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6 ações para reduzir o impacto da fadiga nas empresas
Esse esgotamento não só emocional, como também físico, reduz a capacidade do profissional de executar suas funções com eficácia e confiança.

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Quando o assunto é saúde e segurança no ambiente de trabalho, a fadiga é um problema que compromete de forma drástica a produtividade, afetando a capacidade do profissional de executar suas funções com eficácia e confiança.

Nesse contexto, o trabalho noturno – necessário em diversos segmentos como transporte, indústria, atendimento médico, telecomunicações, entre outros – tende a concentrar maiores níveis de risco operacionais por conta das doenças no sono.

Como lidar com essas questões, evitar acidentes e problemas e cuidar adequadamente do capital humano, o maior ativo de uma empresa?

Acompanhe cases e experiências compartilhadas por gestores e especialistas em saúde da Mercedes-Benz e da Vale. Eles comentam, a seguir, 6 ações para minimizar os efeitos da fadiga no dia a dia das empresas e na produtividade dos colaboradores.

  1. Atenção redobrada em relação ao estresse e privação do sono no trabalho noturno

Em 2017, foram registrados 416 acidentes de trânsito relacionados à fadiga. Estima-se que 60% desses acidentes estão ligados a privação do sono.

Dados do INSS apontam que a saúde mental representa um alto custo para o estado. Somente entre 2012 e 2016, R$ 8 bilhões foram gastos nesse sentido.

Esses números mostram como o estresse influencia a eficiência nas rotinas de trabalho.

Para Fabrício Morais, gerente de Saúde Assistencial e Ocupacional na Mercedes-Benz do Brasil, o conceito de transtorno mental ligado ao trabalho se explica devido a um desequilíbrio entre recompensa e demanda. Nos últimos anos, empresas demandam muito das pessoas e se esquecem das recompensas.

Por conta dos cenários de crise, não conseguem investir em programas de qualidade de vida, dar aumentos e promoções ou criar programas voltados para a saúde que não estejam restritos apenas ao que é obrigatório por lei.

Logo, colaboradores precisam, para manter seus empregos, se adaptar às condições de trabalho que prejudicam sua saúde e rendimento.

Nessa conjuntura, instituições também saem perdendo, uma vez que problemas ergonômicos e fadiga cognitiva tendem a elevar o turnover e as taxas de absenteísmo, bem como os casos de afastamento da função.

A fadiga pode afetar a estabilidade emocional do colaborador, o clima organizacional e causar:

  • Lapsos de atenção;
  • Perda da memória do trabalho;
  • Perda da capacidade executiva.

Especialmente no que tange a questão do trabalho noturno, Fabrício comenta que existe uma série de fatores fisiológicos que determinam que seres humanos são, essencialmente, diurnos e mais adaptados para trabalhar nesse período.

Assim, como não é possível eliminar por completo o trabalho noturno em algumas situações, empresas precisam criar programas de prevenção da fadiga associada à privação do sono, implantando ações que assegurem:

  • Uma rotina de pausas obrigatórias em um lugar apropriado por, pelo menos, 15 minutos;
  • Bateria de exames para identificar se a pessoa consegue suportar uma rotina de trabalho noturna;
  • Informação, conscientização e orientação médica sobre a higiene do sono.
  1. Ergonomia e gestão da fadiga

A gestão correta da fadiga deve ser um trabalho multidisciplinar em uma companhia, envolvendo setores como:

  • Saúde ocupacional – avalia os ciclos biológicos;
  • RH – cuida das funções, tempos de deslocamento, recrutamento etc;
  • Facilities – viabiliza as condições de trabalho adequadas;
  • Administrativo – cria escalas e turnos;
  • Liderança – apoio e tomada de decisão.

O esforço em conjunto dessas áreas precisa estar centrado em 4 aspectos protetores:

  • Ergonomia organizacional (gestores, ambientes de trabalho e demandas);
  • Ergonomia cognitiva (metas, estresse, pressões, sobrecarga de trabalho);
  • Ergonomia biomecânica (iluminação, assentos, espaços);
  • Fatores individuais (se a pessoa é mais matutina ou vespertina, por exemplo).
  1. Entendimento da fadiga como um tema complexo

Em uma sociedade, manter o funcionamento de todas as instituições e processos se tornou um desafio biológico.

Para Tula Maria Silva Moreira, gerente de Saúde Ocupacional e especialista em saúde e segurança na Vale, o suporte de saúde deve ser bem estruturado e, no caso de uma empresa que atua em diversos estados, desenvolvido regionalmente.

A especialista atenta para o fato de que fadiga e sonolência não são a mesma coisa.

“Nem sempre quem está com fadiga tem um distúrbio do sono. Saber disso é um importante conhecimento e ponto de partida para fazer um trabalho alinhado, sobretudo no tocante ao que foi proposto para a alta gestão”, afirma.

Por definição, fadiga é a sensação de cansaço ou falta de energia generalizada que não está exclusivamente associada à exaustão. Ela pode ser crônica, prolongada e apresentar outros tipos, tendo uma incidência comum na população.

“Para fazer um bom programa, que realmente ajude as pessoas, é preciso compreender esse assunto a fundo. A fadiga é um guarda-chuva muito maior e o tema não é simples”, diz Tula.
 

 

  1. Apoio da alta gestão e prática da empatia

No começo de 2007, os números de acidentes na Vale aumentaram significativamente e a empresa começou a associar esse dado a questão do sono.

Nesse momento, 70% da operação da empresa era de caminhões pesados ou rodoviários. Os gestores, na época, não entendiam o motivo dos motoristas dormirem ao volante.

Não existia qualquer sentimento de empatia, pelo contrário: existia um paradigma na organização de que esses acontecimentos mostravam que a falta de comprometimento gerava acidentes.

Então, a área de saúde entrou com conhecimento para quebrar esse padrão.

“Essa investigação foi um marco na história da Vale, pois mostrou que o profissionalismo do condutor não estava ligado ao número de acidentes. Fazer com que os líderes se colocassem no lugar dos colaboradores foi importante”, relembra Tula.

  1. Uso da tecnologia para monitorar e estruturar processos

Na Vale, o Comitê de Prevenção da Fadiga resolveu, com o apoio de outros setores, adotar uma tecnologia para monitorar os condutores.

Dentre as opções, foi selecionado um óculos que, quando usado pelo operador, avalia o fechamento ocular e envia alertas para o colaborador.

Além disso, uma central de comando também acompanha 24 horas por dia os alertas e entra em contato com o funcionário quando o estado de sonolência é acusado.

Foram realizados 2100 monitoramentos e esse sistema se mostrou eficaz em prevenir alguns acidentes. Mesmo com esse avanço, ainda assim a tecnologia não é capaz de reconhecer outros distúrbios causadores de acidentes.

  1. Valorização da questão do indivíduo

Em 2016, quando o sistema de monitoramento atingiu 85% da companhia, um acidente – o tombamento de um veículo – aconteceu.

Para a Vale, esse foi um grande aprendizado sobre a importância do fator humano aliado a tecnologia. O programa de monitoramento não mostrou alteração nesse caso, informando que não houve sonolência

“A tecnologia adquirida pela Vale prometia prevenção da fadiga, mas tinha uma limitação, pois não era capaz de avaliar outros aspectos além da sonolência”, conta Tula.

Ao investigar a fundo essa situação e outras semelhantes, o setor de saúde descobriu que funcionários, mesmo se sentindo mal, não se sentiam confortáveis para interromper a operação, já que o aparelho continuava exibindo o alerta verde.

“Descobrimos que os sinais biológicos das pessoas estavam sendo ignorados porque a gestão estava limitada a olhar a tecnologia como parâmetro”, diz ela.

Assim, a solução foi padronizar regras de uso para a tecnologia bem como empoderar o relato do indivíduo.

A partir desses debates e ajustes da tecnologia, o setor conseguiu tratar alertas com maior atenção e efetividade e evitar, de fato, problemas ligados à fadiga.

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Autor

Flávia Lima

Flávia Lima é jornalista pela PUC-SP e pós-graduada em Comunicação e Marketing pela ECA/USP. Possui ampla experiência como jornalista setorizada. Atualmente, é gerente de conteúdo da Blueprintt, responsável pelo planejamento de congressos corporativos nas áreas de RH Estratégico, Marketing e Tecnologia da Informação.