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Precisamos falar sobre humanização da gestão de pessoas
Hoje muitas vezes passamos mais tempo discutindo indicadores e processos do que falando sobre pessoas e relações humanas.

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Imagino que a essa altura você já deve ter percebido que o tema humanização está aparecendo de forma cada vez mais frequente no nosso dia a dia.

Humanização no atendimento, humanização hospitalar, marketing humanizado, tecnologia humanizada…

Enfim, parece que a sociedade está cada dia mais consciente da necessidade de resgatar tudo aquilo que nos torna humanos e que muitas vezes acabamos deixando em segundo plano na tentativa de garantir relações e comportamentos eficientes, mensuráveis, previsíveis e controláveis.

Neste contexto, tenho a impressão de que em muitas empresas são tímidos ainda os avanços nos processos e modelos de gestão de pessoas, que constituem justamente os catalisadores de relacionamentos e aprendizados para desenvolver pessoas, organização e sociedade.

Em busca de uma cultura de meritocracia e imparcialidade, estes processos e modelos foram continuamente refinados e detalhados com a maior precisão e sofisticação possível.

Hoje, muitas vezes, passamos mais tempo discutindo “réguas”, indicadores, notas, quadrantes, grades de treinamento, politicas, técnicas e ferramentas de desenvolvimento de pessoas, do que, de fato, discutindo aquilo que deu origem a isso tudo: as pessoas e as relações humanas.

Ao ponto de muitas vezes nos pegarmos pensando em como elaborar cursos, dicas e técnicas de feedback, por exemplo, e nos esquecendo de pensar em como fomentar diálogos construtivos e de aprendizados entre as pessoas.

A forma passou a ganhar maior relevância do que o conteúdo. A técnica se sobressaiu ao propósito.

Recursos Humanos

Essa confusão daquilo que é o foco real da nossa atuação pode nos afastar de contribuições mais efetivas para as transformações organizacionais.

Por estas e outras necessidades, vemos uma demanda crescente para que Recursos Humanos repense sua forma de lidar com o tema gestão de pessoas.

Entendo ser um movimento imprescindível para uma realidade em que a cada dia damos mais valor à individualidade, diversidade e à qualidade das relações humanas e buscamos fazer parte de transformações mais significativas do que o simples alcance de resultados superiores ou crescimento profissional.

Penso que este movimento pode estar tímido ainda, pois transcende uma revisão de técnicas e conceitos. É um movimento que exige uma ressignificação do propósito de “desenvolver pessoas”.

Exige de nós, profissionais de RH, um mindset que conceba um modelo de gestão de pessoas que expande ao invés de estreitar, que dê o espaço que o potencial humano precisa para arriscar, aprender, errar, tentar e, assim, se realizar.

Regras, avaliações, quadrantes, ranking, indicadores e padronização de comportamentos podem dar referência, método e um caminho para percorrer com maior segurança, mas o caminho sempre será o “meio” e não o “fim”.

Porém, na medida em que este caminho é tratado como uma finalidade por si só e que “tem que” ser cumprida, acaba-se por estreitar a jornada do desenvolvimento, restringindo-a à uma trilha da qual você não pode se desviar.

Ainda que encontre uma forma mais efetiva e que faça mais sentido para você e para as pessoas ao seu redor de realizar esta jornada de desenvolvimento mútuo, é comum ouvir que você:

  • “Tem que” cumprir os prazos de avaliação anual;
  • “Tem que” cumprir a grade de capacitação;
  • “Tem que” dar notas e evidências “objetivas” para comportamentos (como se isso fosse possível);
  • “Tem que” fazer o ritual do feedback dentro das orientações que foram dadas;
  • “Tem que” desenhar um PDI anual e cumpri-lo.

Tornando nesta jornada o cumprimento da trilha (forma e técnica) mais relevante do que o destino em si (conteúdo e propósito).

 

Humanização da gestão de pessoas

Não tenho uma fórmula mágica ou uma resposta pronta de como podemos reconstruir este mindset, que levou anos para se consolidar e fez muito sentido durante muito tempo.

Mas humanizar significa acolher, se conectar, respeitar, entender o outro e entender que cada “outro” é um ser único.

As pessoas são diversas e tem diferentes formas de aprender e de se engajar, de interpretar as informações, de se comunicar e de gerar sentido pessoal. Portanto, talvez não exista mesmo uma fórmula mágica para resolver questões de natureza intrinsecamente humana.

No entanto, sei que vivencio há muito tempo o esforço e dificuldade constante dos RHs para engajar os lideres e colaboradores a andar nesta trilha, a participar de treinamentos, a realizar avaliações e comitês de carreira de maneira “objetiva” e imparcial dentro dos prazos pré-estabelecidos, a fazer o PDI e cumprir as regras e políticas de gestão de pessoas.

Vivencio também nestas situações, nós profissionais de RH, concluindo que o problema está na falta de engajamento destes líderes e colaboradores, que não valorizam ou priorizam o tema “desenvolvimento de pessoas”.

E o fato de essas queixas existirem há tanto tempo e serem compartilhadas entre empresas dos mais diversos segmentos e culturas, me faz pensar se não devemos considerar que a origem deste problema pode estar do lado de cá.

Talvez este fenômeno recorrente pode ser um importante indicador do quanto o nosso modelo de atuação como RH é que precisa ser repensado.

Não estou falando de abolir todos estes processos de gestão de pessoas. Mas talvez investir mais tempo fortalecendo princípios norteadores de propósitos claros, dialogando qualitativamente sobre pessoas, fomentando relacionamentos genuínos e positivos, valorizando uma comunicação mais empática e propondo guides inspiradores que expandem.

Esses guides devem mostrar o destino e os valores morais e culturais que devem ser compartilhados para se chegar lá. E, ainda assim, permitir que você protagonize, escolha, tente, erre, inove e amplie a sua jornada.

Seja caminhando na trilha pré-definida, seja velejando, planando, explorando novos caminhos, se perdendo na trilha e se encontrando novamente ou mergulhando em novos horizontes.

Enfim, expandindo as possibilidades e todo o seu potencial humano de criação e de aprendizado contínuo.

Saiba mais sobre essas e outras transformações que estão redesenhando o RH e criando um novo modelo de trabalho:

Autor

Ayumi Larissa

Psicóloga, pós-graduada em Administração de Empresas e há mais de 10 anos conduz projetos de Desenvolvimento Organizacional e Educação Corporativa. Atuou nos setores de Tecnologia, Construção Civil, Consultoria e Óleo e Gás e Aviação.