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Woop Sicredi: como combinar a solidez de uma financeira à cultura de uma startup
A cooperativa de crédito viu que o formato do seu core bancário estava inadequado e resolveu lançar uma nova marca mais próxima à transformação digital que vivemos.

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Muitos empresários se perguntam como adotar a cultura de uma startup nas empresas tradicionais do mercado.

 

A verdade é que a virada digital do mercado, perante como o víamos há alguns anos, não deixa ninguém escapar.

 

Até as grandes corporações, que pareciam ter seus direcionamentos intocáveis, estão sendo obrigadas a repensar os seus princípios e propósitos afim de atender os novos perfis de consumo e às motivações profissionais, tanto para seu público interno, quanto externo.

 

Com certeza, já temos grandes exemplos para citar aqui, principalmente aqueles aplicativos mais vistos pela mídia, como o Bradesco e o seu Banco Next e o Itaú e o Cartão Zero, no setor financeiro, o Airbnb, no setor hoteleiro, e a Uber e 99taxi, no de transportes.

 

Mas existem aqueles que ficam por trás dos holofotes, como é o exemplo do case que vamos abordar aqui hoje, da nova marca da Sicredi, a Woop.

 

Foi para seguir muitas das linhas de ganho com toda transformação digital que o mercado tem mostrado, principalmente sobre a aproximação com o público jovem e um maior despertar no sentimento de dono de seus clientes, que cooperativa lançou a plataforma.

 

Cooperativa de crédito

 

Primeiro é importante conhecermos um pouco mais sobre a própria Sicredi. Ela é uma empresa tradicional no ramo financeiro de cooperativismo de crédito e foi a primeira a realizar a junção de 116 cooperativas de crédito em um só lugar.

 

Esta iniciativa foi também para regulamentar todo o trabalho feito no segmento e para oferecer alguns benefícios aos cooperados.

 

É o caso do Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop), que assegura um valor por associado referente a depósitos e o Sicredi Fundos Garantidores, que possibilita a união das cooperativas centrais, além do ganho em escala e de potencial de cada uma delas.

 

Em parte, esta plataforma funciona como um banco comum. Então é possível realizar transações, pagamentos de contas de consumo, poupança, limites de crédito e transferências.

 

Mas a expectativa é que, ao longo do tempo, eles integrem ainda mais funcionalidades.

 

Cultura de uma startup

 

“Tudo tem sido um grande desafio, hoje os clientes abrem o celular e tem um Guia Bolso ou um Nubank, precisávamos avançar, porém também sem desrespeitar o cenário de uma empresa com mais de 115 anos de história”, inicia o assunto Antônio Caires, líder do time de transformação digital da Sicredi.

 

Quando falamos em estabelecer uma nova cultura dentro de uma empresa, não dá pra esquecer que ela já está em todo um mercado.

 

Neste caso, não só nas frente financeiras, como fintechs, insurtechs e nos próprios bancos mais tradicionais, por exemplo, mas também nas avançadíssimas Amazon e Google.

 

Hoje se o consumidor tiver uma boa experiência em uma plataforma e em outra não, ele não vai parar e avaliar o segmento, o serviço ou produto que cada uma entrega. É preciso ter agilidade, inovação, tecnologia e boa prestação de serviço.

 

Se o aplicativo tem, é considerado ótimo. Se não, é excluído.

 

Pensando no contexto de grandes empresas absorvendo novas tecnologias, a Sicredi teve que quebrar um pouco a hierarquia e a burocracia interna para avançar nesta transformação.

 

Houve, por exemplo, a abertura de áreas para ciclos mais rápidos, pensando primordialmente em agilizar processos.

 

“Se um cara do financeiro precisa de uma avaliação simples de um outro cara do jurídico e tiver que aguardar um e-mail isso entrava o trabalho, eles podem, simplesmente, um ir a mesa um do outro, resolver e aí cada um volta ao seu posto de trabalho, este é o pensamento agora”, comenta Caires.

 

Outra coisa que os tem ajudado muito nesta união de cenários é a estadia dentro do mesmo prédio da Tecnopuc, parque científico e tecnológico da Pontífica Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

 

Assim, eles puderam fazer projetos junto ao laboratório de pesquisa da universidade, fora este ambiente estudantil que intensifica descobertas.

 

 

Inspirações

 

Agora entrando mais afundo ainda, para falar do aculturamento digital no próprio cooperativismo, segundo Caires, já houveram algumas inspirações fora do mercado financeiro. A Stockse, por exemplo, é uma cooperativa de fotógrafos.

 

Nesta plataforma, utilizam o benefício da escala digital para, por exemplo, vender suas fotos para qualquer país do mundo e gerar um percentual de lucro mais justo para os fotógrafos. Ano passado a organização faturou 11 milhões de reais.

 

“Enxergamos este negócio como um lugar com mais propósito e valores, você tem poder de voto e participações financeiras”, salientou Caires, como parte importante desta virada cultural também, já que cooperativismo tem tudo a ver com a intersecção de cada vez mais pontos do serviço.

 

A engrenagem

 

A cada cinco anos a Sicredi faz revisões do seu planejamento estratégico, e esta foi uma das paradas necessárias, que os fizeram identificar que o formato do core bancário que utilizavam no momento era inadequado.

 

Comparando a infraestrutura de negócio que tinham à um motor de carro, por exemplo, se precisasse fazer uma viagem mais longa, poderia os deixar na mão.

 

“Não adianta aplicar todo mapa de um país em PDF dentro de um aplicativo, era preciso criar um Waze, este pensamento é o que mais temos exercitado por aqui”, frisa Caires, lembrando que eles trabalham com mais de 100 empresas, cada uma com uma evolução tecnológica diferente, era necessária muita cautela e estratégia.

 

Dentre os principais benefícios do Woop temos: uma aba para enxergar quais são os dados gerais da instituição, membros do conselho, capital social, tamanho da companhia e instituições que apoiam, dados difíceis de se encontrar neste mesmo mercado.

 

Além disso há programas de fidelidade, desbloqueio de cartões para compras presenciais ou apenas online, troca de senha em tempo real, funções como limite de crédito, crédito fácil, organizador financeiro, entre outros.

 

“São mais de 180 pessoas trabalhando nesta plataforma entre colaboradores e parceiros” comenta Caires.

 

E, vale lembrar, a Woop não é toda transformação digital da Sicredi, mas sim parte dela. Afinal, estamos falando da mudança de olhar de toda uma empresa que opera há mais de 100 anos no mercado financeiro.

 

Gostou do case da Sicredi?

 

A cooperativa vai estar presente no Congresso C4 2018, que reunirá em outubro cases inovadores em meios de pagamento, crédito e cartões.

 

Saiba mais clicando aqui.

 

Autor

Barbara Marques

Barbara é graduada em Jornalismo pela FIAM-FAAM, atua profissionalmente há cinco anos, tanto em conteúdo factual, quanto para empresas. É especialista em produções relacionadas à tecnologia, fraude, business e marketing, entre outros. Além de vasto conhecimento em cobertura de eventos, palestras e coletivas.