio, em São Paulo.

Serão 20 palestrantes de grandes players do mercado em dois dias de evento. Saiba mais clicando aqui.

Autor

Barbara Marques

Barbara é graduada em Jornalismo pela FIAM-FAAM, atua profissionalmente há cinco anos, tanto em conteúdo factual, quanto para empresas. É especialista em produções relacionadas à tecnologia, fraude, business e marketing, entre outros. Além de vasto conhecimento em cobertura de eventos, palestras e coletivas.