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Como manter a operação industrial eficiente nos tempos atuais?
Veja as estratégias adotadas por executivos de grandes empresas para manter a operação industrial eficiente nos tempos atuais

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Em meio ao novo normal, o modelo de negócios e operações não será mais o mesmo. Ter um plano estratégico e estar atento às mudanças é um dos caminhos para se manter competitivo e garantir o bom funcionamento da operação industrial.

O processo de transição ou adaptação envolvem vários esforços e desafios. E as companhias possuem estratégias distintas para se preparem e capturarem oportunidades que permitam a realização de um gerenciamento eficaz de suas operações.

Neste sentido, tivemos um painel de debates na última edição do Manufacturing Excellence Summit falando justamente sobre as formas de se manter eficiente e competitivo usando inovação e buscando melhoria das operações.

O painel contou com a participação do Angelo Figaro Egido, LATAM Sr. Executive Director IS/IT (CIO), Innovation and Digital Transformation da Renault-Nissan-Mitsubishi; Felipe Magaldi, Gerente de Planta Industrial do Grupo Boticário; Ricardo Monzani, Diretor Industrial da Eaton; e Tobias Bender, Gerente Industrial da Serac.

Trouxemos um overview dos principais pontos discutidos pelos executivos. Confira!

Foco das empresas para manter a operação industrial

É uma característica forte da indústria automotiva buscar e prezar pela excelência operacional e, em tempos de pandemia, a primeira preocupação foi trazer um ambiente seguro aos colaboradores. Além disso, a Renault-Nissan-Mitsubishi tem buscado, com a utilização de tecnologia e eficiência dos processos, olhar cada vez mais para fora da empresa.

Antes da pandemia, o Grupo Boticário estava batendo recordes de volume e produtividade, mas houve uma ruptura grande. Por terem diversas linhas de produção com muita customização, não foi possível realizar automações em um grau absoluto.

Em abril e maio fizeram revezamento do pessoal da fábrica e focaram na redução de todos os custos possíveis e após isso, a demanda voltou de forma expressiva. O desafio atual é a criação de estratégias em conjunto com os fornecedores para que os insumos acompanhem a alta da demanda e a operação industrial se mantenha.

Todas as indústrias estão sofrendo com o disparo do euro e dólar, tanto na importação de peças quanto nas commodities. Uma das soluções que a Serac encontrou para resolver este ponto, foi o desenvolvimento de parcerias com fornecedores nacionais e evitar grandes customizações utilizando peças padrão.

Capacitação da mão de obra 

O Grupo Boticário vinha estruturando um programa de times de alto desempenho com células semi autônomas. A fábrica, neste segmento, precisa ter uma atmosfera flexível para ser um viabilizador das variações de demandas.

Estão amadurecendo este programa atualmente, com o auxílio de uma consultoria externa para trazer a roupagem ideal neste novo cenário. Além disso, construíram um game para injetar elementos de indústria 4.0 e internet das coisas aos líderes e técnicos e este game possui um ranking que premia os melhores ano final do ano.

Ao longo do tempo a cultura precisa ser de aprendizado e empoderamento das pessoas, muitas vezes as respostas não estão nos líderes, mas sim no funcionário que está envolvido no dia a dia da operação. Nem sempre as pessoas estão preparadas para este movimento, mas é um paradigma que vem sendo mudado na Renault-Nissan-Mitsubishi ao longo do tempo.

A Serac está investindo em treinamentos para conscientizar com relação à importância do planejamento antes de partir para a execução, usando o conhecimentos das equipes do chão de fábrica e incentivamento uma maior interação.

Já a Eaton está colocando uma energia muito grande em treinamentos básicos que usam tecnologias para ser mais atrativos e falam a linguagem do pessoal mais jovem. Há, por exemplo, jogos de tabuleiros e treinamentos online, mas sempre voltados para ensinar o básico e focados na resolução independente de problemas.

Estratégias voltadas para a Indústria 4.0

A Boticário possui um roadmap de indústria 4.0 que envolve todos os elos da cadeia: fábrica, logística, distribuição e P&D. Na fábrica, especificamente, estão investindo fortemente no Manufacturing Execution System – MES e finalizando a jornada de terem todos os dados de performance e das máquinas atualizados em tempo real.

O universo da empresa está inserido em uma rotina de inovação muito intensa e no lançamento de vários produtos nas fábricas, mas como o centro de pesquisa fica localizado em São José dos Pinhais existia a necessidade do time de P&D junto com o de engenharia precisarem se locomoverem até as fábricas para realização dos lotes pilotos e lançamento dos itens.

Com a pandemia aceleraram o uso de smart glasses e isso se tornou uma nova rotina na empresa, sem ter o deslocamento das pessoas, mas virtualmente os responsáveis participam de todo o processo de lançamento nas fábricas.

Globalmente, a Renault-Nissan-Mitsubishi tem um programa voltado para indústria 4.0 e para manufatura e supply chain foram definidas 4 prioridades: deixar os dados da fábrica disponíveis para os operadores e empresas em tempo real; o segundo grande eixo é a traçabilidade fim a fim desde que o componente sai do fornecedor até a entrega ao cliente final; manutenção 4.0, por representar um gasto expressivo; e o quarto eixo está voltado para trazer mobilidade aos operadores de linha através do uso de smartphones e tablets.

A Eaton tem um roadmap global que está sendo desdobrado de forma contínua em todas as plantas e escolheram 4 pilares centrais de trabalho: manufatura aditiva; Manufacturing Execution System – MES; automação trazendo mais robôs colaborativos e realidade virtual. A ideia foi fugir do modismo e implementar apenas o que realmente faz sentido e funciona para a empresa já com os devidos retornos comprovados.

E na sua empresa, quais têm sidos as principais estratégias para manter a operação industrial? Compartilhe conosco nos comentários!

Autor

Dayane Dechiche

Formada em Relações Públicas pela Universidade Metodista e pós-graduada em Gestão de Comunicação e Marketing pela Universidade de São Paulo. Tem experiência com organização de eventos e produção de conteúdo. Atualmente, é analista de pesquisa e conteúdo da Blueprintt.