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O uso de biometria facial para reduzir fraudes com cartões
A biometria facial é uma parceira indispensável, principalmente para produtos e serviços mais sensíveis, como os do setor bancário

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A variação de dados faz com que muitos processos de concessão de bens e serviços virem de cabeça para baixo. Há muitas pessoas que se dedicam a burlar leis e regras, fazendo com que as empresas tenham que reinventar as suas ferramentas de segurança.

A biometria facial surgiu como uma das salvadoras dos furos da peneira antifraude das empresas, pois o rosto é um dos mais seguros e imutáveis meios de identificação do ser humano.

De acordo com uma pesquisa da Biometrics Research Group que analisou o setor de biometria em todo o mundo, 33% dele já estava voltado para face e voz. Sua utilização é ainda mais preciosa em empresas que concedem serviços ou produtos sensíveis, como seguradoras, aeroportos, segurança pública e bancos.

Falando em bancos, o post de hoje é sobre a utilização da biometria facial como fator crucial dentro do processo de análise antifraude do CBSS. Para quem não o conhece, ele foi criado por Banco do Brasil e Bradesco para a oferta de produtos em que ambos não teriam concorrência.

Quem contou mais sobre o assunto na última edição do Paytech, evento sobre o universo de pagamentos realizado pela Blueprintt, foi o Diretor de Segurança e Concessão de Crédito, Ewerton Chaves.

Confira!   

Transformação digital e segurança

Em 2012, um momento de boom no crescimento do Brasil, a transformação digital se tornou uma das maiores prioridades para os bancos e o CBSS. Tanto em relação aos cartões de crédito quanto ao crédito pessoal.

Esta transformação trouxe consigo a questão da segurança com muito mais força. “O mesmo risco que tínhamos lá atrás, de um ladrão entrar em um espaço físico, seja no banco ou na loja de crédito pessoal, hoje é igual no universo online”, explicou Chaves.

Porém, com um agravante: os grupos especializados e organizados deixam o trabalho de identificação de fraude muito mais difícil para as empresas.

Por isso, o Digio, cartão de crédito com serviço completamente digital que foi lançado pelo CBSS e levado como exemplo para o público no evento, foi um desafio.

A missão era criar mais um canal de distribuição da empresa dentro dos novos conceitos de consumo no mercado e da transformação digital, sem deixar de considerar o nível de segurança e controle de inadimplência, frente ao aumento de fraudes no universo online.

Os desafios das concessões digitais

Há um relatório da CNP Reports que diz que 83% dos consumidores do mundo todo têm medo que os seus dados digitais sejam roubados e 1/3 deles abandona processos de inserção de informações no meio da jornada por causa disso.

Este problema implica em soluções de quebras no user experience, eliminação de algumas burocracias e diminuição de etapas de cadastramento. Porém, ao mesmo tempo, este é um forte vilão para equipes de compliance e prevenção a fraudes.

Mesmo buscando maneiras mais avançadas de resolver este problema, a dica de Chaves é não deixar de lado, tanto em estratégia quanto em investimento, as soluções mais simples, como firewalls, cloud e “tokenização”.

“Pode parecer bobo, mas em meio a uma autenticação em um computador, pedir uma confirmação por SMS já pode caracterizar o bloqueio do número de um fraudador, o que é mais importante do que você imagina”, disse o especialista.

A digitalização de documentos por tipificação também é necessária. Apenas pelo simples fato de a ferramenta entender o que é frente e verso e qual é o tipo daquele documento já cria uma grande barreira contra fraudes para a empresa.

Em um futuro não muito distante, o próximo passo para o Brasil será a leitura das imagens de documentos, com o intuito de verificar padrões de dados e tirar totalmente o humano do processo.

“Aproximar-se cada vez mais da perfeição na automação não é apenas uma questão de tendência, mas também do cumprimento de normas de compliance, em que seus descumprimentos podem afetar uma empresa como um todo”, ressaltou Chaves.

Para ele, saber utilizar outras ferramentas de identificação contra fraudes também é essencial, pois não adianta tê-las e não conseguir trabalhar com os resultados.

Quando falamos em mapa de geolocalização, por exemplo, é possível colocar cercas virtuais em lugares suspeitos. No entanto, é necessário entender se uma localidade gera muita demanda por alguma suspeita ou como resultado de uma ação de marketing.

Biometria facial: last, but not least mesmo!

Por mais que o conceito do Digio seja o menos burocrático possível, ele conta com várias features de segurança para controle de fraude: “tokenização”, biometria facial, digitalização de documentos e segundo fator de autenticação.

Para as análises internas, são utilizados scores de fraude, conceitos de e-commerce (que chegaram a parecer inviáveis, a princípio, mas funcionaram) e geolocalização.

Depois de todos esses processos — somados aos mais comuns de concessão de crédito, como reputação, score e outros —, aí sim que entra a biometria facial.

“A biometria facial é muito eficiente. Porém, tem um custo. Por isso, é feita somente após rodarem todos os outros processos de validação”, explicou Chaves. Ele ainda lembrou da eficácia dela como fator de “desempate” perante os outros processos de autenticação.

Após este processo, caso ainda haja necessidade, existe uma checagem manual que, hoje, totaliza quase 60% dos pedidos. A taxa de aprovação do Digio está em cerca de 25%, mas totalizando os plásticos realmente entregues e desbloqueados, são 15%.

Recapitulando e complementando as etapas de validação do processo apresentadas, temos:

  • Score de indicações;
  • Justaposição;
  • Score de geolocalização;
  • Pré-score de crédito;
  • Score de fraude simplificado;
  • Restritivos internos;
  • Score de crédito e limites;
  • Renda presumida;
  • Score de fraude completo e restritivo;
  • Análise documental e social;
  • Biometria facial.

Atualmente, a assertividade de fraude pega só pela biometria facial no Digio está em 9,3%. Na companhia, as que passam estão com 2,57% de incidência sobre o faturamento total. Para você ter uma ideia comparativa, a média de fraudes em cartões Visa tradicionais está em torno de 13%.

Como no Digio a maioria dos pedidos e liberações são feitos digitalmente, é possível recuperar quase todas elas, totalizando uma fraude líquida de 0,3%.

Os próximos passos que o CBSS pretende dar em relação à biometria facial são a aprovação de novos serviços para quem já é cliente, como saques de dinheiro virtual, autenticação de transações de risco, compras no e-commerce do cartão, autenticação de dados cadastrais sensíveis e desbloqueio do plástico pelo aplicativo. 

O que você pensa a respeito deste tema? Compartilhe as suas impressões com a gente!

Autor

Ana Paula Rocha

Formada em jornalismo pela PUC-SP e pós-graduada em Mídias Digitais pelo Senac, Ana Paula Rocha tem mais de 10 anos de experiência com reportagens especializadas e para a internet. Atualmente, é gerente de conteúdo na Blueprintt, à frente das áreas de Serviços Financeiros, Finanças Corporativas e Serviços de RH.