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Como tratar o tema da diferença de gerações nas empresas
Executivo de RH fala sobre a importância de respeitar os funcionários por serem quem são e por trazerem ideias diferentes. Veja o artigo.

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Nos últimos tempos tivemos que conviver com decepções, muita crise, rede social explodindo de posts políticos etc. Por isso, comecei a me perguntar qual a relação disso com as questões que enfrentamos hoje em relação às diferentes gerações.

Não concordo muito com estas diferenças tão delimitadas entre Baby Boomers, gerações X, Y, Z e sei lá que outras letras vão inventar.

E, a seguir, vou explicar por que. Leia até o final e desmistifique isso na sua empresa.

Diferenças entre gerações

Pelas datas rígidas, pertenço à geração X, mas por pouco, devo dizer, seria um Baby Boomer.

Pois bem, a principal característica de um Baby Boomer ou de um X no mundo corporativo é ser aquela pessoa que espera poder ficar anos e anos na mesma empresa.

É o funcionário que quer fazer carreira a qualquer custo e suportar ambientes nem sempre agradáveis, mas continuar no mesmo lugar por conta de segurança.

Eu nunca fui assim. Sempre busquei desafios constantes, quis poder fazer diferente o tempo todo, não só uma vez, e depois apenas manter o que construí.

Não gosto, até hoje, de ficar sentado na minha cadeira por dias e mais dias, sem ter um movimento diferente, uma viagem, uma reunião em outro lugar, participar de um congresso e ver coisas diferentes ou conversar com meu grupo de trabalho em cafés e ao ar livre.

Será que sou um revoltado, quase um fora da lei natural?

Já vi alguns jovens da chamada geração Y, e convivo com alguns inclusive, com características mais parecidas com o que é definido nos livros e revistas especializadas para os Baby Boomers ou X.

Conservadores no jeito de se comportar no trabalho, adotando uma forma de vestir mais formal, respeito cego à hierarquia e por aí vai.

Assim, me pergunto o tempo todo: quem achou que seria vantajoso para o mundo criar mais um rótulo que diferencia e segrega as pessoas?

Entendendo seus funcionários

Será que as raças, religiões, orientação sexual, origem social e origem regional, entre outras, já não são suficientes para que as pessoas mais se estranhem do que se reconheçam?

Minha proposta aqui é: vamos esquecer esta história?

Já temos problemas demais, guerras demais e justificativas vazias demais para que tenhamos que focar nas possíveis diferenças de gerações no ambiente de trabalho.

Se há uma pessoa mais tradicional na sua empresa e que, por acaso, é mais velha de idade, saiba que ela é assim apenas porque ela é assim.

Foi educada assim, a vida lhe fez valorizar este tradicionalismo e continua a acreditar que isto garantirá seu futuro para sempre.

E, pasmem, há sim espaço para estas pessoas em inúmeras empresas. Há valor para elas, devemos respeitá-las por seu conhecimento e por suas ações calcadas em experiências prévias. Temos que entendê-las por serem quem são.

Por outro lado, se há em sua empresa uma pessoa mais vanguardista, que sempre busca novidades e desafios constantes, pense que o mundo lhe ensinou a ser e agir assim.

Por acaso ela pode ser jovem, mas isso não é nem nunca será uma regra da humanidade.

O meu pedido aqui é o mesmo, respeite-a por ser quem é e por trazer ideias diferentes, as empresas também precisam disso.

 

Fim dos rótulos

Vamos acabar com mais este rótulo que traz incluído uma série de preconceitos que prejudicam, prejulgam, pregam uma verdade inexistente ou nem sempre verdadeira sobre o seu colega ser humano.

Vamos praticar o pos. Vamos ter uma postura mais positiva com os outros.

Lembre-se que todos possuem valor exatamente por serem quem são. Tome uma posição de defesa do valor da diferença, admire-a, respeite-a.

Postule cada vez mais que o bacana é que todos podem aprender com todos.

Se nada der certo, aprenderemos pelo menos a conviver com frustrações.

Se tudo der certo, aprenderemos como fazer bem feito e conseguir nossas metas.

Agora, o mais interessante será se acertarmos um pouco e errarmos um pouco, pois aí o aprendizado será maior.

Portanto, aprenda com os Baby Boomers, com a geração X, Y e Z. Ou melhor, esqueça tudo isso e aprenda, só aprenda!

Aproveito para convidá-los a ler meus últimos dois textos no blog: Qual a diferença entre homens e mulheres no mundo corporativo?  e Um convite à luta pelas desigualdades!

Qual a sua opinião sobre a diferença de gerações nas empresas? Seu RH está preparado para essas transformações?

Autor

Flávio Ponzio

Flávio Ponzio é psicólogo pela FMU, pós-graduado em Administração de Empresas pela FAAP com especialização em Marketing pela Business School São Paulo. Em RH há 31 anos, foi gerente na Kraft, Merck, BRFoods e Pfizer. Foi consultor em diversas áreas de RH para empresas como Itaú, Motorola, Votorantim, Bombril, Faber-Castell, Mondeléz, Vivo e outras. Desde 2013 está na Caterpillar como gerente de desenvolvimento organizacional para o site de Piracicaba.