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Como desenvolver agentes de transformação nas empresas?
A pluralidade das pessoas e do mercado fazem quase com que seja obrigatório o desenvolvimento de agentes de transformação nas empresas. Saiba mais!

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Um dos grandes desafios das empresas — que pode virar um problema externo se não receber atenção — é lidar com a pluralidade das pessoas e do mercado ao mesmo tempo.

De estagiários a gerentes, todos tentam alcançar o mesmo objetivo. No entanto, coexistem diferentes tempos e perfis de aprendizado. Ao mesmo tempo, é preciso acompanhar direcionamentos de mercado, novas tecnologias e maneiras de se fazer o que já se sabia há anos.

Pensando no ato de rebeldia como uma chave para a busca pelo conhecimento, além do objetivo de alinhar as faixas-etárias e os conhecimentos dentro da empresa, a Reserva, carioca do ramo da moda, resolveu criar um programa de desenvolvimento de agentes de transformação com a ajuda do especialista Gustavo Brito.

Na última edição do Educorp, evento sobre o tema realizado pela Blueprintt, ele dividiu com o público como funciona a ferramenta e o propósito traçado por meio de trilhas de conhecimento.

Descubra como desenvolver agentes de transformação na sua empresa!

Como encontrar a sua visão de mundo

Para Brito, toda instituição de ensino se manifesta por meio de uma visão de mundo, seja ela acadêmica ou corporativa. Foi por isso que a Reserva resolveu criar a Escola de Rebeldia em 2017.

O estado de impermanência do mercado foi o estopim da empresa para este projeto. No entanto, o que mais baseia a ideia é o quanto as várias faixas-etárias de colaboradores eram impactadas de maneiras diferentes por isso.

“Rebeldia foi um nome que causou estranheza desde que batizamos o projeto. Porém, ao contrário do que muitos pensam, o termo não tem só a ver com sair quebrando e queimando as coisas, mas também com inquietude, o que, para mim, é a base de todo conhecimento”, explicou Brito.

Com essa ideia, a intenção da marca não é empoderar — até porque ela não acredita que se cria isso de fora para dentro — ou capacitar, mas sim provocar.

Como exemplo, Brito comparou o projeto com o coelho de Alice no País das Maravilhas, pois o papel dele era mostrar para a protagonista algo mágico que ela nunca tinha notado.

Assim, a Reserva consegue desenvolver agentes de transformação.

A estrutura do programa Escola de Rebeldia

Atualmente, o processo é todo presencial, mas a ideia é mesclar com uma plataforma online.

Ele contempla apenas os colaboradores do Rio de Janeiro. Porém, em breve, englobará toda a empresa, que hoje tem 1.400 profissionais.

São 12 as competências avaliadas na Escola de Rebeldia e a sua construção é 100% ligada ao manifesto criado pela empresa, dividido em três eixos:

  1. ser: atitude de dono, foco no cliente, relacionamento e qualidade;
  2. estar: visão holística, inovação, perenidade, trabalho em equipe e resiliência;
  3. fazer: aprendizagem, produtividade, gestão, pessoas e rotina.   

Sobre o ponto “trabalho em equipe”, para a empresa existe um gap educacional.

“Na escola, somos incentivados a apresentar trabalhos individualmente, mesmo tendo feito em grupo. A não olhar pro lado ou não colar na prova. Aí chega no trabalho e falam ‘precisamos de alguém proativo, que saiba trabalhar em equipe'”, ressaltou Gustavo. 

Ele ainda complementou com uma frase que gosta muito de utilizar: “seja você, mas nem sempre você e nem mesmo o mesmo”.

Daí, nasceu uma grade que hoje tem 30 conteúdos, podendo ser percorridos de forma horizontal (evolução por tema) ou vertical (evolução por tempo).

As jornadas para criar agentes de transformação

Aqui vão algumas das jornadas criadas para a Escola de Rebeldia para desenvolver agentes de transformação!

  • mergulhador de si mesmo: permite aos colaboradores olharem para dentro, trabalhando as emoções, o reconhecimento de qualidades e defeitos e o autoconhecimento;
  • habitografia: baseada no livro O Poder do Hábito, de Charles Duhigg;
  • pica-pau pra toda obra: permite uma visão holística, potencializando o conhecimento dos processos internos e transformando as experiências profissionais em conteúdo. Assim, prepara os colaboradores para serem replicadores;
  • despacito: sobre a jornada do usuário e o conhecimento do processo para desenhá-la, além de coletar ideias para melhorias;
  • o olho que tudo vê: também usa uma visão holística, porém com foco no cliente;
  • clientologia: focada em comportamento e tendência de pessoas, não só de consumidores;
  • criativo confesso: busca recuperar o que eles chamam de “tempo perdido” que a escola deveria ter investido em criatividade;
  • comunicação das galáxias: trabalha comunicação afetiva, escuta ativa e comunicação não violenta.

Esta sequência de assuntos serve para a percorrida horizontal do processo.

No caminho vertical, a linha condutora do aprendizado é o tempo de duração dos cursos, reunindo aqueles de 3 ou 6 horas para o início e fazendo com que, mais agilmente, os colaboradores se tornem “rebeldes” aptos e, consequentemente, agentes de transformação.

Objetivos e resultados

“Quando o colaborador termina toda a trilha, o chamamos de ‘rebelde com asas’, mesmo que seja para voar para fora da empresa”, disse Brito.

Para a Reserva, um dos grandes objetivos é que as pessoas tenham propósitos e causas compatíveis com os da empresa. Se elas não tiverem, eles incentivam que encontrem fora o que procuram, se for o caso.

Os avanços e as conclusões de etapas têm reconhecimentos virtuais e físicos. Nos seis primeiros meses do projeto, somente com aulas presenciais, o alcance foi de 737 alunos, 18% do headcount fixo, o que caracteriza um grupo de 260 pessoas.

Ao todo, são 144 horas de conteúdo e, nestes seis meses, foram disponibilizadas apenas 24 datas, o que caracteriza ainda melhor a força do engajamento que o projeto ganhou.

Além disso, há reuniões periódicas, pesquisas e medições possíveis, para que se possa sustentar o máximo possível a qualidade do programa e desenvolver agentes de transformação cada vez mais capazes.

O que a sua empresa faz para desenvolver agentes de transformação? Conte para a gente!

Autor

Flávia Lima

Flávia Lima é jornalista pela PUC-SP e pós-graduada em Comunicação e Marketing pela ECA/USP. Possui ampla experiência como jornalista setorizada. Atualmente, é gerente de conteúdo da Blueprintt, responsável pelo planejamento de congressos corporativos nas áreas de RH Estratégico, Marketing e Tecnologia da Informação.