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O NFC, pagamento por aproximação, vai deslanchar no Brasil?
Os meios de pagamento estão trazendo cada vez mais conveniência, facilidade e segurança aos consumidores. Mas como tornar a tecnologia viável no País?

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Como tudo que tange a tecnologia, a inovação nos meios de pagamento vem com o intuito de trazer conveniência, facilidade e cada vez mais segurança à vida dos consumidores e das empresas. E foi em torno destes conceitos que este mercado conheceu o NFC (Near Field Communication).

A tecnologia permite que dois dispositivos eletrônicos compatíveis façam a troca de dados, desde que estejam a poucos centímetros de distância ou encostados. É o caso dos cartões de transporte, por exemplo.

Mas a ideia é que esse tipo de meio de pagamento se expanda para transações bancárias. Afinal, o Brasil ainda guarda uma cultura muito enraizada sobre como lidar com o dinheiro e mais de 60% da população ainda utiliza notas em espécie como principal meio de pagamento.

No entanto, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), somente no primeiro semestre de 2018, a população brasileira economicamente ativa, movimentou R$ 720 bilhões em transações de cartão de crédito.

Este registro equivale a um crescimento de 13,6% referente ao mesmo período em 2017. Acompanhando a velocidade, porém, com um pouco menos de força, os cartões de débito movimentaram um uso de R$ 265,4 bilhões, alcançando a alta de 12,3%.

Os bancos estão se jogando neste desafio, como tem sido o caso do Santander, que vem desenvolvendo um produto com a tecnologia NFC.

Frederico Trevisan, Superintendente de Produtos e Cartões do banco, esteve presente no FS Innovation 2018, realizado pela Blueprintt, e dividiu sua experiência conosco. Confira, a seguir, os principais pontos.

Em quais barreiras o NFC está esbarrando

“A grande novidade deste tipo de tecnologia não é a tecnologia em si, afinal o método utilizado não tem como base nada de última geração, mas a grande transformação está mesmo é na cultura do dinheiro”, afirma Trevisan.

Para ele, todas as outras barreiras que se desdobrarem, de alguma maneira, estarão relacionadas à adaptação cultural, como já aconteceu com inovações deste mercado em outras épocas.

Quando o chip veio para substituir a tarja, a motivação era a segurança, já que as fraudes em pontos físicos de venda eram altíssimas.

No caso do NFC, uma das justificativas também é segurança, mas como ela se dá nos bastidores da tecnologia, sem que o cliente tenha uma ação propriamente dita, fica mais difícil de ganhar a confiança das pessoas.

“Acredito que uma das grandes promessas do NFC, que ainda pesam no firmamento da confiança por parte do cliente, é que tem que funcionar. Já pensou se deixo a minha carteira em casa e não consigo pagar a compra no mercado?”, explica.

Outra grande barreira de inserção desta novidade está ligada ao treinamento que os vendedores precisam receber e também ao aumento do número de aparelhos envolvidos no cenário.

Visando esta situação, um dos grandes passos dados pelo Santander foi colocar o NFC em máquinas atualmente utilizadas.

Assim, o estabelecimento ainda terá a opção de passar o cartão e, na mesma máquina, de pagamento por NFC.

Ninguém quer gastar mais, principalmente com algo que não demonstra lucratividade. Ou seja, para que esta ideia realmente se firme para as empresas, é preciso muito mais adaptação ao que já existe do que novas aquisições.

Será que em outros países o NFC já pegou?

“As pessoas só adotam as novidades se melhorarem o dia a dia delas”, afirma Trevisan para nos lembrar que, sendo brasileiro ou não, esta premissa não falha.

Pelo Reino Unido, é muito mais fácil identificar o uso do NFC, isto porque eles já utilizam cartões contactless há muito tempo, onde, ao invés de inserir o chip na máquina, o cartão é reconhecido ao ser aproximado dela.

E, apesar de algumas pesquisas apontarem que, aproximadamente, 32% da população europeia preferem o NFC, ainda sim o cartão de chip é o favorito. E olha que consideram dois sistemas tão seguros quanto.

Partindo para as motivações da parcela de pessoas que gostam do meio de pagamento por aproximação, temos como vantagens apontadas:

  • Velocidade nas transações;
  • Conveniência de não precisar sacar nenhuma quantia;
  • Opção mais segura do que o dinheiro em espécie.

Então, por que, de fato, os britânicos não acham o NFC melhor para tudo?

Pelo limite de valor para transações, já que por lá não pode passa de 50 pounds.

Uso da tecnologia de forma inteligente

Migrar estas transações para dentro dos celulares é um dos grandes benefícios almejados no NFC, onde até já podemos ver movimentações, inclusive de empresas da área de tecnologia para celulares, como Apple e Samsung.

Afinal, não podemos negar que, você pode até esquecer a carteira em algum lugar, mas o celular é muito mais difícil de não levar.

Eles também têm feito algumas séries de testes com pulseiras e adesivos como provedores desta tecnologia.

“As experiências de wearables vêm para agregar funcionalidades à algo que você já tem, como o relógio ou o celular, ajudando muito na adaptação cultural da novidade”, frisa Frederico.

Uma das frases que, com certeza, muitos consumidores ainda dirão aos bancos é: isso é pra mim? Afinal, muitas pessoas imaginam o NFC como algo caro ou só para clientes Premium.

Porém, com a adaptação a celulares, por exemplo, esta realidade diminui drasticamente. Como também no caso do adesivo que tem sido testado pelo Santander, que custa em torno de R$ 30,00.

Teste do NFC em pedágios

Um case interessante do Santander com o NFC foi com a Ecovias, na estrada Carvalho Pinto, em Campos do Jordão. O tema era motociclistas.

Eles reuniram 80 motoqueiros para ir de São Paulo a Campos do Jordão utilizando um relógio com NFC e para voltar pagando em dinheiro.

“Quando você é um motoqueiro, você anda de luva, às vezes pega óleo dos carros na sua luva na estrada, dificilmente anda com moedas, para pegá-las fica extremamente mais difícil”, explica Trevisan.

Esta ação serviu para mostrar de forma clara um dos problemas que o NFC sanaria, em uma atividade cotidiana de muitos brasileiros.

Isso também reduz custos para as empresas, em relação à segurança, transporte de dinheiro, entre outros. Inclusive gerando um benefício social pela diminuição da criminalidade, já que o dinheiro em espécie circularia infinitamente menos.

Autor

Barbara Marques

Barbara é graduada em Jornalismo pela FIAM-FAAM, atua profissionalmente há cinco anos, tanto em conteúdo factual, quanto para empresas. É especialista em produções relacionadas à tecnologia, fraude, business e marketing, entre outros. Além de vasto conhecimento em cobertura de eventos, palestras e coletivas.