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Como a Unilever faz a gestão de fornecedores na cadeia do frio
A Kibon aplica tecnologia e desenvolvimento de fornecedores para fortalecer seu negócio, utilizando, inclusive, a internet das coisas e a gamificação.

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Embora ela passe despercebida, a tecnologia da cadeia do frio está presente de forma significativa em nossas vidas, indo muito além daquela geladeira doméstica que imediatamente vem à cabeça quando os assuntos são resfriados e congelados.

 

Na área da alimentação, especificamente, ela está presente desde a etapa da colheita, passando pelo processamento, pelos centros de abastecimento e distribuição, supermercados e, claro, o transporte entre todas essas fases até o produto chegar à sua casa.

 

Dentro desse contexto, um dos principais desafios é exatamente melhorar a gestão de fornecedores para garantir o atendimento pleno dos operadores de transporte e armazenamento.

 

Isso porque uma das dificuldades mais significativas nesse setor é exatamente atender à demanda com a velocidade exigida pelo mercado, que apresenta grande heterogeneidade.

 

Mas como fazer isso de forma efetiva? Investindo no desenvolvimento de fornecedores de qualidade para o seu negócio. Um bom exemplo disso é a Unilever, responsável pela marca Kibon.

 

Quando se fala em tecnologia para otimização da cadeia do frio, a empresa é pioneira no desenvolvimento e aplicação de ferramentas e recursos que atendam às especificidades desse mercado.

 

Cenário atual da Kibon

 

Atualmente, a marca opera com 12 centros de distribuição (CDs) próprios (boa parte deles localizada na costa Brasileira) e mais 30 pertencentes a distribuidoras (estes localizados no interior).

 

Apenas duas fábricas no Brasil produzem o sorvete que é distribuído, uma em Valinhos, responsável pela produção do sorvete de pote e outra em Jaboatão, responsável por produzir sorvete de pote para o Nordeste e picolés para todo o Brasil.

 

E como eles garantem uma distribuição eficiente trabalhando dento desse esquema? Segundo Rafael Andreatta, Distribution Manager da Unilever, através do Túnel de Congelamento, essencial para garantir qualidade em uma cadeia do frio.

 

“A malha da Kibon, comparada à concorrência, é uma das poucas, senão a única, a trabalhar com túnel de congelamento. E essa tecnologia é essencial para garantir a consistência do sorvete”, afirma o gerente.

 

Mas os desafios não param por aí. Segundo Andreatta, a verdade é que o mercado não está preparado para o nível de frio com que a empresa opera, atualmente por volta dos -25ºC nos centros de distribuição.

 

Ele explica que, para um cliente centralizado, a exigência é de que se opere entre -22ºC e -20ºC e que toda a cadeia se mantenha dentro desse limite.

 

“Esse é um dos principais desafios, uma vez que o transporte saindo do CD passa a operar com temperaturas mais baixas, entre -15ºC e -12ºC, o que não pode ser considerado congelado. Para manter nossa temperatura adequada, é necessária uma estrutura muito mais cara”, aponta ele.

 

Com a intenção de viabilizar toda essa logística e tendo em mente que os caminhões não geram frio por si só, o transporte é feito com o auxílio de placas eutéticas.

 

Elas ficam ligadas durante a noite anterior à entrega, gerando frio para que, no dia seguinte haja um intervalo aceitável de queda de temperatura. Em geral, entre -40ºC e -20ºC. Isso não significa, é claro, perda de qualidade ou prejuízo ao produto.

 

Tecnologia avançada para cadeia do frio

 

Com mais de 100 mil pontos de venda no Brasil, a Kibon não pensa duas vezes ao aplicar tecnologias e desenvolver fornecedores para fortalecer seu negócio, se aproveitando inclusive de recursos como a IoT (internet das coisas) e a gamificação.

 

Nas portas dos caminhões, por exemplo, são colocados sensores para acompanhar quantas vezes a porta foi aberta, verificar as temperaturas internas das placas, entre outras informações.

 

E o investimento vai além: Andreatta conta que o próximo passo é acompanhar também a quantidade de peso dentro do veículo.

 

“Com essas medidas, é possível acompanhar em tempo real como anda o desempenho do caminhão, permitindo atuar imediatamente em caso de problemas com temperatura. Além de trazer outros benefícios, como aumentar a ocupação do caminhão, diminuir o gasto de combustível e o risco de acidentes e consumir menos energia”, finaliza o gerente.

 

 

Mas é claro que esses não são os únicos investimentos feitos pela empresa para garantir a qualidade do produto desde a saída do CD até a casa do consumidor.

 

A organização também opera com um software que analisa os melhores locais para estabelecer centros de distribuição, transit points e até mesmo para estabelecer rotas de viagens, uma das principais dificuldades na zona urbana.

 

E para garantir que as entregas sejam feitas da forma adequada e dentro do limite imposto pela empresa, implantou-se há cerca de um ano e três meses um sistema de monitoramento online.

 

Antes da tecnologia, os índices de devolução eram considerados altos demais, uma vez que não havia padronização da cadeia e cada CD operava à sua própria maneira.

 

Já com o sistema em operação, passou-se a contar com informações padronizadas em todos os CDS, otimizando as entregas.

 

“Atualmente, as devoluções são monitoradas em tempo real. Apertando um simples botão, o motorista informa à central a ocorrência de devolução. Imediatamente, podemos intervir para reverter a situação”, explica Andreatta.

 

Os resultados não podiam ser melhores. Há dois meses, revertia-se cerca de 54% das devoluções e atualmente este número está em 65%.

 

A Unilever, através da Kibon, também vem investindo em gamification para melhorar a gestão de fornecedores. Recentemente, foi lançado um aplicativo, junto às transportadoras, que promove um campeonato entre todos os motoristas do Brasil.

 

As transportadoras e motoristas que mais se destacarem ao longo do tempo ganham algum tipo de prêmio, como produtos da empresa. O objetivo é que todos os profissionais estejam comprometidos a entregar as encomendas em plenas condições aos pontos de vendas.

 

De modo geral, é possível ver que ainda existem grandes desafios para serem transpostos no mercado de cadeia do frio quando o assunto é o desenvolvimento de fornecedores.

 

Mas é impossível negar que a tecnologia tem permitido cada vez mais avanços nesse segmento.

 

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Autor

Bruno Maddalena

Bruno é formado em jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduado em Marketing Digital pela Escola Superior de Propaganda e Marketing, já escreveu sobre e-commerce, empreendedorismo, franquias, marketing digital, mercado imobiliário e tecnologia.