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Liderança feminina nas empresas: estudos mostram a importância econômica da diversidade
No ritmo atual, serão necessários 217 anos para alcançar a igualdade de gênero - e isso é uma má notícia para a economia. Saiba por quê.

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A liderança feminina nos negócios é fundamental para gerar oportunidades econômicas significativas e impulsionar benefícios mais amplos e de longo prazo para a sociedade e o meio ambiente.

É o que aponta o relatório de mais de 70 páginas da Women Rising 2030, iniciativa lançada pela Business & Sustainable Development Commission (Comissão de Desenvolvimento Empresarial e Sustentável).

O grupo foi formado em 2016 por líderes de negócios, finanças, sociedade civil, trabalho e organizações internacionais, para criar um argumento convincente para as empresas se alinharem aos 17 Objetivos Globais de Desenvolvimento Sustentável. São eles:

  1. Erradicação da pobreza;
  2. Fome zero e agricultura sustentável;
  3. Bem estar e saúde;
  4. Educação de qualidade;
  5. Igualdade de gênero;
  6. Água potável e saneamento;
  7. Energia limpa e acessível;
  8. Trabalho decente e crescimento econômico;
  9. Indústria, inovação e infraestrutura;
  10. Redução das desigualdades;
  11. Cidades e comunidades sustentáveis;
  12. Consumo e produção responsáveis;
  13. Ação contra a mudança global do clima;
  14. Vida na água;
  15. Vida terrestre;
  16. Paz, justiça e instituições eficazes.
  17. Parcerias e meios de implementação.

Segundo o relatório “Better Leadership, Better World” (“Melhor Liderança, Melhor Mundo: mulheres que lideram as metas globais”, em português), a igualdade de gênero no local de trabalho pode ajudar a liberar mais de US$ 12 trilhões por ano e 380 milhões de empregos até 2030.

E é sobre os resultados dessa pesquisa que vamos falar neste artigo. Leia até o final.

Liderança feminina nos negócios

“Estamos em um ponto de inflexão quando se trata de igualdade no local de trabalho”, diz Marisa Drew, CEO do Departamento de Assessoria de Impacto e Finanças do Credit Suisse, mencionada no relatório.

Drew explica que o relatório fornece cases para gestores que buscam por uma liderança mais equilibrada de gênero e ainda ajuda a impulsionar esses diálogos em salas de reuniões e em qualquer local de trabalho.

Segundo ela, as empresas são extremamente beneficiadas quando todos os funcionários têm uma visão compartilhada de futuro mais justa, mais inclusiva e mais sustentável.

O relatório mostra que mulheres líderes são aceleradoras, ajudando as empresas a desbloquear esse “prêmio econômico” associado à busca dos Objetivos Globais para acabar com a fome, a pobreza e desigualdade e combater de forma contundente as alterações climáticas e a degradação dos recursos até 2030.

“As empresas que continuam a ser lideradas por homens perderão oportunidades de negócios por equipes mais equilibradas por gênero”, revela Paul Polman, CEO da Unilever e membro da comissão.

No ritmo atual, serão necessários 217 anos para alcançar a igualdade de gênero – e isso é uma má notícia para a economia e a sociedade. Nós da Unilever entendemos a importância da liderança e dos investimentos equilibrados em gênero em nossas cadeias de valor”, sentencia.

Competências de uma liderança de negócios sustentável

O relatório identifica seis competências de liderança essenciais para o sucesso do desenvolvimento de oportunidades de negócios alinhadas aos Objetivos Globais:

  • Pensamento de longo prazo;
  • Inovação;
  • Colaboração;
  • Transparência;
  • Gestão ambiental;
  • Inclusão social.

O estudo ressalta ainda que as mulheres nas empresas podem desempenhar um papel fundamental na implementação dessas seis competências dentro de equipes de liderança, com mais equilíbrio de gênero.

Diversas pesquisas apoiam esse argumento, mostrando que há incentivos financeiros convincentes para as empresas alcançarem o equilíbrio de gênero em todos os níveis.

Um estudo descobriu, por exemplo, que, se as mulheres participassem da economia de forma idêntica aos homens, poderiam adicionar até US$ 28 trilhões ao PIB anual global até 2025.

Há também evidências de que empresas com mais mulheres em cargos de gerência de alto nível, particularmente nos conselhos de administração, são mais capazes de mudar o foco de seus negócios, de maximizar o lucro de curto prazo para atingir metas de crescimento de longo prazo.

Aliás, já falamos no blog sobre Como aumentar a presença de mulheres em conselhos administrativos.

A pesquisa mostra que as mulheres líderes também tendem a ser qualificadas para equilibrar os interesses de várias partes interessadas para alcançar decisões que beneficiem todas as partes.

Empresas com mais mulheres em seus conselhos são mais propensas a investir em geração de energia renovável e produtos de baixo carbono, por exemplo.

Além de destacar outras pesquisas relevantes, o relatório também apresenta entrevistas com 25 líderes seniores de diversas indústrias e também importantes organizações da sociedade civil.

Entre eles, está Cecily Joseph, vice-presidente de responsabilidade corporativa da Symantec Corporation, que acredita que a inovação tecnológica está se movendo à velocidade da luz e, ao mesmo tempo, há uma oportunidade mal aproveitada de gerar valor para os negócios e a sociedade.

“As líderes de tecnologia feminina podem aplicar seus pontos fortes únicos para capitalizar isso, criando negócios que superam a concorrência e um mundo do qual todos podemos nos orgulhar de fazer parte. Pensávamos que a liderança era algo bom de se ter, no entanto, hoje isso se tornou obrigatório”, declara.

Cenário atual

A falta de liderança das mulheres é uma questão de negócios global. As mulheres ocupam apenas 15% dos assentos no conselho em todo o mundo. Mas há sinais promissores de que os ventos estão começando a mudar.

A ONU anunciou que alcançou o equilíbrio entre os gêneros na alta administração. Ao mesmo tempo, em janeiro deste ano, a maior administradora de ativos do mundo, a BlackRock, enviou uma carta às empresas Russell 1000 com menos de duas mulheres diretores – cerca de 367 empresas.

O objetivo era que justificassem como a falta de diversidade de gêneros em seus conselhos está alinhada com sua longa de longo prazo e para relatar seus esforços para lidar com esse desequilíbrio de gênero.

“Uma mudança significativa pode acontecer”, destaca Gail Klintworth, diretora de negócios da Business Commission. “Primeiro, precisamos falar em uma linguagem que destaca consistentemente os impactos positivos para empresas individuais quando há liderança equilibrada em termos de gênero”, pontua.

“Em segundo lugar, precisamos sair da sala de eco. As empresas precisam ter um diálogo mais aberto com homens e mulheres para desafiar o status quo, e as empresas precisam priorizar essas conversas em todos os níveis”, salienta.

Este relatório é uma chamada à ação para que mais empresas integrem os 17 Objetivos Globais em suas principais estratégias de negócios, valorizem as competências de liderança essenciais para atingir as metas, construam equipes de liderança equilibradas por gênero e promovam a igualdade de gênero em suas cadeias de valor.

Há muitas lideranças femininas na sua empresa? Como essa questão é tratada?

Compartilhe conosco seu comentário.

Aliás, esse será um dos assuntos tratados no Congresso de Diversidade e Inclusão Corporativa (CDIC), promovido em janeiro pela Blueprintt. Participe!

Autor

Flávia Lima

Flávia Lima é jornalista pela PUC-SP e pós-graduada em Comunicação e Marketing pela ECA/USP. Possui ampla experiência como jornalista setorizada. Atualmente, é gerente de conteúdo da Blueprintt, responsável pelo planejamento de congressos corporativos nas áreas de RH Estratégico, Marketing e Tecnologia da Informação.