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Gestão hospitalar: 3 dicas para enfrentar crises financeiras
Ter processos refinados é um passo importante, mas não a chave para o sucesso. Saiba como alcançar a saúde financeira em hospitais e operadoras.

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Como uma gestão hospitalar eficiente ajuda a enfrentar crises financeiras?

Em 2016, muitos hospitais e operadoras tiveram que lidar com o cenário de crise econômica do Brasil. Segundo uma pesquisa feita pela Agência Nacional de Saúde (ANS), no ano anterior, 1,3 milhão de brasileiros não tinham mais assistência médica particular, contabilizando, apenas no primeiro trimestre, 617 mil pessoas.

A maior taxa de queda estava entre os grupos que têm o benefício por meio de empresas. No mesmo período, foram fechados mais de 2 milhões de postos de trabalho, o que, além de registrar a baixa nos contratos empresariais, mostra a diminuição de poder aquisitivo dos cidadãos para a contratação do serviço.

Além de outros fatos, como baixa no crescimento do PIB e alta inflação, este período foi um grande choque para a área da saúde, que ainda se recupera. Porém, um grande erro é não se atentar ao fato de que crises financeiras podem voltar a acontecer e vir de dentro para fora.

Por isso, olhar para dentro e rever alguns processos de gestão hospitalar nunca foi tão vital.

E é para dar algumas dicas sobre o assunto que dividiremos com você o que o Gerente Financeiro do Hospital Oswaldo Cruz, Deyvison Silva, conversou com o público presente no Health Costs Summit 2018, evento realizado pela Blueprintt.

Confira agora mesmo!

1. Analise tanto o cenário externo quanto o interno

Já parou para pensar o quanto de fato os responsáveis pela gestão hospitalar analisam onde estão as ineficiências e como melhorá-las?

“Não dá para se vender como uma empresa tecnológica e não ter tecnologia, por exemplo. É preciso parar de contribuir para a ineficiência do sistema. Isso gera retrabalho e retrabalho é custo”, salienta Silva.

Ter processos refinados é um importante passo, buscado e praticado por muitas empresas da área da saúde, mas não são a “chave para o sucesso”. Segundo o gerente, a gestão hospitalar precisa estar em constante evolução.

Durante muitos anos, os ajustes das operadoras de saúde foram maiores que a inflação. Consequentemente, o que elas ofereciam aos hospitais também seguia o mesmo patamar, o que gerou um certo crescimento.

Porém, isso não é mais uma realidade. No último trimestre de 2017, houve um declínio que assustou toda a indústria. No Hospital Oswaldo Cruz, por exemplo, o lucro diminuiu, mas o volume de atendimento foi quase o mesmo. Ou seja, o ticket médio foi o maior ponto de divergência nos últimos anos, o que muitos hospitais não se dão conta.

O mercado de saúde decresce em relação à sociedade. Há uma massa de 13 milhões de desempregados, o que gera uma demanda muito grande de downgrades de planos ou pedidos de coparticipação aos colaboradores das empresas.

Com isso, houve um considerável aumento do preço de materiais médicos, além da pouca confiança das operadoras de saúde e dos próprios pacientes nos hospitais, pela falta de transparência de valores e procedimentos extras.

Por estas e outras, o cenário interno e externo nas crises são tão importantes e precisam ser vistos em conjunto.

2. Mantenha o equilíbrio e transparência dos processos

“Oferecer uma boa porta de entrada aos seus pacientes é um ótimo negócio, mas não pode ser o seu cartão de visitas. Tem paciente que entra com uma unha encravada e sai com um transplante de medula. Isso faz com que ele pense: vou entrar naquele hospital e qual vai ser a minha conta final?”. Este ponto levantado por Silva vale tanto para o paciente quanto para as operadoras de saúde em relação à queda de confiança nos serviços prestados.

Quanto mais os hospitais melhorarem a transparência e o equilíbrio de gastos, durante toda a passagem do paciente pelo hospital, mais rapidamente o cenário de desconfiança se dissipa.

Este é, inclusive, um dos principais pontos de autoconhecimento dos hospitais: olhar para o cenário interior, ação que, de mãos dadas com as operadoras, faz com que o serviço se torne cada vez mais equilibrado e lucrativo.

A remuneração médica inadequada também é um dos grandes pontos de desequilíbrio da gestão hospitalar. Em linhas gerais, as auditorias de prontuários e contas cuidam mais da relação hospital/operadora do que da interação médico/hospital/operadora.

Por isso, divergências de contrato entre hospital e médico começam a se multiplicar, já que também há outro processo combinado entre os hospitais e as operadoras.

Então, se surge algum procedimento extra para ser pago ao médico, porque ele fez por decisão própria, mas não tem cobertura da operadora, as contas não batem. Ao mesmo tempo, ele precisa receber.

Por isso, vale lembrar que uma repaginação nos planos de remuneração médica por parte dos responsáveis pela gestão hospitalar pode estancar grandes buracos em crises financeiras ou evitar que elas aconteçam.

3. Inove na gestão hospitalar

Alguns modelos de gestão financeira aplicados no Hospital Oswaldo Cruz hoje são: preços fixos para 381 procedimentos; cobertura de todos os riscos intra, pré e pós-operatório até 30 dias; procedimentos baseados em protocolos clínicos; e aproximação entre os corpos clínico e cirúrgico.

Além disso, um dos grandes objetivos da gestão hospitalar é não ter mais pronto-atendimento, somente tratamentos eletivos. Assim, é possível ter um histórico mais sólido de cada paciente.

“Não basta entregar o que as operadoras querem, que, no caso, é transparência e previsibilidade dos valores. É preciso ter competitividade”, ressalta Silva.

No caso do Hospital Oswaldo Cruz, as duas primeiras iniciativas em relação ao tema já foram citadas: 381 opções especialidades e pacotes (antes eram apenas 90) e uma nova base de precificação, a partir da análise da concorrência.

Também foi preciso chegar em um ponto não existe queda de padrão ao expandir o raio de atendimento. Para Silva, não dá para descartar a ideia de expansão de classe quando se avalia o custo fixo, o variável e a receita. Se esta conta fechar, está tudo certo.

Há empresas que vivem de margem de custo fixo ou variável. É preciso haver esta flexibilidade. A receita tem um teto — não é possível cobrar mais do que ele —, então a melhora da eficiência do serviço e a aplicação de novas tecnologias são as melhores saídas.

Inovar no que parece básico também é uma ótima ferramenta para evitar ou sair de crises. A gestão para a aplicação de protocolos médicos é uma delas, por exemplo.

O Excel aceita tudo o que você quiser colocar nele. Porém, ao final do dia, os médicos são parceiros mesmo? Estão dispostos a fazer tudo corretamente para o crescimento da empresa? Muitos deles não gostam de seguir determinadas rotinas e isso pode ser muito prejudicial para a gestão hospitalar.

Pensando nisso, também deve haver um SLA de parâmetro para os médicos, para entender se são realmente lucrativos para a instituição. Avaliar somente o crachá no final do dia não adianta nada para o controle dos parâmetros; profissionais de saúde têm que trazer resultados não só currículo.

Você trabalha com gestão hospitalar? Deixe seu comentário abaixo.

Autor

Barbara Marques

Barbara é graduada em Jornalismo pela FIAM-FAAM, atua profissionalmente há cinco anos, tanto em conteúdo factual, quanto para empresas. É especialista em produções relacionadas à tecnologia, fraude, business e marketing, entre outros. Além de vasto conhecimento em cobertura de eventos, palestras e coletivas.