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Como utilizar uma crise para desenvolver novos hábitos?
Transforme sua capacidade de liderança compreendendo como funcionam os hábitos das organizações e como mudá-los em meio a uma crise

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Grande parte dos líderes buscam se desenvolver e causar impactos positivos dentro das organizações, mas nem sempre percorrer esse caminho é uma tarefa simples. Além das inspirações habituais, a liderança tem atuado em tempos mais ambíguos e complexos que as empresas já conheceram.

A atual crise sanitário-econômica tem causado constantes mudanças no ambiente corporativo, dentre elas: equipes mais enxutas, volatilidade nos negócios, incertezas na economia e instabilidade emocional.

Entretanto, se mudarmos um pouco a perspectiva podemos enxergar esse momento como uma oportunidade para desenvolvimento de novos hábitos dentro das empresas e com isso, transformar a atuação dos líderes.

Nesse sentido, teremos abaixo uma síntese do livro “O poder do hábito”, de Charles Duhigg, que traz ensinamentos valiosos para quem busca entender essa poderosa ferramenta de transformação.

O que são hábitos e como eles funcionam?

O livro aborda os hábitos na sua definição técnica: escolhas feitas inicialmente de forma consciente, nas quais paramos de pensar depois, apesar de continuarmos fazendo normalmente todo dia.

Ou seja, são o piloto automático do nosso cérebro, encontrar uma forma de ele colocar tarefas rotineiras em segundo plano e poupar energia para as mais complexas. O interessante é que essas tarefas em segundo plano, representam mais de 40% das ações que as pessoas realizam todos os dias.

Isso tudo pode ser esquematizado por um mecanismo simples, o loop do hábito. Este loop é formado por: deixa, rotina e recompensa. A deixa é o gatilho, algo que lembra nosso cérebro de que uma recompensa pode ser alcançada se realizarmos certa rotina.

Por exemplo, um celular vibrando é uma deixa que nos lembra que ler nossas mensagens (rotina) proporciona uma distração momentânea (recompensa). Sempre que o celular vibrar, nosso cérebro vai lembrar deste loop e será impelido a fazê-lo.

Como transformar seus hábitos

A regra de ouro para mudar o loop do hábito é alterar a rotina, mantendo a deixa e a recompensa. O processo dessa mudança pode ser dividido nos seguintes passos:

  • Identifique o loop: Descubra a deixa, a rotina e recompensa. Vá na essência e entenda os reais motivos que movimentam seus hábitos;
  • Substitua a rotina, mas mantenha a deixa e a recompensa: Esta é a regra de ouro da mudança. Isso porque alterar as deixas e recompensas é comprovadamente mais difícil do que substituir a rotina. Essa técnica de mudar apenas a rotina é muito usada em grupos de combate ao tabagismo ou consumo de álcool. Descobrindo a deixa e recompensa de beber ou fumar, muda-se a rotina por algo que traga sensação semelhante;
  • Apoie-se em grupos: Grupos de apoio e troca de experiências ajudam a manter o foco na mudança de hábito. Segundo pesquisas, esta é a diferença entre pessoas que conseguiram mudar e as que tiveram recaídas no meio do caminho.

Embora descrever essa metodologia pareça simples, não significa que ela seja, necessariamente, fácil aplicar. Transformar um hábito não é algo rápido – e também não é uma ciência exata, mas entender seu mecanismo é a chave principal desse processo.

A neurologia do livre-arbítrio

Os hábitos, mesmo depois que estão arraigados em nossas mentes, não são um destino inevitável. Podemos escolhê-los e moldá-los. Tudo o que sabemos sobre o assunto, seja por neurologistas estudando pacientes ou experts organizacionais reestruturando empresas, é que eles podem ser alterados, se entendermos como funcionam.

Mas para modificar um hábito é preciso decidir mudá-lo. Uma vez que você sabe que eles existem e são maleáveis, você se torna responsável por eles. Este é o verdadeiro poder do hábito: a revelação de que seus hábitos são o que você escolhe que eles sejam.

É preciso entender esses padrões e olhá-los de fora. Como disse William James, grande estudioso, “toda a nossa vida, na medida em que tem forma definida, não passa de uma massa de hábitos – práticos, emocionais e intelectuais – sistematicamente organizados para nossa felicidade ou nosso sofrimento e nos conduzindo irresistivelmente rumo ao nosso destino, qualquer que seja ele”.

O poder de uma crise

Pode parecer que a maioria das organizações faz escolhas racionais com base em um processo bem estruturado de decisões. Mas na verdade elas são guiadas por hábitos organizacionais de longa data, ou seja, padrões que muitas vezes surgem das decisões independentes de milhares de empregados.

Estes padrões são de suma importância para as empresas, pois oferecem centenas de regras necessárias para seu bom funcionamento. Os hábitos organizacionais possuem também a importante função de criar trégua entre grupos conflitantes, pois são incorporados como regras da convivência diária. No entanto, essas tréguas só são duráveis quando criam uma sensação de justiça real.

Outro risco dessas tréguas é o de criarem uma acomodação de hábitos, refletindo em ruídos entre departamentos, falta de comunicação e colaboração. Uma boa oportunidade para quebrar os costumes corporativos destrutivos é tirar proveito de momentos de crise, pois eles tornam os hábitos mais maleáveis. Muitos líderes até criam um senso de crise e catástrofe iminente para proporcionar mudanças.

Para elucidar melhor esses pontos, gostaríamos de propor um breve exercício: tente identificar um momento de crise e retomada de uma empresa na qual trabalhou ou que conheça bem. Avalie este cenário pela perspectiva do hábito. Quais hábitos organizacionais levaram à crise e como eles foram alterados depois dela, para que a retomada fosse possível?

Como as crises têm a tendência de tornam hábitos organizacionais mais flexíveis gerando a possibilidade de alocar responsabilidades e criar um equilíbrio de poder, é possível analisar internamente as empresas no atual momento em que estamos vivendo e traçar um plano de mudança que beneficie não apenas os líderes, mas toda a corporação.

E como sua empresa tem lidado com esse momento de crise? Compartilhe conosco nos comentários!

Autor

Dayane Dechiche

Formada em Relações Públicas pela Universidade Metodista e pós-graduada em Gestão de Comunicação e Marketing pela Universidade de São Paulo. Tem experiência com organização de eventos e produção de conteúdo. Atualmente, é analista de pesquisa e conteúdo da Blueprintt.