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Job Sharing: por que apostar no compartilhamento de cargos?
O compartilhamento de cargos, tarefas e atividades por mais de uma pessoa dentro de um negócio, em períodos ou turnos distintos é possível. Veja como.

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“Sem dúvidas, esse foi o melhor ano da minha vida!”. Essa frase foi uma das que a palestrante Carolina Mazziero, Diretora de Recursos Humanos da Unilever Brasil, utilizou para definir a sua perspectiva e visão sobre o programa de Job Sharing que ela ajudou a formular e implementar na multinacional. 

É justamente esse um dos principais propósitos que o conceito de Job Sharing, ou compartilhamento de trabalho, trouxe aos colaboradores de uma das companhias mais presentes e diversificadas no mercado mundial. 

Com base no bate-papo realizado em uma palestra do HR Summit 2019, onde pelos menos três representantes do setor de Recursos Humanos da Unilever tiveram a oportunidade de contar um pouco sobre como foi o processo de implementação do Job Sharing, preparamos este post completo, destacando mais sobre o conceito, sua história e, claro, algumas experiências práticas que ele proporcionou na empresa.

Vamos começar? 

Afinal, o que é Job Sharing?

O conceito de Job Sharing está relacionado, literalmente, ao compartilhamento de cargos, tarefas e atividades por mais de uma pessoa dentro de um negócio, em períodos ou turnos distintos. Por exemplo, na prática, é como você trabalhasse de segunda a quarta, enquanto outro colega o “substituísse” de quarta a sexta. 

Nisso, a dupla (ou mais pessoas) segue um sistema de planejamento, organização e comunicação para realizar as tarefas e entregar os devidos resultados. Evidentemente, para isso ser possível, algumas adaptações precisam ser implementadas nas empresas, como a criação de contas conjuntas de e-mail, números de telefone, alterações nos benefícios e até salários, entre outras. 

No entanto, todos esses fatores nem chegam perto das mudanças que o Job Sharing realmente propõe na rotina de uma empresa, como impacto no clima organizacional, no mindset das pessoas e na cultura da organização

A partir daí, podemos começar a ver o papel essencial do setor de Recursos Humanos, junto ao board das companhias, em saber como, quando e por onde começar a implementar um modelo de Job Sharing no negócio e, principalmente, se ele será ou não efetivo naquele momento.

Vamos conhecer melhor o case Unilever para entender como deu certo por lá? 

Como o Job Sharing teve início na Unilever?

Apesar da marca estar presente em 100% dos lares brasileiros e ter acabado de completar 90 anos de participação no mercado nacional, Carolina deixa claro que o primeiro caso de Job Sharing na América Latina aconteceu no México e abriu muitas portas para se debater o assunto no Brasil e em outros países latinos, que contam com relações trabalhistas mais específicas e engessadas. 

Com a última Reforma Trabalhista no Brasil, esse conceito passou, definitivamente, a estar mais presentes nas reuniões e, inclusive, facilitou a implementação do programa adotado pela Unilever. 

Outra palestrante, Liana Feracotta, também Diretora de Recursos Humanos da empresa, conta que o modelo da Unilever surgiu após uma experiência pessoal, na qual viu a necessidade de compartilhar das tarefas e atividades da colega Carolina, que estava de licença-maternidade e não queria abrir mão de seu tempo com o filho recém-nascido. 

“E se a gente trabalhasse pela metade do tempo? Seria um sonho, né?”, questionou Liana, em uma de suas conversas com Carolina nesse período. No entanto, aquilo que poderia parecer apenas uma ideia de uma rotina mais simples daria início à implementação do modelo de Job Sharing, até hoje em funcionamento na Unilever. 

O que se levou em consideração ao implementar o modelo? 

Liana conta que após viver a sua licença-maternidade e notar semelhanças na situação da sua amiga Carolina, resolveu levar o tema de Job Sharing à governança do RH da empresa, já sabendo que isso poderia trazer alguns impactos e mudanças, inclusive na estrutura física da organização. 

Depois de uma conversa com a sua chefe, a proposta foi levada até o board da empresa e estudada com toda a credibilidade e o respaldo jurídico, até, enfim, ela receber o feedback de que um modelo de Job Sharing poderia sim ser implementado e seguido pelos colaboradores. 

A partir daí, o projeto começou a ganhar forma e se baseou, principalmente, nos valores buscados pelos funcionários da empresa. Entre eles, podemos destacar os mais importantes a seguir: 

Na prática, o modelo de Job Sharing passou por diferentes processos e etapas, contou Carolina durante a palestra. Segundo ela, os primeiros desafios eram quebrar alguns paradigmas e conceitos obsoletos, mudar o mindset das pessoas e, por fim, garantir formas mais flexíveis desses profissionais lidarem com suas rotinas. 

Para isso, realizou-se pesquisas. Universitários e especialistas foram convidados para contribuírem, criou-se uma “garagem de inovação” para ideais, reduziu-se os ambientes hierárquicos e estimulou-se o trabalho home office, entre outras formas de incentivo às mudanças. 

Quais os primeiros impactos do Job Sharing nesse caso? 

Com o modelo a todo vapor, as palestrantes veem alguns resultados que o Job Sharing trouxe para as suas vidas e rotinas. Hoje, Liana e Carolina são as provas vivas de que o formato deu certo e compartilham do mesmo cargo e atividade, transformando o case da Unilever em uma referência inovadora e única no país. 

Além disso, para o lado da empresa, Carolina conta que até o ambiente físico sofreu impactos com o modelo, reduzindo 35% de seus espaços e, consequentemente, enxugando custos. Porém, ao mesmo tempo, aumentando a produtividade, satisfação e qualidade de vida de todos os participantes do programa. 

Foram essas algumas dicas e experiências compartilhadas pelas palestrantes e diretoras de Recursos Humanos da Unilever que, sem dúvidas, servem não somente de inspiração a muitas outras companhias, mas também apontam para uma das tendências mais nítidas nos profissionais atuais, que é a necessidade e o desejo de equilibrarem, cada vez mais, as vidas profissional e pessoal. 

Se quiser saber um pouco mais sobre como a área de Recursos Humanos precisa estar sempre atenta às mudanças, não deixe de conferir também o nosso próximo post e veja quais são as principais tendências para o setor, segundo Tom Haak!

Autor

Ana Paula Rocha

Formada em jornalismo pela PUC-SP e pós-graduada em Mídias Digitais pelo Senac, Ana Paula Rocha tem mais de 10 anos de experiência com reportagens especializadas e para a internet. Atualmente, é gerente de conteúdo na Blueprintt, à frente das áreas de Serviços Financeiros, Finanças Corporativas e Serviços de RH.