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Como a Unilever adotou inteligência artificial em processos trabalhistas
Com base numa árvore de decisões, a tecnologia escolhe os melhores argumentos e teses para serem utilizados nas ações, fazendo uma defesa em até 4 minutos.

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A inteligência artificial no jurídico já é realidade em muitas empresas brasileiras.

A Unilever é uma delas. Hoje a companhia possui mais de 15 mil colaboradores trabalhando somente no Brasil. Isso sem contar prestadores de serviços contratados de forma terceirizada.

Com tantos profissionais, é natural que os processos trabalhistas cheguem aos montes.

Para lidar com um volume tão grande, a multinacional contratava escritórios. No entanto, por conta da crise, surgiu o desafio de reduzir o máximo de custos possível.

Primeiramente, o setor jurídico começou a cuidar de alguns processos trabalhistas mais estratégicos internamente.

Ainda sem o uso da tecnologia, o departamento conseguiu absorver mais de 50 casos. Como a qualidade do trabalho foi mantida, a empresa resolveu internalizar mais casos. Começou um dilema…

“Queríamos internalizar mais casos, mas não dava para contratar mais advogados. Isso aumentaria nosso custo interno e a estratégia não faria mais sentido. Então, a solução foi investir em tecnologia”, comenta Paulo Campos, gerente jurídico da Unilever.

Os primeiros passos

Junto com uma legaltech – startup que desenvolvem soluções jurídicas – a Unilever desenvolveu uma plataforma web de inteligência artificial.

Com base numa árvore de decisões, a tecnologia escolhe os melhores argumentos e teses para serem utilizados nas ações trabalhistas. Ela chega a fazer uma defesa em até 4 minutos!

Mas sempre existe uma dor no começo. Assim como nós, as máquinas também precisam aprender. Isso demanda tempo e muita dedicação.

“A princípio, pegamos no nosso sistema todos os pedidos que algum dia já foram feitos contra a Unilever, desde casos de horas extras até indenização do PIS. Aí, começamos a desenvolver, manualmente, uma tese para cada caso. Esse processo levou cerca de quatro meses. Com todos esses dados, o software de inteligência aprendeu a identificar o tipo de ação e, por consequência, a escrever argumentos de defesa”, explica Campos.

Graças à inteligência artificial, o departamento jurídico da Unilever consegue fazer mais ou menos 40 defesas por mês.

É claro que o departamento não deixou tudo nas mãos da tecnologia. Os profissionais têm de ler as teses e fazer alguns ajustes quando necessário.

Até mesmo porque, invariavelmente, chegam alguns pedidos novos que nunca haviam sido feitos.

Inteligência artificial aliada à estratégia

Engana-se quem pensa que o trabalho da inteligência artificial termina na elaboração das defesas.

Como todos os processos geram dados, é possível tirar diversos insights deles. Cria-se uma cultura de aprendizado e análise de dados.

Vamos dar um exemplo para ficar mais claro. Depois de tantas ações trabalhistas, o departamento jurídico pode identificar onde estão concentrados os maiores problemas e sugerir melhorias.

“Se determinada fábrica está recebendo muitas as ações trabalhistas de prestadores de serviço de logística, sugerimos fazer ajustes nos contratos, inserir algumas cláusulas”, exemplifica o gerente jurídico da Unilever.

Nesse cenário, o departamento assume um papel extremamente estratégico. Ele identifica um grande problema no processo e apresenta soluções para que ele não vire uma bola de neve lá na frente.

Os benefícios da inteligência artificial

A empresa utiliza a inteligência artificial para gerenciar o contencioso trabalhista desde abril de 2017.

Entre os benefícios da tecnologia, podemos destacar:

  • Redução de custos;
  • Melhoria na tomadas de decisões;
  • Quase mil processos internalizados;
  • Profissionais focados apenas em atividades estratégicas;
  • Fortalecimento da imagem de empresa inovadora que a Unilever já tem;
  • Mais qualidade de vida para os profissionais que não perdem mais tempo fazendo tarefas repetitivas.

Audiência sem a presença de advogados

A inovação que o departamento jurídico da Unilever experimenta não se restringe à utilização de ferramentas de inteligência artificial.

Também tem a ver com uma nova postura, como a de não comparecer em audiências para conter custos.

Como muitas fábricas da empresa estão localizadas no interior de São Paulo, os processos trabalhistas ficam concentrados em uma vara.

Na prática, isso significa que um único juiz julga quase todos os processos.

Por isso, o departamento jurídico da Unilever conversou pessoalmente com o juiz de cada vara para explicar a nova postura.

De forma transparente, a empresa avisou que estava internalizando os casos e que não havia condições de comparecer em todas as audiências.

A empresa também fez um acompanhando com os prepostos para que eles se sintam à vontade mesmo sem a presença de um advogado.

“Com base em algumas experiências reais, percebemos que as nossas defesas têm sido mais lidas quando deixamos de comparecer nas audiências do que antes. Além de não trazer prejuízo, essa estratégia vem nos ajudando nos casos”, afirma Campos.

Reconhecimento mundial

A Unilever é uma das líderes mundiais em comercialização de produtos alimentícios, de limpeza doméstica e de cuidados pessoais, com presença em mais de 190 países.

Trata-se, também de uma empresa que valoriza muito a cultura de inovação. Tanto é assim que, anualmente, ela premia iniciativas de todos os departamentos do mundo que caminham nessa direção.

E uma das cinco que recebeu esse reconhecimento em Londres foi justamente a inteligência artificial na área jurídica brasileiro.

Autor

Bruno Maddalena

Bruno é formado em jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduado em Marketing Digital pela Escola Superior de Propaganda e Marketing, já escreveu sobre e-commerce, empreendedorismo, franquias, marketing digital, mercado imobiliário e tecnologia.