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Guia rápido: como implementar inovação no departamento jurídico da sua empresa
Multinacionais vêm investindo pesado em tecnologias no departamento conhecido como conservador, como softwares que geram relatórios qualitativos e até o uso de inteligência artificial.

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Inovação no jurídico? Difícil.

Dentro de uma empresa, o setor sempre é visto como o mais “careta”.

Enquanto a equipe de marketing se comunica por meio de emojis em ferramentas online, os advogados ainda usam e abusam de termos em latim no dia a dia.

O conservadorismo do departamento ainda pode ser percebido pelo dress code: faça chuva ou faça sol, lá estão os advogados com terno e gravata e advogadas com tailleurs, camisas blazers e salto alto.

Diante desse cenário, implementar a cultura de inovação no departamento jurídico parece uma missão impossível. Mas não é.

De fato, tradicionalmente o setor jurídico tende a ser mais conservador e acaba sendo um dos últimos elos da cadeia tecnológica.

No entanto, já existem muitas empresas multinacionais investindo pesado em tecnologia no departamento.

Os exemplos vão desde a implementação de softwares que geram relatórios qualitativos até o uso de inteligência artificial na análise de grandes volumes de documentos.

E o melhor: as experiências estão trazendo resultados na prática.

Para se ter ideia, já foram investidos, nos Estados Unidos, mais de 1 bilhão de dólares em lawtechs, que são empresas, em sua maioria startups, que desenvolvem soluções tecnológicas para o mundo jurídico.

E as lawtechs estão se espalhando mundo afora…

Essa mudança de mindset vem acontecendo no setor jurídico por um simples motivo: o mundo mudou. Aliás, ele não para de se transformar a cada dia.

Há cinco anos, por exemplo, quem podia imaginar que era possível chamar um carro privado de um desconhecido que o levasse de um lado para o outro? Hoje, o Uber faz parte da nossa rotina.

Enfim, a nova geração reage muito bem ao novo. Isso força as empresas a investirem em tecnologia em todos os setores, inclusive no jurídico.

Se a sua empresa ainda não tem uma cultura de inovação no departamento, veja nossas dicas neste artigo.

Advogados em sintonia com o mundo atual

Implementar a cultura de inovação no departamento jurídico não se resume a utilizar um software de análise de dados ou de inteligência artificial.

Para Bruno Feigelson, presidente da Associação Brasileira de LawTechs e LegalTechs (AB2L), os profissionais do direto precisam acompanhar as novas tendências da tecnologia, mesmo que não trabalhem diretamente com elas.

“Se nós advogados não estivermos muito inteirados na novidade da inovação, como deep learning, inteligência artificial e blockchain, não teremos a capacidade de contribuir com o mercado. Em um mundo de tantas transformações, não podemos mais nos comportamos do mesmo jeito que décadas atrás”, afirma o especialista.

Em tempos em que as leis já nascem velhas, ficar antenado às tendências da tecnologia se tornou uma obrigação para os profissionais do direito.

Ou por acaso você estudou na faculdade casos de remoção de conteúdo nas redes sociais e de questões jurídicas envolvendo as moradias compartilhadas?

Esses são temas cada vez mais rotineiros. Portanto, não dá mais para ficar alheio às tendências tecnológicas.

O e-mail já foi uma ameaça…

De forma equivocada, os profissionais podem entender que a tecnologia vai substituir o trabalho humano. Mas, na verdade, ela traz muito mais inteligência para tomada de decisões.

E essa não é uma preocupação recente.

Quando o e-mail surgiu, muitos o enxergaram como o fim da advocacia. Ele acabaria com a relação pessoal, ninguém mais sentaria com o cliente frente a frente.

Hoje em dia, quem consegue pensar numa advocacia sem e-mail?

Pegar esse exemplo pode ser uma alternativa para convencer os gestores da sua empresa a investirem em tecnologia no departamento jurídico.

Menos tarefas repetitivas, mais economia

Produzir mais gastando menos.

Esse é o sonho de qualquer empresa, que pode se tornar possível graças às soluções tecnológicas. Inclusive no setor jurídico.

“Temos visto uma massificação de demandas, o que traz uma padronização de determinados processos. Isso possibilita oportunidade de automatização para que nós ganhemos em escala e eficiência e reduzimos custos na prestação de serviço”, comenta Filipe Tavares, gerente jurídico da Braskem.

Sabendo que muitas tarefas dos advogados se tornaram repetitivas no dia a dia, por que não automatizá-las?

Desde o começo de 2017, a Unilever tem percebido os benefícios da tecnologia na prática.

Com a ajuda de um software, o departamento jurídico consegue acompanhar cerca de mil processos trabalhistas internamente, sem a necessidade de pagar um escritório. Isso significa uma redução de custos impressionante ao longo do tempo.

“Além dessa redução de custos, eu tenho os recursos humanos internos mais focados em tarefas mais produtivas, o que implica uma economia incalculável de tempo e mais qualidade de vida para os colaboradores”, destaca Paulo Campos, gerente jurídico da Unilever.

É tudo uma questão matemática.

Você precisa provar para os gestores da sua empresa que a tecnologia no departamento jurídico deve gerar uma vantagem financeira a longo prazo.

Imagem positiva da empresa

Os departamentos jurídicos deixaram de ser acionados apenas para apagar incêndios.

Hoje, cumprem um papel estratégico muito importante nas empresas, especialmente no que se refere à imagem da marca.

Sabemos, por exemplo, que empresas com uma boa imagem transmitem mais credibilidade aos consumidores e, por consequência, vendem mais.

A tecnologia no jurídico é fundamental nesse processo. E é exatamente isso que Joaquim Ferraz Martins Filho, diretor do Groupe Renault, ressalta.

“Antes, eram necessários mais de 15 dias para ter enviar um contrato e recebê-lo assinado de volta. Nisso, começamos a utilizar a assinatura eletrônica de contratos na Renault e todo esse processo passou a ser feito em um dia. A pessoa não precisa mais rubricar dezenas de folhas do contrato. Isso gera maior satisfação dos clientes”, explica.

Faça testes aos poucos

Implementar a cultura de inovação no departamento jurídico não significa automatizar todos os processos da noite para o dia. Aliás, isso nem é recomendável.

O ideal é fazer testes com uma plataforma para resolver um pequeno problema.

À medida que as soluções tecnológicas começarem a apresentar resultados práticos, como economia de tempo e melhor visão sobre o negócio, é possível investir mais nelas.

De olho na inovação no jurídico

Por fim, você pode se convencer a implementar a cultura de inovação no departamento jurídico acompanhando diversos cases de sucesso em grandes empresas.

Neste ano, a Blueprintt organizou o Legal Innovation Fórum 2018.

O evento contou com a presença de diretores e gerentes jurídicos de grandes empresas que compartilharam suas experiências e apresentaram casos práticos da tecnologia no departamento.

Perdeu esta oportunidade?

Fique de olho na nossa agenda e conheça lições aprendidas nas principais corporações brasileiras.

Autor

Bruno Maddalena

Bruno é formado em jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduado em Marketing Digital pela Escola Superior de Propaganda e Marketing, já escreveu sobre e-commerce, empreendedorismo, franquias, marketing digital, mercado imobiliário e tecnologia.

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