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Contactless: disseminando o uso dessa forma de pagamento
O futuro é agora. Internet das coisas, NFC e contactless estão na moda e, é claro, representam um desafio

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Você já ouviu falar em contactless? 

O passo que o mercado deu rumo à evolução dos meios de pagamento não tem volta. Agora, é preciso remar para acompanhar esta grande onda e se atualizar.

Segundo a revista NOVAREJO, 70% das máquinas que estão no mercado já contêm alguma tecnologia de pagamento por aproximação.

Porém, como todo início de grandes revoluções, ainda há muitas barreiras a serem quebradas. Culturais, orçamentárias, logísticas e por aí vai. Por isso, todo conteúdo que possa ajudar é bem-vindo!

Para ajudar, trazemos as experiências que Orlando Purim Junior, CEO e Diretor Executivo da ATAR Tecnologia, dividiu com o público da última edição do Paytech, evento realizado pela Blueprintt. Confira!

A escalada da ATAR no mercado de wearables

O primeiro produto no qual a ATAR investiu, sempre pensando na tecnologia como uma extensão do corpo humano, foi a ATAR Band, uma pulseira para pagamento por aproximação.

A ideia era criar algo que podia ser vestido e serviu de gancho na escolha do formato do produto. “O intuito não é apenas o pagamento, mas sair de casa com cada vez menos coisas na mão. A ideia é que este produto também sirva como uma chave digital para portas de casas, por exemplo”, explicou Purim.

O especialista trabalha no mercado de contactless há alguns anos. Para ele, uma das maiores barreiras encontradas para a guinada definitiva dos wearables é a aceitação. Purim consegue enxergar todos os lados da operação: adquirentes, meios de pagamento, bandeiras, emissores e usuários.

Nesta jornada apresentada por Purim sobre a escalada dos werables, há temas como o que é o contactless de fato, o que ele possibilita, o panorama dele no Brasil, os principais desafios, um case de sucesso e algumas conclusões sobre o tema.

Continue a leitura para saber mais!

O que é contactless

O contactless, grosso modo, é um serviço que faz uma autenticação ou um pagamento sem precisar que um dispositivo faça contato físico. Um caso clássico é o dos cartões de crédito. 

O intuito é melhorar a experiência do pagamento eletrônico e expandir a área de atuação. Um grande avanço é a aproximação com o conceito da internet das coisas. Esta nova tecnologia possibilita fazer pagamentos por meios que nunca haviam sido usados para isso, como relógios e óculos.

Os lugares aonde esta tecnologia pode ser utilizada passam por comércio e transporte, entre outros. Um grande case para Purim acontece em Londres. Por lá, foi lançado uma espécie de bilhete único que começou a aceitar recargas contactless. Neste caso, o próprio cartão de débito, crédito ou pré-pago é aproximado diretamente a uma máquina acoplada na catraca e faz o desconto do valor.

Atualmente, eles totalizam em torno de 1 milhão de passagens pagas desta maneira, o que seria de grande ajuda no Brasil, já que um terço dos bilhetes gerados no sistema de transporte público são pagos via dinheiro em espécie. Este montante equivale a cerca de R$ 24 bilhões e gera muitos transtornos envolvendo segurança e controle, por exemplo.

Além disso, a capital inglesa conseguiu aumentar a entrada de 10 passageiros por minuto para 40, otimizando a circulação nas catracas e reduzindo o tempo médio de uma viagem em sete minutos.

O desenvolvimento do contactless no Brasil

O Brasil conta um dos maiores parques de infraestrutura de contactless do mundo, uma iniciativa da Cielo e da Visa NET.

Como já dissemos, cerca de 70% das máquinas de pagamento em uso no Brasil já têm contactless. Porém, ainda há uma carência muito grande no desenvolvimento de softwares para os adquirentes.

Outro avanço que ainda precisa ser conquistado por aqui é a padronização da aceitação deste serviço. Cada empresa trabalha com diferentes formas de estruturação desta jornada, principalmente em relação ao que se pede e à ordem de tópicos dos menus.

Hoje, praticamente, todos os POSs já saem de fábrica com contactless. No entanto, há uma questão que preocupa o mercado: a chegada dos MPOSs. Eles vêm com tecnologia via bluetooth em busca de competitividade de preço, o que atrapalha o desenvolvimento do cenário.

“O mercado de emissores também enfrenta uma grande resistência. Poucos cartões são emitidos e, para a realidade do brasileiro, a educação para este cenário novo é muito mais fácil por meio de um produto como este, pois a população já está familiarizada”, salientou Purim.

De acordo com a maioria das empresas que não produzem os cartões, é alto o custo de transição, já que as máquinas em que eles são aceitos atendem à maior demanda do mercado — o famoso “para quê mexer em time que está ganhando” —, limitando o olhar para o futuro.

Visa e a Mastercard fazem uma boa movimentação neste mercado por meio de um grupo para discutir, especificamente, a padronização e o aumento da emissão de dispositivos contactless.

Entre as empresas famosas que já usam o serviço no Brasil estão Casa do Pão de Queijo, Rei do Mate w McDonald’s, entre outras. Mas com avanços ainda a passos lentos. Já entre as pequenas e médias, voltamos à questão das máquinas MPOSs, com tecnologia em torno do bluetooth, pois o preço é muito mais competitivo.

Além de tudo isso, há um problema cultural sobre a confiança em relação ao dinheiro e a ignorância de boa parte das pessoas que trabalham no varejo em relação a como se usa os dispositivos.

Se não se utiliza o serviço, não se cria a cultura: por isso, essa é uma das grandes barreiras.

A sacada da Starbucks

Um case muito conhecido em eventos de pagamento, segundo Purim, é o da Starbucks. A empresa criou um wallet próprio para comprar cafés. O resultado foi um montante de transações digitais maior do que o de gigantes como Apple Pay e Samsung Pay.

Grandes fatores para esse sucesso foram a solidez da marca e o universo ao alcance de todos. O cliente sabe que é só ele pegar o celular que terá o suporte dos funcionários se tiver problemas, agilidade no processo e segurança do resultado — o que seria diferente com o mesmo serviço de outra empresa.

Entre as principais conclusões sobre o assunto, na ótica de Purim, estão:

  • falta 25% da rede de pagamentos no Brasil aderir ao contactless e é primordial este avanço para a adesão por parte do cliente;
  • a falta de preparo dos lojistas;
  • o travamento de batalhas com outros meios de pagamento digitais anteriores ao contactless, como o QR Code.

A sua empresa já aderiu ao contactless? Divida com a gente a sua experiência!

Autor

Ana Paula Rocha

Formada em jornalismo pela PUC-SP e pós-graduada em Mídias Digitais pelo Senac, Ana Paula Rocha tem mais de 10 anos de experiência com reportagens especializadas e para a internet. Atualmente, é gerente de conteúdo na Blueprintt, à frente das áreas de Serviços Financeiros, Finanças Corporativas e Serviços de RH.