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Prêmio Educorp: Banco do Brasil aposta em games para desenvolver novos líderes
Uma das exigências dos jovens no mercado de trabalho é encontrar um significado real dentro da empresa. Veja como a área solucionou esse desafio.

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A gamificação foi a estratégia adotada para transformar a área de educação corporativa no Banco do Brasil.

 

Em março de 2017, Kátia Maria Rodrigues Bastos, Gerente Executiva do Banco do Brasil, foi chamada para ajudar a construir uma ferramenta que iria formar os futuros líderes da empresa.

 

Ela deveria desenvolver competências-chave do negócio e também estimular atitudes que inspirassem as pessoas.

 

A ideia era trabalhar com a base operacional do banco, e não público externo, para que a empresa os transformasse em futuros líderes, de uma maneira divertida e estruturada. E um dos grandes desafios deste grupo, contraditoriamente, tem a ver com avanço.

 

A maioria deles são jovens profissionais, em começo de carreira e já muito habituados com a transformação digital que nosso mundo tem vivido. Então, como engajá-los de uma maneira que não achassem chato ou entediante demais?

 

Além disso, não podemos esquecer de uma das mais atuais exigências do nosso mercado de trabalho jovem, que é encontrar mais do que tarefas e uma cadeira em uma empresa, mas sim um significado real e que lhe faça sentido em sua missão ali dentro.

 

E este desafio foi sabe para quantos colaboradores? 55 mil!

 

O projeto ficou em 1º lugar na categoria Melhor Case em Departamento de Treinamento e Desenvolvimento do Prêmio Educorp, promovido em julho pela Blueprintt.

 

Confira como foi executado.

 

Os primeiros passos

 

O Banco do Brasil já detém uma universidade em sua estrutura, que é a Universidade Banco do Brasil (UniBB), mas que para um desafio tão particular, precisava ganhar um braço.

 

E para isso Kátia tinha duas saídas: partir para um modelo tradicional, que em uma analogia seria o papel e lápis na mão e conteúdo na lousa, ou então partir para o abraço com a inovação e modelos mais disruptivos.

 

E um segundo passo, após esta reflexão, foi ouvir os próprios funcionários em uma pesquisa feita com um grande grupo selecionado, tanto entre pessoas mais engajadas, quanto entre pessoas mais céticas, era necessário ouvir os dois lados.

 

Assim nascia o Game DesEnvolver

 

O nome foi escolhido após uma enquete incluindo toda rede nacional do banco. E o resultado surgiu muito vindo das palavras: ver, envolver e desenvolver.

 

O evento de lançamento da plataforma foi tocado por escriturários e caixas do banco, ao lado do presidente da corporação, o que já caracterizou um grande passo para um modelo de empresa que vem de culturas padrões mais antigas, quando trata-se de hierarquia. Ele foi transmitido online para todas as unidades do país.

 

Tomou-se o cuidado de inserir a ideia em uma plataforma onde houvesse espaço para ficar muito claros os objetivos do projeto e também o seu regulamento.

 

Algo que deu muito certo também foi a criação do Fórum BB, que é um espaço para que os colaboradores troquem ideias e informações para facilitar o aprendizado entre eles.

 

Houve também a eleição de colaboradores mais antigos, os famosos veteranos, para que pudessem se tornar uma espécie de mentores para as pessoas mais novas na empresa, com adesão voluntária de 12 mil colaboradores, a movimentação foi um sucesso, e contou com níveis hierárquicos, desde vice-presidência, diretores, gerentes, até analistas.

 

 

O funcionamento do Game

 

A ferramenta foi dividida em 6 fases de desenvolvimento. Cada uma delas tinha um fundamento teórico e conceitual e a aplicação dos cursos feita em formato de trilha.

 

“Hoje aprender, viver e trabalhar são praticamente uma coisa só. Antigamente no banco o funcionário tinha que aprender primeiro, para depois trabalhar, hoje o trabalho é uma verdadeira jornada”, frisa Kátia.

 

Quase prontos para começar! Antes disso, todos deveriam concluir também, como um pré-requisito, outro curso que se chama “Pipeline da Liderança”, para que assim este colaborador entendesse a transição do game em casa um dos seus níveis de maneira mais profunda.

 

Fase 1

 

Autoconhecimento. Uma das grandes perguntas que os cercaram neste momento foi, porque começar esta jornada com o tema autoconhecimento?

 

“Vemos muitos cursos por aí com uma gama imensa de conteúdo intenso e técnico que preparam verdadeiros guerreiros para o mercado, que as vezes não gera o resultado esperado, pois gera carência em um tipo de conteúdo, que é justamente o autoconhecimento” explica Kátia

 

Fase 2

 

Mundo do trabalho. Após saber quem são, os participantes são convidados a entender onde estão no mercado de trabalho.

 

Isso inclui entender a fundo a estratégia da empresa aonde ele trabalha, escolhas e direcionamentos que a corporação toma e que podem ter fundamental importância no caminho que ele segue por lá.

 

Fase 3

 

Gestão da carreira. Até aqui o participante já entendeu um pouco mais sobre quem ele é, quais os direcionamentos que a empresa aonde ele trabalha aplica, e consequentemente analisar quais impactos tem sobre seu trabalho.

 

Então agora é o momento de saber para onde ele pode se estruturar para ir como profissional.

 

Este processo vai prepara-lo para ser o protagonista da sua própria trajetória e poder, cada vez mais, encontrar caminhos e tomar decisões que o ajudem a crescer de maneira estruturada e, é claro, dar bons retornos para a empresa como um todo.

 

Fase 4

 

Gestão de pessoas. Esta competência é essencial para quem deseja estar à frente de uma equipe.

 

Desde a primeira etapa do game, em que você começa descobrir os caminhos para ser o líder de si mesmo, até esta que foca em um pilar indispensável da carreira, pois em qualquer nível do pipeline a habilidade faz-se extremamente necessária.

 

Antes da Fase 5

 

Para avançar de fase, neste momento o participante, obrigatoriamente, recebe um feedback do seu gestor sobre a sua atuação na empresa. E agora ele estará pronto para a próxima etapa!

 

Fase 5

 

Gestão de Processos. A pergunta pilar desta fase é: Como eu posso melhorar os meus processos a cada dia?

 

Tanto em sua forma, como aplicação, desenvolvimento, para que assim todo pensamento que vem sendo construído possa ser aplicado no dia a dia, em projetos e atividades da maneira mais rentável e qualitativa possível.

 

Fase 6

 

Gestão de negócios. Chega-se então a um foco mais estratégico nesta altura do Game.

 

Em como toda esta estrutura pode ser transferida da melhor maneira para os clientes dentro dos produtos e serviços oferecidos pela empresa, sem esquecer do crescimento pessoal de cada um como líder de sua equipe e de si mesmo.

 

Todas estas fases do Game englobam desafios e missões práticas, que ao serem completadas, geram uma bonificação ao participante que terá um grande peso no resultado final.

 

Sim, como dissemos lá no começo, este Game não era um projeto único, mas sim um braço da UniBB, ligado a outras ações da área de Pessoas da empresa.

 

Ao final desta jornada é realizada, para todos os gamers, uma espécie de Hackaton que promove uma imensa troca de ideias, entre duplas e trios que foram desafiados a estruturar apresentações de melhorias para os processos da empresa que julgassem necessários.

 

Três mil projetos foram apresentados, 33 finalistas e a ideia vencedora entrou para um laboratório da empresa e está sendo “acelerada”.     

 

Além do projeto da área de treinamento do Banco do Brasil, o Prêmio Educorp também premiou a IBM, em segundo lugar, e a Atento, em terceiro lugar.

 

Como a sua empresa trabalha com educação corporativa?

 

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Autor

Flávia Lima

Flávia Lima é jornalista pela PUC-SP e pós-graduada em Comunicação e Marketing pela ECA/USP. Possui ampla experiência como jornalista setorizada. Atualmente, é gerente de conteúdo da Blueprintt, responsável pelo planejamento de congressos corporativos nas áreas de RH Estratégico, Marketing e Tecnologia da Informação.