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Mentoria reversa traz as expectativas de 3 millennials nas empresas. Veja
O modelo de trabalho está vivendo um momento de transformação e é preciso se adaptar às demandas dessa geração para continuar inovando.

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Nunca é tarde para se aproximar do novo estilo de trabalho dos millennials nas empresas e a ferramenta de mentoria reversa é uma das que pode te ajudar, e muito, a executar esta tarefa de uma maneira igualitária e muito produtiva.

Você que está lendo isso e ocupa hoje uma posição de liderança no seu trabalho. Reflita. Até que ponto se deixa realmente influenciar pela onda de inovação trazida pelos seus colaboradores de 22 a 27 anos?

Talvez você tenha estagiários, trainees e assistentes, mas eles estão o tempo todo fazendo tarefas administrativas, repetitivas e aquelas que ninguém quer fazer ou você está em constante contato com eles, abrindo participações em projetos e bate-papos?

Na mentoria reversa, ambos os lados falam, realmente interiorizam as ideias apresentadas e, dali em diante, tentam transformar suas realidades para um ambiente de trabalho mais leve, igual e de desenvolvimento para todos.

E, para momentos de transformação, nada melhor do que algumas dicas. Melhor ainda é quando as elas vêm dos agentes da transformação, os jovens.

Por isso, vamos dividir hoje com vocês, um pouco do que falaram os três participantes de um importante painel que aconteceu no Contalento 2018, evento da área de Recursos Humanos realizado pela Blueprintt.

Sofia Esteves, Presidente do conselho do grupo Cia de Talentos, mediou o painel entre Juliana, até então Costumer Insight na Nestlé, Kalil, que ocupava o cargo de representante internacional da Brasil Juniores, e Saulo, na época, Coordenador de Suportes de Operações na Brasil Juniores.

Todos tinham menos de 23 anos e as suas ideias sobre a contratação de millennials nas empresas surpreenderam o público do evento. Confira, a seguir, como foi este bate-papo.

As empresas e os jovens em constante transformação

Para esquentar o papo do painel, a primeira questão que a Sofia levantou para discussão foi a transformação do mundo, não só das empresas.

Robôs, profissões aparecendo e outras sumindo são algumas dúvidas que não param de rodear a cabeça do mercado.

E, mesmo que para muitos pareçam uma ameaça, para os millenials a inovação e novas formas de trabalho abriram um caminho sem volta nos processos seletivos.

Agora, eles também selecionam estas empresas. Quanto menos o ambiente e cultura empresarial daquela instituição for equilibrado, mais pontos ela perde na escolha dos novos talentos.

“De todas as empresas que eu quis trabalhar, um dos fatores que sempre foi mais determinante para a minha escolha foi a qualidade das lideranças. Eu sempre buscava algum líder no ambiente em quem eu pudesse focar a minha transformação”, frisa Saulo.

Isso nos faz perceber que esta escolha não é só no momento da entrevista, mas também após a entrada dos millennials nas empresas.

Caso alguns requisitos mínimos de vivência daquele jovem fujam demais ao equilibrado, não duvide: ele vai embora.

Mudança na liderança e nas empresas

Entre as opiniões dos participantes, os traços que definem um bom líder também se enquadram em: ser uma pessoa que “cresce” muito rápido, que aprende muito rápido e que consiga mobilizar as pessoas da sua equipe, através de um propósito muito claro.

“Ainda há muitas empresas que pregam iniciativas mais descoladas do passado em sua missão, visão e valores, porém, na prática, ainda se negam à esta transformação”, lembra Kalil, como algo que ainda acontece muito hoje no mercado.

Outro paradigma ainda presente no mercado é o quão técnico os líderes são. Claro, é imprescindível que eles sejam, mas vale o alerta levantado no painel: não adianta um gestor ser extremamente técnico e entender de ponta aponta os projetos, se não saber gerir a equipe e unir as pessoas.

Agora, olhando um pouco pela ótica das equipes de Recursos Humanos, vamos nos aproximando da desejada balança.

Há um grande estigma entre as partes, os candidatos e o RH, sobre os millennials nas empresas também terem que se encaixar a algumas regras das empresas, mesmo que sejam mais antigas. Afinal, a liberdade existe, mas as regras e a responsabilidade também.

Entre os comentários de Juliana, Saulo e Kalil, não houve dúvidas, os jovens também precisam se adaptar a algumas questões dos modelos atuais que as empresas seguem. Porém, eles lembram que a velocidade deve ser um ponto crucial para as empresas.

“É nítido o quanto as startups vêm crescendo, justamente porque têm gestões e decisões mais maleáveis, equipes de decisão mais enxutas. Não tem como fecharmos os olhos para isso” salienta Kalil.

Recrutamento e seleção de millennials nas empresas

Uma questão que sempre está em alta em eventos, reuniões e no dia a dia dos RHs é sobre como atrair millennials nas empresas. Uma das grandes ferramentas levantadas neste bate-papo foi a importância da comunicação com as universidades.

Afinal, quando o jovem ainda está estudando, geralmente, não há um grande entendimento sobre onde procurar pelas melhores vagas, então são as instituições de ensino que acabam criando canais para que eles consigam ter acesso a isso.

Nesse sentido, uma ferramenta de atração são as feiras de talentos. Para Kalil, os modelos destes eventos precisam mudar para ontem.

“Para esta nova geração é muito difícil ‘escolher’ uma empresa por uma parada em um estande, uma conversa de 10 minutos e uma caneta”, comenta o jovem, rindo da situação de sempre sair com dezenas de canetas destes eventos.

Para ele, quando as empresas proporcionam alguma mentoria ou workshops, levando conteúdo realmente relevante para mostrar o que é a companhia para o público, ele se sente muito mais atraído.

Atraiu? Bom, agora então é a hora da triagem e da entrevista. E, na entrevista, para Sofia, acontece algo muito perigoso que vale ressaltar, sendo o candidato millenial ou não: a ilusão do conto de fadas.

Neste cenário, ambas as partes tentam se fazer parecer príncipes e princesas, perfeitos, e, no primeiro dia de trabalho, os dois viram sapos.

Fora o fato de alguns dos processos também serem repelidos pelos participantes por terem testes e provas mirabolantes e estressantes demais.

Para Kalil, o processo seletivo ideal teria uma primeira fase voltada para perfil e cultura e uma segunda etapa com a apresentação de um problema da companhia para que o grupo (ou o indivíduo) encontre uma resolução.

Isso, claro, com todas as ferramentas necessárias disponibilizadas pela empresa, se aproximando ao dia a dia que o candidato levaria.

Para fechar o tema, claro que não poderíamos deixar de falar dos Trainees. A decisão sobre quais áreas precisam de um programa de Trainee nas empresas, quase sempre é muito delicada.

“Quantas vezes já vi profissionais de RH abrirem programas de Trainee para todas as áreas da empesa e, ao perguntar para ela o porquê, ouvir um ‘ah é porque o dono pediu’ ou ‘porque o filho do dono (que está em uma idade Millenial) quer’ e aí então se perde todo o planejamento em torno disso”, frisa Sofia.

Ela complementa que, áreas com programas de Trainee devem ser aquelas com gaps de sucessão.

Se um Trainee chegar em um departamento e ver que tem cinco pessoas acima dele, para quem ele precisa responder, e que vai precisar ter 30 anos de experiência para chegar a ocupar um lugar similar, tenha certeza que ele vai embora.

Objetivos e equilíbrios em cheque

Um dos momentos de maior comoção do painel, aonde Kalil foi aplaudido, se deu ao responder a seguinte pergunta:

O que você acha sobre esta gana dos millennials nas empresas, que ocupam as vagas de Trainee e Estágio, de ocupar uma posição de chefia em tempo recorde?

Afinal, nem sempre as empresas conseguirão acompanhar a velocidade que essa geração espera.

E, então, veio a resposta de Kalil:

“Eu não penso em me tornar chefe cedo, mas sim em me tornar líder, que são duas coisas diferentes. E não líder de pessoas, eu não quero ter alguém abaixo de mim, eu quero poder ser líder dos meus projetos, líder do meu próprio trabalho e acredito que é isso que a maioria dos jovens pensam”, completa.

Junto à esta questão, que aborda todo um contexto antigo e padronizado de pensamento das empresas, também vem um paradigma levantado pela Juliana sobre a nova geração não querer e não aceitar mais ser workaholics.

Cada vez mais, os millennials nas empresas exigem das empresas um ambiente mais saudável, igual e leve, que preze a qualidade de vida de todos. Um assunto que não dá mais para ignorar.

E, para Kalil, não há melhor maneira de entender o que o jovem quer, se não falando com eles. Ponto em que se frisa, novamente, a importância dos programas de Reverse Mentoring.

“Não há melhor maneira de entender o que o jovem precisa do que conversando com ele, abrindo canais para que ele saiba e entenda o papel dele e até aonde ele pode ir e o que a empresa pode oferecer”, ressalta.

Trazendo seu problema para a nova geração

Uma participante questionou os jovens talentos se contratariam uma pessoa brilhante para um cargo, sendo que ela pediu para trabalhar apenas três vezes por semana, tocar um projeto próprio, entregá-lo de onde quiser, em horários diversos e no tempo combinado por eles.

E a resposta não poderia ser mais clara: todos disseram que sim. Para eles, o foco está nas habilidades e na entrega final, não nos meios.

Para completar, ainda citaram três conceitos que, qualquer empresa que os ofereça, consegue ter a entrega de projetos deste tipo sem grandes problemas: autonomia, propósito e domínio (liderar os seus projetos), pontos muito próximos ao estudo “Motivação 3.0”, de Daniel Pink.

“Não faz muito sentido eu ter que ficar 8 horas na frente de uma tela de computador, as vezes a maior parte do tempo não fazendo nada, porque já terminei o que eu deveria fazer, se eu poderia terminar aquela tarefa em duas horas da minha casa”, completa Kalil.

E, para completar, Saulo disse uma frase que, com certeza, todos levaram para casa para refletir: autoridade sobre os meios e responsabilidade sobre os fins.

Por fim, todo este cenário em torno dos millennials nas empresas, também gera uma “pulga atrás da orelha” que foi levantada pelos participantes do evento: o descontrole sobre o ego.

Afinal, são vistos como os inovadores, os dominadores da tecnologia e os procurados por todos.

Para ajudar na reflexão, Sofia levantou uma outra grande questão, que considera ser ainda um passo atrás ao pensar-se neste assunto.

“Até que ponto não são as próprias empresas que infantilizam e tornam imaturos demais os ambientes para estes jovens? Você, jovem, quer trabalhar dentro de uma piscina de bolinhas? Então, também é preciso parar para pensar o quão maduro tornamos o ambiente em que os inserimos”, complementa mediadora.

Qual sua opinião sobre a atuação dos millennials nas empresas?

Essa realidade é desafiadora para você? Qual solução já foi encontrada?

Compartilhe a sua opinião conosco.

Autor

Flávia Lima

Flávia Lima é jornalista pela PUC-SP e pós-graduada em Comunicação e Marketing pela ECA/USP. Possui ampla experiência como jornalista setorizada. Atualmente, é gerente de conteúdo da Blueprintt, responsável pelo planejamento de congressos corporativos nas áreas de RH Estratégico, Marketing e Tecnologia da Informação.