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Insights de gestão para você antecipar, assimilar e solucionar os seus desafios de negócio

Um convite à luta pelas desigualdades!
Entenda os benefícios que a convivência com pessoas diferentes pode trazer não só para sua empresa, como sua vida pessoal.

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Pois é, sou um profissional de RH que tem estudado, há mais de 15 anos, como trabalhar com questões como a desigualdade nas empresas.

Tudo começou em um workshop de uma semana patrocinado por uma das empresas para as quais trabalhei.

Lá estavam alguns experts em diversidade e igualdade, aplicando técnicas e vivências bastante profundas sobre o tema e, para ficar mais valorizado, nos Estados Unidos, por uma consultoria que foi a responsável por iniciar estes estudos por lá, na época de nome J. Howard Consulting.

Por que começo pontuando isso? Porque temos vivido, nos últimos tempos, uma crise de respeito ao diferente em todos os cantos do mundo.

Estranhamento ao diferente

Sempre me lembro de uma frase de uma música da Zélia Duncan que diz: “nem tudo que não é você é esquisito”.

As pessoas não têm parado para pensar nisso. Pelo contrário. Nos mais variados países, nas mais variadas comunidades, de norte a sul, vemos manifestações de repúdio ao diferente.

Seja com espancamento de nuestros hermanos venezuelanos, que parecem tirar chances de trabalho de brasileiros que já tem sofrido tanto com o desemprego.

Seja na Europa, que está saturada de receber refugiados da Síria todos os dias por alguns anos já, forçando até governos mais liberais a se verem obrigados a impor bloqueios a estes estrangeiros por conta da força popular.

Seja em diversos lugares do Brasil, aonde vemos manifestações de preconceito claro e violento a diversos tipos de “diferentes” para usar a palavra mais leve.

Que pena que o ser humano não conseguiu entender, ainda, que o melhor que há em ser humano é a possibilidade de dar acolhida a alguém que necessita.

Um cachorro pode ser um grande amigo, mas ele não terá como lhe arranjar comida, água, roupa, um teto e nem mesmo uma palavra de conforto ou ainda a busca de soluções para seus problemas.

Só o ser humano é capaz disto, mas parece que estamos perdendo esta chance de enriquecer e ampliar ainda mais esta nossa capacidade única.

Aqueles que se acham superiores, melhores, perfeitos e corretos deveriam olhar no espelho pelo menos uma vez por dia. Todos somos diferentes, em milhões de aspectos.

A diversidade na prática

É absurda a ideia de que o mundo seria melhor sem pessoas diferentes. Isto é impossível e simplesmente não teríamos evoluído.

Veja só: se há 400 milhões de anos o ser humano que inventou o fogo não tivesse dado ouvidos a seus companheiros que indicavam diferentes aplicações para ele, talvez estivéssemos comendo carne crua até hoje.

É única e exclusivamente através de experiências diferentes, surgidas de necessidades diferentes, que nosso mundo evoluiu.

Imaginem o que seria de nós se um cara chamado Thomas Edson não tivesse colocado na veneta que tinha que inventar a lâmpada!

Se os irmãos Wright ou Santos Dumont (não importa quem pensou primeiro em voar), não tivessem inventado o avião. Se Larry Page e Sergey Brin não tivessem criado o Google.

Se a geladeira, o computador e a televisão, entre outros, não tivessem sido inventados por pessoas que são diferentes de você?

Tenho que confessar que eu não teria a mínima capacidade, seja física ou intelectual, de inventar nenhuma destas maravilhas e admiro muitíssimo quem pensa diferente de mim e sabe coisas que eu não sei.

Inclusão do diferente

Mas como aceitar que outros podem saber de coisas que eu não sei? Como imaginar que um ser diferente de mim pode me ajudar na solução de um problema?

Antropologicamente falando, criamos estereótipos e preconceitos para nos colocarmos como superiores e massagear nosso ego, como gostamos de dizer. Esta é uma forma muito simples de rejeitar o outro, seja este outro quem for.

Assim podemos perguntar: como mudar de opinião se nem ao menos consigo aceitar que existem outras opiniões? Pense, pontos de vista são diferentes e podem haver sempre diversas verdades para um mesmo fato.

Nosso mundo, nossa nave Terra, está em mutação constante, é da sua própria natureza. O que se via a milhões de anos atrás em algum local do planeta talvez não esteja mais lá. E o homem é parte desta transformação.

O físico austríaco Fritjof Kapra, a quem tive a felicidade de conhecer no lançamento de um de seus livros, diz que podemos considerar o ser humano como um câncer a destruir a Terra. Pense bem nas consequências disto, pois muitas delas já estamos vivendo.

É muito assustador imaginar que, além de destruirmos nossa “casa” Terra, estamos nos destruindo. Será que o ser humano se transformou numa doença autoimune, que se autodestrói?

Espero que não, espero que, em algum momento, ainda vamos acordar deste pesadelo que nos tem assombrado nos últimos tempos e aí, possamos perceber o quanto é agradável viver com a novidade, ver e perceber coisas diferentes apenas ao sair na rua para ir à padaria.
 

 

Desigualdade nas empresas

E o que falar do mundo corporativo? Todas as empresas precisam, sempre e cada vez mais, ouvir os diferentes para entender a complexidade do mundo que as cerca e poder, assim, evoluir.

Muitas estão criando programas internos de inclusão da diversidade não por serem “boazinhas”, mas porque já perceberam que isto é necessário para sua própria sobrevivência e evolução.

Aquelas que ainda não acordaram para isso podem perder o rumo da história e serem esquecidas.

Que mundinho limitado teremos se continuarmos, dentro e fora das empresas, a lutar por igualdade, ainda mais por esta ser impossível de ser alcançada!

Levanto aqui a bandeira de luta pela manutenção das desigualdades! É muito mais divertido!

Deixe seu comentário nesse post e compartilhe sua opinião.

Aproveito para convidá-los a ler meu outro artigo: Qual a diferença entre homens e mulheres no mundo corporativo?

Autor

Flávio Ponzio

Flávio Ponzio é psicólogo pela FMU, pós-graduado em Administração de Empresas pela FAAP com especialização em Marketing pela Business School São Paulo. Em RH há 31 anos, foi gerente na Kraft, Merck, BRFoods e Pfizer. Foi consultor em diversas áreas de RH para empresas como Itaú, Motorola, Votorantim, Bombril, Faber-Castell, Mondeléz, Vivo e outras. Desde 2013 está na Caterpillar como gerente de desenvolvimento organizacional para o site de Piracicaba.