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Estimulando a cultura de aprendizado no ambiente corporativo
Promover a cultura de aprendizado não é só uma tarefa escolar ou restrita a um core business. Ela também deve ser intrínseca ao desenvolvimento e engajamento.

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Temos muito contato com a cultura de aprendizado ao longo da vida e entendemos o seu grau de importância. Entre ensino básico, fundamental, médio, universitário e especializações, dedicamos muitos anos de nossas vidas para nos aperfeiçoarmos.

Porém, muitas empresas esquecem que o aprendizado dos colaboradores não acaba só porque eles já têm uma profissão e ocupam um cargo. Elas também são responsáveis por parte do desenvolvimento dos indivíduos!

Será que as companhias se dão conta do quanto de dedicação é preciso para treinar um profissional? Pode parecer estranho, mas o exemplo que traremos é o de uma empresa da área da educação que, em meados de 2015, tinha este quesito como um déficit.

Hoje, dividiremos com você o conteúdo que Giapiero Sperati, VP de Gente e Gestão para Brasil e América Latina da Pearson, dividiu com o público da última edição do Educorp, evento sobre o tema realizado pela Blueprintt.

Quer saber mais sobre cultura de aprendizado? Então, é só continuar a leitura!

Gestão educacional: o que temos e o que queremos

“Mesmo sendo formado em Letras, eu uso muito pouco ou quase nada do meu aprendizado. Isso nos mostra o quão o mercado está deixando de olhar para técnicas de aprendizagem e o que é realmente aplicando no dia a dia”, disse Sperati. Esta fala pode parecer estranha, mas esse foi o cenário que ele encontrou na maior empresa de educação no Brasil há quatro anos.

Após verificar tal situação, o primeiro questionamento feito pelo VP foi: como nos preparar para um cenário no qual não dá mais para basear 100% na formação acadêmica do candidato, já que as mudanças do mercado são diárias?

“O dia a dia muda tanto que, enquanto o colaborador em questão estiver aqui, eu não sei mais exatamente o que ele tem que saber para se encaixar. Não sei se o que ele sabe hoje o ajudará lá na frente”, frisou Sperati.

Atualmente, por exemplo, a Pearson está muito ativa na discussão sobre a Base Nacional Curricular Comum. Além das mudanças de demandas internas, é possível entender que as externas renderão a pergunta: quais habilidades é preciso ter na equipe para lidar com o estopim de cada momento?

Outro ponto que deve ser considerado é a forte disrupção da tecnologia em nosso dia a dia. Quando uma equipe começa a ganhar confiança em um assunto e acha que finalmente entende algo em que se aplicou, vem uma IBM falar de Watson e Machine Learning.

Unindo tudo isso, podemos ver, então, como podem se formar cenários nos quais você tenha que lidar tanto com mudanças de mercado e legislação quanto com a velocidade da tecnologia.

“Mesmo sem ter uma resposta, o ponto de partida deste assunto deve ser sempre o alinhamento de mindset”, reforçou Sperati. Ele completa que, cada vez mais, o conteúdo de educação é commodity; todo mundo tem.

Não adianta querer focar em fazer “o melhor conteúdo do mundo” para treinar uma equipe sobre assuntos comumente achados no mercado, como falar em público, técnicas de gestão ou PDCA. Para Sperati, a disputa será imensa, com dezenas de outras plataformas que têm propostas parecidas.

Por isso, para o especialista, o melhor a se pensar é: o conteúdo existe e o temos, mas porque as pessoas não utilizam?

E romper com o pensamento em massa de: para que ter disciplina, se toda semana é possível acessar estas dezenas de plataformas e aprender algo novo?

Criando projetos que estimulem a cultura de aprendizado

Para Sperati, a cultura de aprendizado é muito mais do que ensinar, mas sim engajar as pessoas a aprender, gerar desejo e proporcionar a satisfação para que elas criem raízes e laços com a empresa.

Sendo assim, a sua segunda conclusão foi que pessoas que estão felizes com a empresa não priorizam pedidos como o Early Friday, que era muito popular na Pearson.

Pegando este caso como gancho, Sperati contou que eles resolveram criar o Learning Friday. Nele, a empresa pede para que os colaboradores se dediquem durante uma hora toda sexta-feira para aprender algo novo. “Não precisa ser necessariamente um curso. Podia ser algo aprendido numa conversa de corredor”, explicou.

Porém, com grandes ideias, também vem o desafio de vencer a inércia das pessoas. Para tal, a ideia se foi basear no “dar exemplo”. Foi criado o hábito de, uma vez por semana, o presidente da Pearson apresentar ao final de uma reunião específica tudo o que ele aprendeu na semana anterior.

Após algum tempo de teste, VPs, gerentes e outros gestores também começaram a fazer estes reports às suas equipes, seguindo o modelo do final de uma reunião geral. Esta atitude gerou o estímulo necessário para o próprio time começar a aproveitar o Learning Friday.

“Muitas pessoas também têm uma visão bem errada do que é treinamento. Sabe por onde elas se guiam? Coffee Break. Colocou, é treinamento, tirou, não é”, exemplificou Sperati. Por isso, ele destaca a importância da mudança de mindset para criar uma cultura de aprendizado.

Um dos primeiros direcionamentos necessários, no seu ponto de vista, é deixar claro que o treinamento da pessoa também é responsabilidade dela e não só da empresa, pois a companhia não conseguirá prover tudo o que os colaboradores precisam aprender.

Porém, a empresa não pode se abster da responsabilidade e o colaborador deve cobrar. Na Pearson, foi criada uma universidade corporativa para suprir tal necessidade, focando em assuntos mais específicos da empresa com link para o mercado.

Por exemplo, um treinamento voltado para a liderança na Pearson não se acha na internet. Algo para comunicação, por exemplo, sim, mas não com uma base voltada para o grau de importância que o assunto tem para a empresa.

Unindo estas especificidades com o âmbito geral de mercado, a empresa mune o colaborador de uma ferramenta totalmente personalizada e cria uma cultura de aprendizado.

Os acertos da Pearson

Sperati selecionou as ações que ajudaram a Pearson a ultrapassar os 90% de aprovação nos cursos aplicados e fortalecer a sua cultura de aprendizado.

Conhecimento pedagógico

No caso da Pearson, esta realidade está muito próxima deles; por isso, se utilizaram bastante. Mas é claro, se a sua empresa não é deste ramo, procure ajuda fora para desenvolver a sua cultura de aprendizado.

Um dos melhores ensinamentos que eles receberam dos pedagogos sobre o assunto é que não adianta dar um treinamento de quatro horas sobre liderança para alguém e achar que a pessoa já está preparada para liderar.

Sperati lembrou que, segundo alguns estudos, para você formar um comportamento especialista, são necessárias cerca de 200 horas de treinamento. Daí a importância de ter uma cultura de aprendizado.

Identificação das necessidades internas via RH

É preciso saber o que de fato faz a diferença, pois não será possível fazer tudo. Tempo e budget são duas coisas extremamente escassas nas empresas.

Estrutura

É preciso entender quais ferramentas são as mais indicadas para o seu objetivo. Explorar ao máximo o seu canal de comunicação também é indispensável para ter uma cultura de aprendizado.

Adequação do meio e da mensagem

Por exemplo, se você ensinará alguém a mexer no Excel, tem que ser um treinamento presencial. Agora, se falará sobre comunicação, pode ser que funcione bem online. Também existem ocasiões em que é possível mesclar.

O que você faz para estimular a cultura de aprendizado na sua empresa? Compartilhe com a gente!

Autor

Flávia Lima

Flávia Lima é jornalista pela PUC-SP e pós-graduada em Comunicação e Marketing pela ECA/USP. Possui ampla experiência como jornalista setorizada. Atualmente, é gerente de conteúdo da Blueprintt, responsável pelo planejamento de congressos corporativos nas áreas de RH Estratégico, Marketing e Tecnologia da Informação.