Blog

Insights de gestão para você antecipar, assimilar e solucionar os seus desafios de negócio

Como fazer a gestão de portfólio alinhada à estratégia corporativa
De forma planejada, o PMO da Cargill está dentro da área financeira. Veja qual o objetivo desse profissional na companhia.

Conecte-se

[addthis tool=addthis_horizontal_follow_toolbox]

Em uma simples pesquisa no Google, podemos ver que a definição de PMO é voltada para a gestão de portfólio de projetos. Certo. E são nesses momentos que acontecem as armadilhas de se olhar para uma função de forma generalizada. Afinal, um gestor de projetos se encaixa mesmo em uma visão extremamente macro vista há metros de distância do chão.

Um primeiro passo para nos aproximarmos do assunto é entender também dentro de quais áreas este profissional pode estar. É muito comum vê-los em parceria com equipes de TI, afinal são áreas que fragmentam muito seus projetos e precisam de um acompanhamento dedicado para que tudo dê certo.

Mas este profissional também pode estar dentro da área financeira, assim como William Ramos, especialista desta área que ocupa a posição na Cargill, gigante da indústria alimentícia que está há mais de 100 anos no mercado.

Talvez você pense: mas, estando na área financeira, o olhar do PMO não se torna limitado apenas ao faturamento do projeto?

É aí que está a grande sacada da Cargill, que conseguiu extrair de uma visão aparentemente limitada, a possibilidade de enxergar a lucratividade, ou a falta dela, como ferramenta para melhorias e ajustes mais finos em projetos.

O compromisso com a estratégia

“Na Cargill a missão do PMO é mais do que gerir e controlar projetos, mas também garantir a sustentabilidade do portfólio de inovação e também seu poder de disrupção”, frisa Ramos, que também lembra o quanto é indispensável que no dia a dia desta gestão o alinhamento com as estratégias da empresa sempre esteja afinado.

Aqui vai um exemplo. Pense em um projeto que foi estruturado para render no ano fiscal 70% a mais no faturamento na área de inovação e 30% nos produtos de linha “A”. E então, ao final do período, o faturamento foi alcançado, porém em 70% para os produtos linha “A” e 30% em inovação.

Ou seja, por mais que as previsões numéricas tenham sido alcançadas, a estratégia da empresa em alavancar a área de inovação, por exemplo, foi por água abaixo.

E já que estamos falando em divisão de projetos, vamos entender como isso funciona dentro do planejamento estratégico da Cargill.

As divisões de projetos da Cargill

Na Cargill, há três grandes divisões para projetos: Inovação, Fusões e Aquisições e Aumento de Capacidade de Produção. Dentro delas, vão se abrindo ramificações para estratégias de canal e de categorias.

Se caso o ponto do momento seja “queremos ser líderes na área de produtos para frituras”, então este direcionamento vai ser fragmentado entre as áreas que estão à frente destes produtos e assim então começar as avaliações: temos o melhor preço? A melhor performance?

Quanto ao formato de visão destes projetos, para Ramos, o que gera melhor aderência é o funil. Nele é possível verificar em quais níveis estão cada etapa de cada projeto e, além de acompanhar as demandas corriqueiras e de curto prazo, também verificar se não há projetos demais em períodos embrionários e porque estão estagnados.

Além disso, também é possível garantir o pilar de inovação olhando para eles desta maneira. “Se eu não estou pensando em um projeto com uma extensão de 4 anos, por exemplo, dificilmente a inovação será explorada”, complementa Ramos.

Os principais radares na gestão de portfólio de projetos

“Olhar tudo de cima não basta, para que os projetos estejam sempre alinhados às estratégias da empresa e sejam operados com excelência, devemos puxar as categorias e os times de negócios para garantir sua efetividade, o olhar cada vez mais disruptivo e a maleabilidade de cada portfólio”, comenta William, que também lembra o quanto aquele olhar do “o que queremos?” pode fazer a diferença.

Dentro deste questionamento, podem haver as perguntas: queremos o preço mais baixo? Sermos líderes em x categorias? Ser referência em qualidade?

Para cada uma destas respostas cabe uma estratégia, que nem sempre para vender mais será abaixar os preços, armadilha que as áreas de projetos caem muito.

Outra “pegadinha” também é insistir demais naqueles que já não tem mais razão de existir. Se o seu projetos já perdeu fôlego, não consegue mais se sustentar perante a questionamentos e desatualizou-se com os rumos atuais do mercado, não tenha medo de reformulá-lo ou simplesmente decidir que ele deve ser cancelado.

“Um produto pode estar gerando uma boa renda, mas pouco volume, por exemplo. Então, não é só porque está entregando lucro que não poderia ser melhor, este também é um dos papéis do PMO”, exemplifica quanto aos pequenos detalhes que este profissional deve estar atento no dia a dia.

Em outro exemplo, Ramos também cita a adaptação dos produtos como estratégia de projeto. Alguns produtos que são vendidos para a categoria “fritura”, por exemplo, podem ser vendidos para panificação. É o treinamento deste olhar, via PMO, que pode fazer toda diferença em um projeto.

Hoje, na Cargill, a maior previsão de portfólio de projetos estruturada vai até 2025, seguindo o ano fiscal conforme o calendário americano (de junho à julho), sendo revisada de maneira macro no último quartil do período.

A maioria dos projetos tem duração de 6 meses e, por isso, tem suas ações revistas mês a mês, o que também gera muito controle sobre os que estão em estado ocioso ou de muita queda de produtividade.

Gostou da experiência da Cargill? Ele foi apresentado no PMO SUMMIT, realizado pela Blueprintt em 2018.

A próxima edição do maior Congresso de PMO da América Latina acontece nos dias 24, 25 e 26 de março, em São Paulo. Serão três dias repletos de conteúdo voltado a líderes e profissionais da área de projetos: mais de 30 módulos de conteúdo, 35 executivos líderes em projetos de empresas inseridas na lista das 500 maiores do país, 23 casos práticos, debates, workshops e sessões dinâmicas para trocas diretas e assertivas de experiências.

Confira a programação completa:

Autor

Rita Bomfim

Formada em Publicidade e Propaganda e pós-graduada em Organização e Administração de Eventos pelo SENAC, possui 12 anos de experiências em produção de eventos corporativos e encontros de negócios. Atualmente, é gerente de pesquisa e conteúdo da Blueprintt.