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Como garantir a equidade de gênero nas empresas?

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No último ranking sobre equidade de gênero realizado pelo Fórum Econômico Mundial, que conta com a análise do assunto em 149 países, o Brasil registrou uma queda de cinco colocações, estando hoje em 95º lugar.

Os cenários analisados incluem oportunidade econômica, nível educacional, empoderamento, saúde e sobrevivência.

A principal justificativa encontrada pelos especialistas é o declínio de oportunidades econômicas, no qual Brasil também registrou uma grande queda, indo da 83ª para a 92ª colocação.

No cenário político, os números também não são bons. Dos 149 países analisados, apenas 17 têm mulheres na função de chefe de estado.

Nas empresas, apenas 34% de todas as cadeiras ocupadas no mundo têm como donas profissionais mulheres. Segundo a pesquisa Closing the Gender Gap, da McKinsey & Company, se houvesse equidade de gênero no mundo, o aumento do PIB seria de US$ 28 trilhões em até 10 anos. Só no Brasil, este número aumentaria de 14% a 30% em seis anos, o que equivaleria a R$ 410 bilhões.

Ou seja, é visível a necessidade de mudanças para garantir a equidade de gênero em muitos cenários, como no mercado de trabalho.

Fora a questão das lideranças, há dezenas de segmentos inteiros dominados por homens no Brasil. Entre eles, tecnologia, advocacia, construção civil e seguros, por exemplo. Inclusive esse tema foi abordado em uma das palestras que realizamos na última edição do Contalento, evento que aborda gestão de talentos.

No caso levado pela palestrante Patrícia Habis, HR Manager da Assurant, quando o assunto veio à tona em 2013, a empresa vivia um quadro de distribuição de cargos de 70% para homens e 30% para mulheres. Isso só mudou após a única mulher a ocupar uma cadeira na diretoria se incomodar com a questão a ponto de fazer alguma coisa.

Então, ela levou para a empresa um treinamento dado em Harvard sobre empoderamento feminino, totalmente voltado ao crescimento nos negócios.

A empresa também abriu mais o diálogo com a diretoria e os profissionais de recrutamento quanto aos talentos que poderiam estar perdendo com esta antiga prática de mercado.

Prática que, inclusive, os levou a detectar que, após tanto tempo sem olhar para isso, salários e bônus eram pagos em disparidade para homens e mulheres (43% a mais em salário e 64% a mais em bônus para eles).

Atualmente, a empresa está com o seu quadro quase 50/50. Ainda assim, sem deixar de lado a responsabilidade em continuar com estes diálogos e ações, até que todo esse processo vire, de fato, algo natural.

De acordo com a pesquisa Guia Exame de Mulheres na Liderança, realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), 60% das ações voltadas para a equidade de gênero vêm das posições de poder; 58% com participações em comitês externos; e 49% com influência e inspiração aos stakeholders para que promovam mais o assunto.

Confira alguns cases de sucesso!

Cases de sucesso sobre equidade de gênero

Carrefour

Um dos primeiros princípios adotados pelo Carrefour na sua missão sobre o tema diversidade foi a problematização do assunto. Dentre as suas iniciativas, há materiais de apoio aos colaboradores, fóruns, palestras e novas políticas internas.

A sua principal empreitada foi a criação da plataforma Valorização da Diversidade, que abrange não só a equidade de gênero, mas também a racial, de orientação sexual, idade e deficiências físicas. A iniciativa conta com o apoio de uma cartilha que foi elaborada para a resolução de possíveis conflitos que pudessem surgir sobre o assunto e serviu como o pontapé inicial para a criação de um comitê.

Houve ainda uma parceria com a ONG Rede Cidadã para apoio ao projeto Conexão Varejo, que forma jovens e adultos para este mercado, o que possibilitou à companhia a contratação de 17 pessoas trans. Atualmente, elas já somam mais de 30 novas e novos colaboradores.

PepsiCo

Uma das primeiras iniciativas dessa gigante do ramo alimentício foi se aliar aos grandes acordos mundiais assinando o documento de princípios de empoderamento feminino da ONU. Ela aderiu ao “He for She”, que determina que homens e mulheres devem ter o mesmo peso de responsabilidade quando o assunto é a equidade de gênero.

Também foi criada na companhia a área de Diversidade & Engajamento, que visa educar e desenvolver os seus colaboradores para tais objetivos. Entre as principais iniciativas estão o incentivo ao desenvolvimento profissional e de liderança feminina e projetos voltados aos LGBTs e colaboradores da geração Millennium.

Outras duas grandes apostas da empresa em relação ao assunto são leva as suas líderes para participarem de um treinamento nos Estados Unidos, cumprindo o propósito levantado por seu projeto Inspira, e praticar o reconhecimento profissional de suas colaboradoras, contando histórias inspiradoras com a ajuda da ação Ilustres Mulheres.

A empresa investiu US$ 100 milhões em apoio à PepsiCo Foundation, que visa beneficiar 12,5 milhões de meninas e mulheres ao redor de todo o planeta.

Grupo Pão de Açúcar

Um dos grandes pontos apoiados pelo GPA, que não havia aparecido aqui até então, é a inclusão de pessoas com mais de 55 anos. O grupo também capacita aqueles que precisam, que hoje representam 3,4 mil colaboradores.

Além disso, há uma parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), que afeta 1,5 mil colaboradores do quadro da empresa.

Há um programa de equidade de gênero que controla os indicadores da presença feminina nos cargos da empresa e incentiva que elas ocupem essas posições. Também existe uma importante nova condição no processo de contratação: que haja pelo menos uma mulher nas fases finais para vagas gerenciais.

O que a sua empresa faz para garantir a equidade de gênero? Conte para a gente!

Este tema será amplamente discutido na próxima edição do Congresso CONTALENTO, que acontece nos dias 24, 25 e 26 de março, em São Paulo (SP). A abertura das inscrições está próxima! Acompanhe a página do evento e registre o seu e-mail para ficar por dentro dos preparativos e receber condições exclusivas de pré-inscrição!

 

Autor

Flávia Lima

Flávia Lima é jornalista pela PUC-SP e pós-graduada em Comunicação e Marketing pela ECA/USP. Possui ampla experiência como jornalista setorizada. Atualmente, é gerente de conteúdo da Blueprintt, responsável pelo planejamento de congressos corporativos nas áreas de RH Estratégico, Marketing e Tecnologia da Informação.