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Como o RH pode estimular a inclusão de LGBTI nas empresas
Estimular a diversidade amplia o conhecimento, a empatia e a criatividade dentro das equipes, algo que as grandes empresas têm investido.

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Mesmo com tanta luta por igualdade e representatividade, a inclusão de LGBTI ainda enfrenta muitos preconceitos, em particular no mercado de trabalho.

A sigla LGBTI engloba a população de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e intersexuais.

Em junho deste ano, o site de recrutamento Elancers realizou um estudo que aponta que 18% das empresas não contratariam o público LGBTI para cargos de chefia. Em 2015, esse número era de 38%.

O Norte é a região com mais forte preconceito: 20% de profissionais de RH afirmaram que não selecionariam alguém declarado homossexual em sua empresa, e outros 15% disseram que não admitiriam para determinados cargos.

Isso é reflexo da falta de programas de inclusão dentro das empresas, algo que o departamento de RH pode e deve trabalhar.

Para muitos especialistas e consultores do assunto, é fundamental que o tema da diversidade faça parte da agenda das empresas.

Estimular a diversidade e a inclusão de LGBTI é uma iniciativa que amplia o conhecimento, a empatia e a criatividade dentro das equipes, algo que as grandes empresas têm investido com afinco.

Um dos exemplos é o Grupo Carrefour, que possui um pilar de diversidade muito forte dentro da organização.

Veja, a seguir, como a companhia tratou do tema de inclusão de LGBTI, recrutando e capacitando transexuais.

Carrefour e a inclusão de transexuais

Tendo como crença que o olhar da diversidade oferece oportunidades para compreender melhor as pessoas com as quais a companhia interage todos os dias, o Carrefour investe, dentre outras ações, na capacitação e empregabilidade de pessoas trans.

O Carrefour ajudou na criação de uma turma para formação profissional de pessoas trans em 2015, como forma de inclusão de LGBTI na empresa.

Neste grupo, pessoas transexuais receberam um treinamento básico com a possibilidade de serem contratadas pelo Carrefour ou por outras empresas que apoiam o projeto. 

No curso é ensinado como trabalhar com atendimento ao cliente, formatam currículos para a área de varejo alimentar e fazem uma visita à organização.

Após a conclusão da capacitação, os currículos dos alunos são encaminhados ao RH de todas as empresas filiadas ao projeto e, a partir disso, cada filiada fica encarregada de chamar, conforme a necessidade.

No entanto, a companhia precisou trabalhar, ainda mais, a comunicação interna para incluir o grupo social dentro da empresa.

Novas estratégias de comunicação

Segundo a gerente de Diversidade e Responsabilidade Social no Carrefour, Karina Chaves, não seria possível contratar sem que antes a equipe interna tivesse um mínimo de contato com o tema.

O Comitê da Valorização da Diversidade, que existe desde 2013, desenhou como trabalhar a inclusão de LGBTI dentro da instituição.

A comissão contou com a contribuição de diversas áreas do Carrefour: jurídico, marketing, RH, comunicação, prevenção de risco, entre outros.

O primeiro passo para colocar em prática esse mapeamento foi treinar líderes de todas as áreas e disponibilizar materiais para os funcionários se conscientizarem.

Com isso, foi criada e distribuída a Cartilha Valorizamos a Diversidade – material interno que reúne o que é a diversidade e as boas práticas e valores da companhia.

A publicação ainda traz orientações sobre como solucionar possíveis situações de conflito em cada um dos recortes de diversidade, como gênero, raça, orientação sexual, religião, idade, estética e pessoa com deficiência.

Também foi criada a Semana da Diversidade em todas as unidades do Carrefour, onde, anualmente, é trabalhado o tema por meio de palestras, teatro, visitas guiadas e exibições de filmes sobre o tema.

Por fim, foram realizadas conversas com gerentes de lojas – locais que mais empregam pessoas transexuais -, que foram essenciais para expandir conhecimento.

Esses treinamentos envolvem também executivos, gerentes e equipes de gestão e gente, inclusive na participação e/ou criação de fóruns empresariais de promoção de direitos humanos e gestão socialmente responsável.

Dentro do tema amplo da diversidade, o Carrefour trata também de questões ligadas à diversidade dos estilo, diversidade etária, de gênero, sexual, racial, religiosa e de pessoas com algum tipo de deficiência.
 

 

Iniciativas para inclusão de LGBTI

A companhia ainda promove – juntamente com a mobilização de voluntários – diálogos e articulações com atores da sociedade civil, poder público e organizações empresariais para estimular práticas e políticas em prol da diversidade, especialmente a inclusão de LGBTI.

A empresa assumiu, junto com outras grandes empresas, os 10 compromissos oficiais com os direitos LGBTI:

1.Comprometer-se, presidência e executivos, com o respeito e com a promoção dos direitos LGBTI;

  1. Promover igualdade de oportunidades e tratamento justo às pessoas LGBTI;
  2. Promover ambiente respeitoso, seguro e saudável para as pessoas LGBTI;
  3. Sensibilizar e educar para o respeito aos direitos LGBTI;
  4. Estimular e apoiar a criação de grupos de afinidade LGBTI;
  5. Promover o respeito aos direitos LGBTI na comunicação e marketing;
  6. Promover o respeito aos direitos LGBTI no planejamento de produtos, serviços e atendimento aos clientes;
  7. Promover ações de desenvolvimento profissional de pessoas do segmento LGBTI;
  8. Promover o desenvolvimento econômico e social das pessoas LGBTI na cadeia de valor;
  9. Promover e apoiar ações em prol dos direitos LGBTI na comunidade.

Dicas para o RH das empresas

A conscientização do seu público interno é fundamental para esse processo de inclusão de LGBTI. Uma empresa inclusiva conhece o outro e acaba com preconceitos.

Dialogue com todos os funcionários e leve informações básicas e didáticas de gênero e sexualidade.

Para isso, pode ser feito um trabalho com apoio de psicólogos, organizações não-governamentais, consultorias aliado a comunicação interna;

A sua empresa também pode preparar treinamento ou procurar entidades que já fazem esse trabalho de desenvolvimento de profissionais LGBTI, como transexuais.

Sendo um dos países que mais mata pessoas trans, as oportunidades de estudo e de desenvolvimento profissional também são mais baixas.

Dessa forma, para solucionar esse problema, pode ser feito um trabalho de base dando oportunidades de ensino específicas para essas pessoas.

A última dica é dar espaço. Além de não praticar a exclusão, deixando claro na seleção de profissionais que sua empresa aceita profissionais diversos, é importante inserir esses profissionais na empresa.

No Carrefour, por exemplo, as pessoas trans podem se candidatar a todas as vagas disponibilizadas pelos processos seletivos regulares disponíveis nas células de seleção e lojas da rede espalhadas pelo Brasil.

Atualmente, mais de 30 colaboradores trans trabalham em lojas da rede pelo Brasil, atuando nas lojas da rede em diversas funções, como, por exemplo, frente de caixa, patinadoras, auxiliar de padaria, auxiliar de setor de eletroeletrônicos, dentre outras.

Gostou do case de inclusão de LGBTI do Carrefour?

A empresa é um dos palestrantes do Congresso de Diversidade e Inclusão Corporativa (CDIC), promovido pela Blueprintt em janeiro.

Participe do evento e saiba como, na prática, promover a diversidade e inclusão para pessoas, o negócio e a sociedade. Clique aqui e saiba mais.

Também preparamos um guia sobre como implantar e avançar os programas de diversidade nas empresas.

 

Autor

Flávia Lima

Flávia Lima é jornalista pela PUC-SP e pós-graduada em Comunicação e Marketing pela ECA/USP. Possui ampla experiência como jornalista setorizada. Atualmente, é gerente de conteúdo da Blueprintt, responsável pelo planejamento de congressos corporativos nas áreas de RH Estratégico, Marketing e Tecnologia da Informação.