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Como usar o CPFR no planejamento colaborativo da cadeia de suprimentos
Metodologia vem crescendo já que a gestão que combine inteligência, estratégia e parceria é essencial para garantir o fluxo ininterrupto de produtos.

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A metodologia CPFR (Collaborative Planning Forecasting Replenishment) vem crescendo no Brasil como uma saída para aprimorar a eficiência da cadeia de suprimentos.

A verdade é que a área é conhecida por sua complexidade: gerenciar o intrincado ciclo de processos que engloba a compra de insumos, fabricação, transporte, distribuição e controle de estoques e pedidos é um grande desafio em todo o mundo.

No Brasil, que depende basicamente do modal rodoviário e ainda apresenta limitações, os obstáculos são ainda maiores.

Por isso, uma gestão que combine inteligência, estratégia e parceria é essencial para garantir o fluxo ininterrupto de produtos e o bom funcionamento da cadeia.

Essa é a missão do Walmart que, com mais de 11 mil lojas ao redor do globo, investe continuamente em inovação e em boas práticas para cuidar de sua operação gigantesca e robusta. Nesse sentido, o grupo foi um dos pioneiros a adotar o CPFT.

Neste post, você vai ler mais sobre o case, entender quais foram as ações e processos incorporados e os ganhos reais que esse método que prioriza as parcerias oferece para um negócio e para a performance em logística.

Aproveite a leitura para aprender mais!

Cenário interno de desafios: cultura, custos e confiabilidade

Com mais de 450 lojas e 17 centros de distribuição físicos, a logística do Walmart no Brasil é complexa, sobretudo porque a companhia atende em muitos formatos diferentes e possui outras empresas em seu grupo.

Dessa forma, é vital que toda a cadeia seja muito bem alinhada para que tudo funcione, uma vez que um erro em qualquer elo impacta toda a rede.

Para Rui Cunha, que foi Diretor Geral de Supply Chain no país, a origem de muitos dos problemas da cadeia de suprimentos vem da ineficiência ligada à produtividade e excessos, sobretudo os de estoque.

“Eliminar excessos garante a entrega do que o cliente quer, na quantidade adequada, por um preço competitivo e sempre da forma mais eficiente possível”, reforça.

No início de 2016, antes do CPFR, quando chegou ao cargo de diretor geral, Cunha realizou um mapeamento e encontrou um cenário crítico na operação brasileira do Walmart. Devido à crise econômica na época e à uma série de questões internas, a empresa apresentava:

  • Rupturas nas lojas;
  • Estoque altíssimo (mesmo sem apresentar bons índices de vendas);
  • Estoque improdutivo (uma vez que não era vendido, CDs estavam lotados, gerando mais custos e prejudicando o caixa).

Plano de ação: lidando com etapas críticas

O panorama da logística no Walmart Brasil em 2016 era de muito dinheiro sendo perdido. Para resolver o caso, Rui criou um plano de ação bem amarrado, com base em 4 pilares:

  • Pessoas capacitadas (importância de reter talentos);
  • Estratégia ponta e ponta (analisar cada etapa com os KPIs certos);
  • Produtividade em loja;
  • Colaboração com fornecedores e clientes internos (ponto de partida para a adoção do método CPFR).

O monitoramento rígido por métricas foi um dos passos mais importantes desse projeto, que chegou como solução o CPFR. O objetivo era resolver e melhorar:

  • Nível do serviço (Brasil mostrava o pior índice mundial, com uma cadeia de confiabilidade baixíssima);
  • Custo do serviço;
  • Fluidez das mercadorias (muita coisa estava errada, por exemplo, um pedido estocado no CD que deveria estar servindo duas lojas);
  • Disponibilidade dos produtos para clientes nas lojas, garantindo a eficiência e a produtividade;
  • Rapidez e confiabilidade dos fornecedores;
  • Planejamento de todos os processos.

Para Cunha, planejamento é o aspecto mais importante nesse projeto. Nesse ponto, é importante entender os limites entre o comercial e o supply chain.

“Muitos comerciais acham que o que vale a pena é brigar com fornecedores pelo melhor preço, fechar negócios com base no valor e simplesmente empurrar mercadorias”, conta ele.

“No fim, eu preciso ter leite para oferecer na minha gôndola — daí a disputa de preços é inútil —, e isso pode acontecer de forma mais eficiente se eu me planejar. Empurrar produtos gera custo para a cadeia. Meu trabalho é mudar a mentalidade da empresa e mudar o foco para a ponta final, o cliente, que é quem define todo o resto. Logo, se eu souber quantas latas de coca-cola são vendidas todos os dias e trabalhar com a previsão de vendas, sem abrir mão da flexibilidade, toda a cadeia funciona perfeitamente”, complementa.

CPFR: um projeto de colaboração

Com esse mindset, Cunha implantou no Walmart um método de trabalho em colaboração com fornecedores para aprimorar sua logística, o CPFR, que, em tradução livre para o português, é uma sigla que significa Reabastecimento, Planejamento e Previsões Colaborativos. Seus alicerces são:

  • Transparência nas informações;
  • Confiança;
  • Plano de negócios conjunto (com as mesmas metas);
  • Recursos dedicados;
  • Suporte tecnológico (para intercâmbio de dados);
  • Apresentação de um mínimo de resultados para avançar;
  • Acompanhamento dos mesmos KPIs.

O trabalho em conjunto é realizado em diferentes fases e etapas, e tem como objetivo amadurecer e fortalecer a relação entre as instituições.

Assim, as companhias fazem reuniões de estratégia, forecast colaborativo e passam por um follow-up consistente e avaliação detalhada por KPIs até chegar à integração total — quando um fornecedor praticamente tem acesso aos sistemas das lojas e assume o papel proativo de abastecê-las.

Com o CPFR, ao longo de 2016 e 2017, todos os fornecedores atingiram resultados expressivos. Foi observada redução de rupturas, estoques mais rápidos e enxutos e melhora de toda a produtividade da cadeia como um todo. “O sistema de trabalho colaborativo funciona, mas exige mais esforço, consistência e disciplina”, relembra Rui.

Nesse contexto, a tecnologia tem um papel central, não somente representada por equipamentos, softwares e inovações, mas também da forma como muda mindset e modelos de negócios. É por isso que o Walmart hoje investe tanto em e-commerces.

Cunha fala sobre um e-commerce do grupo americano, o Jet, no qual quanto mais um cliente insere itens no carrinho, mais barata pode ser sua compra.

Se o usuário aceitar trocar a marca do produto escolhido por outra que está em um CD mais próximo ou de um fornecedor local (ou daqueles que trabalham de forma mais alinhada com o Walmart), ele ganha desconto

 Se aceitar levar mais de um produto, otimizando o espaço no pacote, também recebe abatimento no valor. Se concordar em não ter devolução, também sai lucrando.

E, nesse caminho, o site é programado para diluir custos da cadeia e estimular consumidores a fazerem compras mais inteligentes, contando com o esforço dos fornecedores no processo.

“Não dá mais para trabalhar sem parcerias. Uma empresa não tem mais, no mundo de hoje, como ter domínio do mercado de forma restrita. O mundo é aberto. Não é mais produtivo ou interessante permanecer lutando sozinho”, finaliza Rui Cunha.

Se você quer conhecer outras metodologias que vêm sendo adotadas pela área de suprimentos de grandes companhias, participe da próxima edição do Supply Chain Strategies, que a Blueprintt realizará em junho em São Paulo.

Atualize as estratégias do seu departamento para aproveitar as oportunidades da retomada do crescimento.

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Autor

Renan Oliveira

Jornalista com experiência de treze anos em comunicação e atuação em segmentos como economia, indústria, ciência, tecnologia, turismo, esporte, cultura, gastronomia e terceiro setor.