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3 habilidades para o líder na governança e gestão do portfólio nas organizações
O gestor precisa dominar competências analíticas e estratégicas, bem como táticas para engajar pessoas e contornar as muitas mudanças que surgem a cada ano.

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Muito se fala sobre termos como transformação digital e Indústria 4.0, o que seria a Quarta Revolução Industrial. No entanto, em um contexto corporativo mutável e inquieto, como fica o papel do líder na gestão de portfólio?

 

Entre tantos conceitos, é indiscutível perceber o quanto as mudanças no mercado e a quebra de paradigmas atingiu as empresas nos últimos anos.

 

Diante de um cenário intrincado e heterogêneo, o gestor precisa dominar competências analíticas e estratégicas, bem como táticas para engajar pessoas e contornar as muitas mudanças que surgem a cada ano.

 

Pensando nisso, neste post, vou abordar os 3 maiores desafios para o gestor atual – e as habilidades necessárias para lidar com eles – de acordo com Gino Terentim Júnior que é Consultor de Estratégias, Organização, Portfólio e Gestão de Mudanças na Caixa Econômica Federal.

 

Continue lendo e aproveite as dicas.

 

  1. Compreender – e trabalhar para mudar – a cultura organizacional

 

Para Terentim Júnior, inovar e traçar estratégias diferentes são iniciativas essenciais para se destacar atualmente. Todavia, no seu caminho, o gestor engajado com a mudança pode encontrar um obstáculo: a cultura organizacional.

 

Ele define a cultura de uma empresa como algo intangível e invisível, mas que está presente no dia a dia da instituição e que se manifesta na maneira como as pessoas reagem diante de um erro ou fracasso e como percebem as coisas.

 

Nessa linha de pensamento, o consultor traça um paralelo das decisões tomadas com base na cultura organizacional com os hábitos. Hábitos acionam áreas que não envolvem o pensamento estratégico, mas que são tarefas que se repetem automaticamente.

 

Assim, ele aponta que “são esses pequenos julgamentos ou decisões automáticas que acontecem porque estamos imersos em uma cultura – que está invisível – que podem, muitas vezes, limitar ou impedir que o gestor inove em uma era de tanta mudança, criatividade e aprendizado”.

 

Terentim Júnior ressalta que 90% das decisões em empresas acontecem abaixo da linha da consciência, enquanto apenas 10% delas são analisadas e pensadas.

 

Nesse sentido, o primeiro trabalho do líder na gestão de portfólio é se esforçar para modificar essa cultura organizacional, que na maior parte das vezes é extremamente arraigada e resiliente.

 

Dessa maneira, é possível começar a promover mudanças que vão alavancar o negócio e garantir que as ideias e tomadas de decisão sejam mais táticas e inteligentes.

 

“Mudar uma cultura é uma maratona para o novo líder, e não algo que é feito em sprints (que são treinos curtos de alta intensidade). Contudo, com um trabalho consistente, com valores sólidos e um discurso coerente com a prática é que o gestor consegue, aos poucos, melhorar e atuar com a cultura organizacional”, assinala.

 

  1. Considerar a complexidade

 

O físico Stephen Hawking afirmou que a complexidade será a ciência do século XXI. Pegando esse gancho, Terentim Júnior fala sobre o fato de um grande número de startups, especialmente as ligadas a inovação e a tecnologia, estarem morrendo hoje em dia porque foi descoberto que as soluções criadas por elas não atendem as necessidades do mercado.

 

Diante desse dado, o consultor pensa que o “x” da questão não é que as empresas estão tomando decisões ruins, mas sim sendo afetadas pela complexidade.

 

Em um exemplo divertido, ele lembra o filme americano De Volta para o Futuro 1. Na aventura, o personagem principal Marty McFly volta para o passado e acaba conhecendo seus pais na época em que nem eram namorados.

 

Sua presença atrapalha os fatos passados, a ponto de fazer com que sua mãe perdesse o interesse por aquele que seria seu pai, comprometendo sua própria existência.

 

McFly traça planos e tenta de tudo para aproximar o casal e fazer com que o futuro se concretize: seu nascimento e de seus irmãos. Ao longo da trama, ele se agarra a uma foto da família completa para não se esquecer de seus objetivos.

 

“Qual empresa tem o valioso instrumento de ver o resultado efetivo de suas decisões de portfólio no futuro, como McFly tem a foto?”, questiona Terentim Júnior.

 

 

Esse é o problema, segundo ele. “Instituições e startups não conseguem acertar a necessidade de mercado não porque erram, mas porque o mundo que elas ‘fotografaram’ durante o planejamento já mudou. Assim, empresas falham nessa hora porque não tem uma relação comprovada de causa e efeito de suas ações”, diz.

 

Esses conhecimentos corroboram para o poder da complexidade do mercado e do mundo nas decisões das corporações. “Em um mundo cada vez mais disruptivo, prever os resultados de mudanças que vão de zero a 10 de uma vez em instantes é extremamente difícil”, atesta.

 

Então, para ele, “gestores de portfólio devem adaptar planos, diminuir certezas e trabalhar suas crenças. Planejar os próximos 5 ou 10 anos do negócio se torna uma tarefa continuamente mais complicada – a arriscada”.

 

Por fim, Terentim Júnior alerta para os riscos do planejamento estratégico com base em dados do histórico da empresa.

 

“Ao lidar com a complexidade, cuidado ao pensar que os dados passados podem ser cegamente utilizados como base para tomar decisões futuras. Aquela tendência que parece inquestionável, no mundo de complexidade, onde a relação de causa e efeito não é conhecida, ela pode mudar. É preciso ficar atento e alerta para os cenários e para o curto prazo, para as mensagens e sinais que o mundo apresenta”, finaliza ele.

 

Logicamente, isso não quer dizer que dados passados devam ser desprezados, mas sim usados com cautela.

 

  1. Usar indicadores e métricas relevantes para avaliar pessoas

 

Um dos desafios mais importantes para atrelar a gestão de portfólio está relacionado com a gestão de pessoas e dos ativos da empresa.

 

Nesse ponto, Terentim Júnior ressalta a necessidade de líderes monitorarem pessoas por meio de indicadores que apontam para os mesmos objetivos e direções.

 

O consultor fala sobre muitas contradições que separam equipes e enfraquecem os laços nas empresas, como medir pessoas por horas trabalhadas ou volume e cobrar por mais inovação e pensamento criativo.

 

Basicamente, são criadas métricas para avaliar pessoas que mostram caminhos diferentes daqueles que a instituição deseja como rumo ideal para o funcionário.

 

Nesse sentido, a colaboração é o segredo para garantir que todos trabalhem na mesma direção, com interesses pessoais, indicadores e estratégias devidamente alinhados.

 

“Ninguém vai aceitar seguir e alcançar a visão de sua empresa ou ajudar você a crescer se aquilo que ela receber em troca não estiver dentro do coração dela”, resume.

 

Cada gestor de portfólio tem que encontrar em suas equipes qual a missão, o valor e os valores individuais que norteiam o grupo e integrar esses desejos, visões e opiniões em uma gestão coletiva que aponte para o mesmo caminho.

 

Como você pode ver, os desafios que esperam o líder atual são muitos e, em sua maioria, impalpáveis.

 

Por isso, é importante entender que o trabalho de um gestor será justamente romper cada vez mais paradigmas e ter um desejo constante de aprender, questionar velhos hábitos, fortalecer laços com as pessoas e seus valores e, sobretudo, pensar diferente.

 

Gosto do texto sobre as habilidades do líder na gestão de portfólio?

 

Tem alguma dúvida ou sugestão?

 

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Aproveito para convidá-los para ver como a Gerdau modernizou a sua cultura conservadora em 6 passos.

Autor

Renan Oliveira

Jornalista com experiência de treze anos em comunicação e atuação em segmentos como economia, indústria, ciência, tecnologia, turismo, esporte, cultura, gastronomia e terceiro setor.