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4 dicas para fortalecer e expandir as fintechs de cobrança
Com a missão de descomplicar os serviços, em 2018 houve o aumento de 23% de startups do segmento financeiro. Aprenda com elas.

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Ou você está surfando na onda das startups do segmento financeiro ou, pelo menos, já está de olho nela por aí, pois é quase impossível não se deparar com este novo jeito de oferecer. Aliás, já ouviu falar das fintechs de cobrança?

Inicialmente, foi possível ver aquelas empresas que chegaram de fininho e hoje já têm grandes avanços com o Banco Central.

É o caso do Nubank (com aval para funcionar como banco) e o Mercado Livre (com autorização para ser uma financeira sem intermediários).

Aliás, no final de 2018, segundo pesquisa da Fintechlab, o Brasil já estava com 453 startups do segmento em funcionamento, 23% a mais que o ano anterior

Os meios de pagamento lideram o ranking, com 105 instituições em atividade. Mas o mercado também registrou um importante crescimento em novas áreas de atuação, que são:

  • Cryptocurrency, com alta de 86%;
  • Câmbio e Remessas, com alta de55%;
  • Seguros, com alta de 37%.

Há outra questão que também não é novidade: o sentimento de ameaça vivido pelos bancos.

Segundo a pesquisa “Customers in the spotlight – How FinTech is reshaping banking“, da PwC, 3 a cada 4 bancos (76% dos entrevistados) se sentem ameaçados pelas fintechs.

Não há como negar que muitas delas vieram para entrar nesta concorrência, porém, também há tantas outras que podem ajudar os bancos a desconstruir padrões engessados e estarem cada vez mais perto do que o consumidor busca hoje:

  • Agilidade;
  • Transparência;
  • Tecnologia.

Além de também dissolver velhos problemas, como juros altos e burocratização nos empréstimos.

Acompanhando este movimento de unir serviços em vez de criar várias frentes dentro de uma mesma empresa, é que as fintechs de cobrança estão se transformando em verdadeiros marketplaces e se unindo aos grandes bancos para tornar este serviço cada vez mais rápido e eficaz.

Mas, toda mudança traz dores e adaptações consigo. E é sobre isso que os especialistas Marc Lahoud, CEO da QueroQuitar!, Dilson Moura, CEO da Acordo Certo, e Alexandre Lara, CEO da Blu365, falaram com o público do Fórum C4CC 2018.

Reunimos 4 dicas que ajudam a fortalecer as fintechs de cobrança ou, no mínimo, a pensar soluções para o seu negócio – no final reunimos dicas extras, não deixe de ler.

  1. Desate nós entre fintechs de cobrança e bancos

“O primeiro desafio é a disrupção de mercado. A questão não é quebrar exatamente o modelo antigo, mas sim o paradigma de que cobranças sempre são feitas por um único lugar. A proposta é que a multicanalidade aconteça”, frisa Marc Lahoud como um dos primeiros grandes desafios para esta parceria.

O desafio seguinte é, a antiga conhecida, integração de sistema.

Atualmente, os web services encontrados nos bancos ainda não são robustos o suficiente, tanto quanto à sua velocidade, como a gama de dados gerada. Assim, a prática mais comum fica sendo a troca simples de dados.

Mas, para o time da QueroQuitar!, é preciso subir um degrau antes de focar na tecnologia e agilidade que necessária: entender quais são as principais fragilidades e dificuldades de relacionamento com o público de inadimplentes.

Na startup esse processo também mostrou que havia pouco conhecimento sobre a era a real situação daquela pessoa em relação às condições de pagamento da dívida.

Manuseio de dados, tecnologia, credibilidade, entendimento do negócio, inovação, adaptação, há muita estrada ainda para percorrer e parafusos para apertar nesta parceria.

  1. Rastreie o comportamento do consumidor

Uma das grandes oportunidades levantadas pelos especialistas é a capacidade de entender o comportamento dos clientes e também de interpretar os dados que eles geram.

Um bom exemplo, dado por Alexandre Lara, é selecionar clientes que você quer reincorporar à base de crédito, lançando uma campanha de quitação de dívidas, já cedendo o crédito novamente na sequência.

Isso, inclusive, também se encaixa em uma estratégia para pagamentos à vista. “Isso extrapola totalmente as réguas tradicionais de cobrança”, complementa.

Dar algo que o cliente quer em troca de uma abertura de caminho para negociação também pode ser uma poderosa ferramenta para as fintechs de cobrança.

“Trabalhando informações do comportamento online deste consumidor, você poderia, além de gerar uma oportunidade de renegociação, fazer vendas antecipadas. Por exemplo, este cliente gosta muito de UFC, então seria possível oferecer à ele uma luta em um canal fechado no final de semana e abrir portas para o pagamento da dívida”, exemplifica Dilson Moura.

Neste caminho para entender o comportamento do consumidor, o time da Blu365 também detectou o quanto é importante que o canal de comunicação não seja apenas digital, pois há clientes que ainda não estão habituados com esta dinâmica.

Porém, o alvo deve ser sempre a digitalização contínua e a retroalimentação de dados.

“Alguém aqui já tentou ligar pro LinkedIn, Spotify ou Facebook? Então, é justamente isso, o processo de digitalização tem que ser contínuo. Se o telefone toca uma, duas, três vezes, já liga o alerta, leva o problema para o desenvolvimento de produtos, automatiza e segue o barco”, reforça Marc Lahoud.

Aprimorar seu FAQ, página de dicas e fortalecer suas ferramentas de inteligência artificial (IA) também ajuda a diminuir a mão de obra humana, otimizando os resultados.

Por que inovação é a palavra do momento no mercado de crédito e cobrança.

  1. Construa segurança e credibilidade

“Temos, praticamente, 100 mil novos cadastros por mês”, frisa Lara, o que com certeza deixaria muitas pessoas de olhos atentos a casos de fraude. Afinal, o que não falta em transações online são pessoas querendo burlar o sistema.

Mas, para um alívio geral, ele também afirma que, pelo menos a Blu365, só esbarrou com duas tentativas de fraude até hoje e que a parceria com grandes bancos ajuda muito a construir este alicerce contra fraudadores.

Porém, este não é o único ponto necessário para construir a tão sonhada credibilidade que ajuda a impulsionar startups.

“Acredito que a credibilidade pode começar a melhorar a partir de uma boa reputação no Reclame Aqui, por exemplo. É um canal de muita confiança dos consumidores”, alerta o CEO da Blu365.

Ao seu ver, acompanhar de perto o seu Net Promoter Score (NPS) também se torna um ponto estratégico para ganho de credibilidade, pois consegue-se trabalhar em cima da dor do cliente de fato.

Os especialistas também comentaram sobre a importância de priorizar o estreitamento de comunicação com a sua própria base.

Assim, você conseguirá trabalhar de maneira mais direta e qualitativa na construção da reputação que precisa para falar com o mercado em geral.

  1. Nunca deixe de lado tecnologia e inovação

Um dos pontos mais abordados no evento quanto à tecnologia é referente a integração de dados. E um dos grandes perigos de adaptação que se tem feito em alguns lugares é a conexão de sistemas antigos de PAs (Pontos de Atendimento) ao universo digital.

“Para um cliente, esperar 10 segundos por um retorno já pode se transformar em um negócio perdido”, alerta Moura.

Porém, felizmente, as startups também têm ajudado os credores com insights e projetos, mas ainda há muito caminho a percorrer para que cheguem à esta equivalência.

Segundo Lara, a criatividade (por enquanto!) das fintechs de cobrança também pode ser uma grande aliada. “Já tivemos um caso em que improvisamos um web crowler acompanhando as interações online”, conta.

Para Lahoud, o blockchain é outra novidade tem ajudado muito a “desengessar” os bancos, mantendo toda sua cautela de segurança.

Movimento que faz também com que as empresas mais tradicionais saiam em busca de APIs mais rápidas, que suportem uma carga maior de conteúdo e que já tem demonstrado avanços recentemente.

Dicas extras!

Hoje ainda é difícil achar fintechs de cobrança que atendam empresas de grande porte, fazendo, por exemplo, suporte às dividas de origem PJ, o que pode ser enxergado como uma boa brecha de mercado.

Até porque, para as pequenas, chamadas “PJotinhas”, alguns serviços já podem ser localizados.

Porém, vale o alerta: uma das maiores dificuldades no B2B é achar o interlocutor correto porque as empresas tiram muito mais dúvidas do que as pessoas físicas pra acertar uma dívida.

E a última, porém, não menos importante dica, é o olhar sobre alongar os serviços na régua de cobrança, que na Blu365, por exemplo, já chega, inclusive, aos projetos preventivos.

Quer saber ainda mais sobre o assunto e conhecer outras fintechs de cobrança?

Então não perca a próxima edição do Fórum C4 de Crédito e Cobrança (Fórum C4CC), que será realizado pela Blueprintt nos dias 13 e 14 de março.

Acesse o site, conheça a programação e participe do evento.

Autor

Barbara Marques

Barbara é graduada em Jornalismo pela FIAM-FAAM, atua profissionalmente há cinco anos, tanto em conteúdo factual, quanto para empresas. É especialista em produções relacionadas à tecnologia, fraude, business e marketing, entre outros. Além de vasto conhecimento em cobertura de eventos, palestras e coletivas.