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Como enxugar custo para não cortar os planos de saúde nas empresas
As companhias estão fazendo esforços para manter um benefício básico para seus colaboradores e dependentes. Veja algumas saídas adotadas.

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No Brasil, o atual formato do sistema de saúde complementar não é sustentável. Nesse contexto, planos de saúde nas empresas estão sendo cortados ou tendo as suas coberturas reduzidas para diminuir gastos.

Ainda assim, as companhias estão fazendo esforços para pelo menos manter um benefício básico para seus colaboradores e dependentes.

Amadurecer esse modelo é um caminho necessário e urgente para reduzir custos e evitar medidas mais drásticas. A estrutura hospitalocêntrica que impera no País não é economicamente favorável e tampouco beneficia a gestão da saúde.

Quando o assunto é o sistema de saúde complementar brasileiro, sabe-se que ele é totalmente fragmentado. As diferentes unidades não conversam e têm iniciativas próprias.

Além disso, não são medidos os resultados assistenciais e toda a estrutura é remunerada por produtividade, e não qualidade.

Nesse sentido, como engajar o mercado corporativo – o maior financiador do sistema de saúde complementar – considerando que o modelo atual não funciona e que uma mudança de mindset é necessária?

Neste post, vamos entender melhor como tratar sobre planos de saúde nas empresas e analisar a visão e as práticas de especialistas e empresas sobre o assunto.

Desdobramentos da crise e da PEC para a saúde pública e a suplementar

A Saúde Pública no Brasil passa por um momento de grandes mudanças, causadas por dois fatores críticos: a crise econômica e a Proposta de Emenda Constitucional, a PEC 95/2016.

A crise acarretou em números alarmantes do desemprego, o que fez com que mais pessoas deixassem de pagar por um plano de saúde complementar e migrassem para o público – inflando um sistema já precário.

Mais de um milhão de brasileiros não pagam mais por convênios particulares, e boa parte depende dos planos de saúde nas empresas. Com isso, o Sistema Único de Saúde (SUS) precisou dar conta de atender um volume ainda maior de pessoas.

Em paralelo à essa situação, a PEC 95/2016 propõe estabelecer um teto de gastos na saúde pública, o que vai afetar a quantidade de recursos direcionados para o SUS e possivelmente agravar a qualidade nos atendimentos e no andamento das filas para exames, tratamentos e cirurgias.

Desafios dos planos de saúde nas empresas diante da crise econômica

Os efeitos da crise e mudanças no País foram sentidos na Mexichem Brasil, que precisou modificar e renegociar a carteira de plano de saúde vigente, e fazer um downgrade para enxugar custos e lidar com a alta sinistralidade.

Cíntia Bernardi, que era Coordenadora de Folha, Benefícios e Medicina do Trabalho da companhia na época, ressalta que o plano de saúde é a segunda maior conta da empresa.

Por isso, abordar o assunto era prioritário e desafiador, uma vez que os colaboradores sentiram muito a alteração do benefício.

Para tal, a empresa teve que trabalhar intensamente para mapear de forma mais certeira as necessidades do público e os gargalos.

Em um ano, a instituição foi capaz de minimizar o absenteísmo e a sinistralidade em 30% com o apoio de iniciativas como:

  • Programas de conscientização voltados para o cuidado assistencial e prevenção de problemas, e não com o foco na doença (como o “Cuide da sua saúde”);
  • Fortalecimento de alianças com parceiros dentro da empresa (serviços de farmácia, fisioterapia, medicina no trabalho);
  • Exame admissional mais criterioso para evitar contratações de pessoas já doentes ou com problemas;
  • Aumento do modelo de co-participação;
  • Criação de outras campanhas como o programa “Nascer”, que estimula o parto normal, reduzindo o número de internações e cirurgias.

É um bom exemplo de como tratar do tema além dos planos de saúde nas empresas, não é mesmo?
 

 

Modelos de co-participação e autogestão

No caminho para diminuir custos e ter sustentabilidade nos planos de saúde nas empresas, outros obstáculos se apresentam para as companhias:

Como encontrar operadoras que formem parcerias firmes – que não apenas concedam descontos na hora de fechar o negócio e, um ano depois, apareçam com um reajuste impossível – e monitorar a sinistralidade associada aos dependentes?

Cíntia reforça que a comunicação clara – falar a verdade, mostrar dados e engajar todos os colaboradores no processo de decisão – e a co-participação são recursos importantes.

Ela nota que 60% do custo do benefício vêm dos dependentes. Logo, a co-participação é um modelo que ajuda colaboradores a autorregular o uso dos planos em suas famílias – uma vez que se o uso for excessivo, o desconto no salário será significativo.

“A co-participação é uma ferramenta importante, mas que deve ser usada de forma adequada e que estimule o usuário a acessar o seu benefício de forma mais inteligente”, diz Cíntia.

Nesse ponto, ela sublinha que a empresa acredita que um trabalho de atendimento primário a saúde, com o suporte da figura do médico de família, é uma saída.

Tanto que já existe um médico assistencial dentro da planta para atender os colaboradores. A iniciativa deu tão certo que existe um projeto para estender esse atendimento aos dependentes e minimizar ainda mais o uso excessivo e inadequado do plano de saúde.

Modelo pré-pago X modelo pós-pago

Outro instrumento usado nos planos de saúde nas empresas para minimizar os custos é a migração do pré-pago para a modalidade pós-paga.

No Brasil, a maioria dos contratos corporativos desse benefício segue o modelo pré-pago, no qual a operadora faz um orçamento para a empresa com base no perfil da carteira de colaboradores e estipula um valor mensal fixo por mês.

No pós-pago, a proposta é que a empresa pague basicamente pelos serviços utilizados por seus beneficiários, o que é uma medida mais vantajosa, uma vez que o valor do plano não está vinculado aos sinistros como no pré-pago.

Já Sergio Carvalho e Silva, que atuou como Coordenador Corporativo de Saúde Ocupacional na CPFL Energia, aponta como solução a parceria com sindicatos para conscientizar colaboradores e seus familiares sobre o uso dos planos de saúde nas empresas. Sergio conta que o sindicato foi seu principal parceiro nesse trabalho de estímulo a autogestão do beneficio.

Em parceria com o sindicato, foram realizadas uma série de reuniões locais para explicar que a má utilização do benefício poderia resultar em medidas como o corte do plano e que organizar visitas ao médico era importante tanto para evitar o desconto alto no salário quanto na hora de inflar o custo para a empresa.

Fortalecimento da cultura de saúde corporativa

Trabalhar a cultura de cuidado e de saúde nas empresas é um projeto que deve ser levado com seriedade para que os resultados sejam colhidos no futuro.

Ana Elisa Álvares Corrêa Siqueira, presidente do conselho da Aliança para a Saúde Populacional (ASAP) destaca a importância da assistência primária à saúde e da necessidade de inserir empresas e usuários em um contexto de um modelo mais inteligente de atendimento, no qual o paciente receberá cuidado personalizado do médico de família, e seu quadro será acompanhado de forma mais efetiva.

Para ela, a gestão de custo e a gestão de saúde devem ser pensadas juntas. “A economia só acontece de fato quando existe um gerenciamento da saúde e uma mudança na forma como ela é vista. Nas empresas, não é possível reduzir essa conta com base em práticas de diminuição de custos já conhecidas”, afirma.

Logo, é preciso abordar a questão do cuidado e transformar a mentalidade de todos, tanto em relação ao atendimento como ao funcionamento dos planos de saúde nas empresas.

Apenas buscar por operadoras com o melhor preço não é a solução e nem a saída mais sustentável.

Você concorda com o tema?

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Autor

Flávia Lima

Flávia Lima é jornalista pela PUC-SP e pós-graduada em Comunicação e Marketing pela ECA/USP. Possui ampla experiência como jornalista setorizada. Atualmente, é gerente de conteúdo da Blueprintt, responsável pelo planejamento de congressos corporativos nas áreas de RH Estratégico, Marketing e Tecnologia da Informação.