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6 pontos que você deve ponderar em uma mudança de carreira
Como confiar que o gestor da empresa ou o headhunter está te oferecendo algo que realmente será bom para a sua trajetória profissional? Veja algumas dicas.

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Com frequência acompanho pessoas que recebem proposta de uma nova posição fora ou dentro da própria empresa em que já trabalha. E nem sempre é fácil decidir sobre essa mudança de carreira.

 

As dúvidas do que pesar sempre variam, mas a principal questão sempre acaba sendo: “Como confiar que o gestor da empresa ou o headhunter está me oferecendo algo que realmente será bom para mim?”.

 

Não tendo como garantir a intenção genuína ou cuidadosa de quem nos oferece um novo desafio, ninguém melhor do que cada um de nós para a análise e escolha do caminho a seguir. Os riscos e ganhos que estamos dispostos a assumir.

 

O que ponderar nessas situações? A promoção, o aumento de salário, os benefícios, o cargo, a reputação, a influência, os novos papéis, o aprendizado?

 

É muito particular de cada um o valor de cada uma dessas respostas. Mas trago hoje nesse artigo 6 pontos que acho fundamentais.

 

  1. Nova liderança

 

Para quem vou trabalhar, quem será meu chefe, qual seu estilo de liderança, o que ele valoriza, qual o tempo dele na empresa, que missão recebeu?

 

O feedback das pessoas que trabalham com ele (com o filtro de que cada pessoa se ajusta de um jeito a um perfil), e como ele atua no desenvolvimento do time.

 

Se quando nos demitimos de uma empresa, nos demitimos muitas vezes do chefe, ele é uma peça fundamental de afinidade e encaixe, pois ele será o responsável pela gestão do nosso desempenho e crescimento.

 

Se temos “apenas” um chefe, essa gestão estará totalmente concentrada na mão de uma pessoa, para o bem e para o mal. Se, em uma estrutura matricial, temos vários chefes, vários perfis diferentes para atender e se ajustar.

 

Algo parecido com atravessar e se esquivar daqueles sensores de barreira a laser sem tocar o alarme como vemos nos filmes de ação.

 

  1. Nova equipe

 

Com quem vou trabalhar, quem serão meus pares ou a minha equipe, que perfis me complementam ou me desafiam nessa mudança.

 

Quantas pessoas de alta performance não se ajustam aos pares pela falta de visão da cultura interna ser muito diferente da que lhe foi relatada na contratação.

 

Já acompanhei líder que assumiu uma área com uma grande missão de elevar a barra de performance e depois ser visto na organização como “exterminador do futuro” e um trabalho árduo de resgate de imagem, nem sempre com o apoio esperado de quem o contratou ou o promoveu.

 

  1. Habilidades

 

Que forças e talentos eu tenho que serão bem aproveitadas nessa nova posição. Algum calcanhar de Aquiles meu ficará exposto, que tornará a mudança mais desafiadora?

 

Todos temos oportunidades de desenvolvimento, mas assumir uma posição que me deixa vulnerável aumenta os riscos de insucesso.

 

Um trabalho que me faça interagir muito com outros países, por exemplo, sem ter bom domínio de outro idioma me trará uma ansiedade diária ou até bloqueio na comunicação, e consequentemente na minha performance.

 

Por isso, a importância de se conhecer e se desenvolver para novas e diferentes oportunidades.

 

 

  1. Experiências

 

Como essa experiência complementa a minha trajetória profissional, onde já estou e no mercado? Será que me leva a trilhar um caminho totalmente diferente e consequentemente uma maior curva de aprendizado?

 

Se eu já fui de área técnica e agora assumo uma posição comercial, vou ser um profissional diferenciado no mercado depois.

 

Se me mantenho sempre no mesmo setor, sou um profissional valioso para o segmento, mas limito o meu leque de atuação e fico refém dele.

 

Se mudo totalmente de segmento, como aprender rápido e não perder as conexões com o mercado que eu conhecia?

 

Sair da zona de conforto é como começar um novo exercício físico. No começo você fica dolorido no dia seguinte, depois vai condicionando o seu corpo. Mas exagerar nessa esticada pode trazer alguma fratura e deixar de molho um tempo…

 

Expandir o seu papel ampliando o seu escopo, aceitar projetos especiais, um trabalho em um novo setor, mas em movimento lateral inicial para depois o vertical representa uma gestão de risco calculado.

 

  1. Reconhecimento

 

Como serei reconhecido ou recompensado por isso? Perco no curto prazo e ganho no longo prazo, acelero no curto prazo, mas corro mais riscos?

 

Algumas vezes o nosso olho brilha pelos cifrões que vamos acrescentar, sem colocar na balança o custo emocional, em dedicação, em responsabilidade adicional do que vamos assumir.

 

Ou vamos seduzidos pela oferta financeira sem ponderar o próximo passo que posso dar naquela empresa, ou no pacote de benefícios que deixamos pra trás.

 

  1. Profissional x Pessoal

 

Qual o impacto dessa mudança para a minha vida familiar e pessoal?

 

Cada vez mais nos damos conta de que, no final do dia, a família, qualquer que seja o seu modelo, que espera por nós é quem nos apoiará na alegria e na tristeza, e nos energizará para retomarmos todos os dias a rotina.

 

Envolvê-los na análise e avaliar como serão afetados tem sido um ponto essencial na vida dos profissionais.

 

Me lembra o caso de um profissional de alto potencial na organização e que recusou  várias vezes, o convite para trabalhar fora do País, o sonho de muitos colegas, pelo cuidado em manter a esposa com sérios problemas de saúde perto da família e dos seus médicos.

 

Causou muita surpresa sua recusa, mas, sendo um grande talento, ele continuou crescendo no próprio País. E casado.

 

Em qualquer dessas situações, ser o protagonista, ponderar os prós e contras, o que mais valorizamos naquele momento da vida, sempre traz uma oportunidade de refletir sobre quem somos e o que queremos, o que nos motiva. Nos empodera e nos engrandece.

 

Por fim, qual o significado do trabalho a ser feito, que sentido as atividades desse novo desafio trazem para mim? Ou como essa nova posição conversa com o meu propósito de vida?

 

Lembrando Aristóteles: “Onde meus talentos e paixões encontram as necessidades do mundo, lá está meu caminho, meu lugar.”

 

Espero ter ajudado.

 

Até o próximo artigo.

Autor

Sueli Campos

Sueli é coach de carreira e consultora em desenvolvimento humano e organizacional. Tem apoiado vários líderes e organizações a se desenvolverem, por posições ocupadas como líder de RH, interagindo com times locais, regionais e globais, com uma trajetória em Desenvolvimento de Liderança, Gestão de Talentos em ambientes de constantes mudanças e transformação. Sueli acredita no potencial de cada indivíduo de melhoria pessoal contínua.