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5 estratégias para fazer a inclusão racial nas empresas
Não existe mais espaço na sociedade para instituições cujo quadro de funcionários não reflete a diversidade do mercado onde está inserida.

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O cenário de transformações no qual empresas se encontram no momento é intenso, mas, ao contrário do que muitos pensam, ele não está relacionado apenas a questões tecnológicas.

Ganham protagonismo, cada vez mais, assuntos ambientais e sociais como catalisadores da inovação e da maximização de resultados.

Nesse sentido, um aspecto que recebe destaque é a inclusão racial nas organizações, especialmente diante do contexto histórico brasileiro sobre segregação da população negra.

Não existe mais espaço na sociedade moderna para instituições cujo quadro de funcionários não reflete a diversidade do mercado e da comunidade onde está inserida.

Logo, promover ações inclusivas é uma iniciativa urgente e essencial para negócios que desejam ser mais sustentáveis e conquistar mais espaço e relevância.

Pensando nisso, a KPMG em parceria com a Faculdade Zumbi dos Palmares realizaram um estudo completo sobre essa temática, no qual abordam, entre outros pontos, quais são os desafios a serem encarados por empresas que desejam ser mais inclusivas e que ações precisam promover para garantir maior diversidade racial.

Heranças históricas e um panorama da população negra no mercado de trabalho atual

A história nos diz que o Brasil foi o último país, em 1888, a abolir a escravidão em todo o mundo. Até esse ano, o comércio transatlântico de escravos negros da África foi intenso entre os séculos XVI e XVIII.

Em 1872, uma pesquisa do senso apontou que existiam cerca de 1,5 milhão de escravos em território nacional, o equivalente a 15,24% da população.

Contudo, uma vez livre, a população negra não foi inserida no mercado de trabalho, pelo contrário: ela foi excluída e ficou à margem, sendo que a mão de obra no Brasil foi praticamente substituída por trabalhadores assalariados, sobretudo imigrantes de países como Itália e Japão.

Nesse ponto, vemos que a segregação racial é um assunto que criou raízes em nossa cultura; uma herança da escravidão que perdura até os dias de hoje.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos 205 milhões de habitantes do Brasil, 54,9% são negros, o que representa a maior população afrodescendente fora da África.

No entanto, apesar de serem tecnicamente a maioria, eles são o segmento da sociedade com menor acesso às oportunidades e serviços e os que mais vivem em situação de pobreza crônica.

A carência no acesso à educação básica e qualificação técnica, por exemplo, são grandes desafios. E toda essa situação se reflete no mercado de trabalho: mais uma vez, o IBGE pontuou que, em 2015, um trabalhador negro recebia, em média, 59,2% da remuneração de um branco.

Com o tempo, apesar de mudanças e avanços, trabalhadores negros ocupam cargos com rendimento menor e, em grande maioria, em situação de contratação informal.

 

A importância de ser uma empresa inclusiva

Empresas têm muito a ganhar com a inclusão racial. Vários estudos ressaltam o quanto a diversidade as torna mais inovadoras e potencializa o valor da marca, refletindo em um aumento no desempenho.

Assim, corporações têm a oportunidade de usar a inclusão com um ativo e agente fundamental para fomentar a renovação de toda a cultura organizacional.

Por meio da inclusão social, empresas aprendem a incorporar valores de respeito a diferentes talentos, perspectivas e comportamentos. Os gestores se tornam mais sensíveis e valorizam o individuo.

Esse processo de mudança deve ser abraçado até que a diversidade racial esteja presente em todas as instâncias da empresa de forma espontânea e faça parte da cultura organizacional.

Para isso, algumas estratégias são válidas e podem ser colocadas em prática. Confira 5 delas:

  1. Liderança engajada

A liderança precisa estar engajada no processo e reconhecer a necessidade de práticas de inclusão racial para o sucesso dessa empreitada.

O estudo da KPMG cita como exemplo uma iniciativa no qual os executivos do RH de uma empresa foram nomeados como responsáveis pela gestão da diversidade.

A ideia era justamente assegurar que esses grupos raciais tivessem mais representatividade no quadro de funcionários. O projeto foi iniciado em 2005, contando com a parceria da Faculdade Zumbi dos Palmares (UniPalmares).

  1. Papel ativo do RH na atração e retenção de talentos

Conforme comentamos, pesquisas provam que o acesso à educação de qualidade é um grande obstáculo para a população negra marginalizada. Logo, é função do RH entender esse contexto e pensar em maneiras para contornar a situação.

Uma ideia é flexibilizar competências no momento da contratação, como idioma, o que ampliaria a participação de candidatos negros em processos seletivos.

Em um momento posterior, essas habilidades seriam adicionadas em um programa de formação complementar para esses funcionários admitidos.

Da mesma forma, é preciso investir em políticas e ações para retenção e desenvolvimento desses talentos, por meio de programas de mentoria, capacitação e até mesmo treinamentos comportamentais.

Neles, temas como empatia, diversidade, história, ética e outros temas atuais como tendências, tecnologia e finanças pessoais possam ser abordados.

  1. Alinhamento da comunicação

Trabalhar de forma clara o tema da diversidade, aliado aos objetivos da empresa, é uma boa iniciativa para promover mais empatia no ambiente corporativo. Portanto, cabe revisar a linguagem usada nos treinamentos e na comunicação interna.

Outra sugestão é divulgar mais datas relativas à cidadania dos negros e direitos humanos, afim de reforçar o contexto histórico e a importância dessa temática.

  1. Grupos de apoio para inclusão racial

Uma prática recomendada é a criação de um comitê de diversidade nas empresas, de forma a iniciar e mediar atividades de inclusão racial e, assim, facilitar a implementação de um projeto de diversidade para assegurar sua eficiência.

Esses grupos são formados, em geral, por cerca de 5 pessoas, que serão responsáveis por representar pessoas em diferentes setores da instituição.

  1. Conexão com clientes, fornecedores e parceiros

Para expandir a discussão e o projeto sobre inclusão racial na empresa, envolva parceiros, como empresas terceirizadas e prestadores de serviço, fornecedores e clientes. O intuito é propagar essa cadeia de valor e reforçar o posicionamento da organização.

O sucesso das empresas não é medido apenas por lucros e números. Cada vez mais, a sociedade e os consumidores estão cobrando uma postura mais ativa das instituições sobre diversos temas ligados a cidadania, democratização, equidade de gênero e inclusão racial.

Por mais desafiadora que possa ser a tarefa de impulsionar a diversidade – especialmente porque isso exige uma mudança de postura e ponto de vista – a execução de projetos como esse é imprescindível como parte de uma exigência da coletividade moderna.

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Autor

Flávia Lima

Flávia Lima é jornalista pela PUC-SP e pós-graduada em Comunicação e Marketing pela ECA/USP. Possui ampla experiência como jornalista setorizada. Atualmente, é gerente de conteúdo da Blueprintt, responsável pelo planejamento de congressos corporativos nas áreas de RH Estratégico, Marketing e Tecnologia da Informação.