Blog

Insights de gestão para você antecipar, assimilar e solucionar os seus desafios de negócio

Como a Ericsson usa seus colaboradores como influenciadores da marca
Os youtubers e artistas têm o cachê elevado e nem sempre atuam exatamente na fatia de mercado que a companhia deseja atingir. Conheça essa alternativa.

Conecte-se

Uma das estratégias mais utilizadas para a comunicação das empresas atualmente são os influenciadores digitais ou influencers. Mas não pense que somente os artistas ou youtubers podem ser usados assim, é possível usar seus próprios colaboradores como influenciadores da marca.

 

Isso porque, mesmo os youtubers sendo os profissionais mais procurados pelas empresas, além da maioria ter cachê elevado, nem sempre se encontra um que atue exatamente na fatia de mercado que a companhia deseja atingir.

 

Não importa o ambiente onde estejamos, a comunicação sempre vai ser uma importante arma de evolução social. Seja ela nas relações humanas, entre empresas, máquinas ou marcas.

 

Conseguir extrair das mentes de indivíduos ou grupos uma ideia e transformá-la em algo maior é uma missão mais difícil, porém mais rentável do que parece.

 

No mundo dos negócios, a comunicação, tanto interna quanto externa, é crucial para o andamento, sobrevivência e impulsionamento das marcas. Até porque qual empresa não quer estar no Top Of Mind dos consumidores e ter seu branding valendo milhões?

 

Aqui vão alguns exemplos das marcas mais valiosas do mundo, segundo o último ranking divulgado pela empresa de consultoria, Brand Finance.

 

  • A Amazon ultrapassou o Google e a Apple este ano e alcançou o brand value de US$ 150,811 bilhões, avançando 42% frente a 2017.
  • A Apple chega logo na sequência, registrando um crescimento de 37% frente ao ano anterior, ficando em US$ 146,311 bilhões.
  • Fechando o Top 3, vem a Google que, mesmo tendo uma alta de 10% desde a última avaliação, ainda fecha na casa dos US$ 120,911 bilhões.
  • Vale registrar o quarto lugar, pois é a primeira empresa não americana do ranking. A Samsung embala a lista tendo sua marca avaliada em US$ 92,289 bilhões.

 

Se tem uma coisa que estas empresas tem em comum é a força da comunicação, externa e interna. Enquanto estão sempre visíveis em publicidades, oriundas dos mais diversos tipos de canais, também ganham frequentemente prêmios de gestão de pessoas.

 

E também temos exemplos daqueles desenvolvidos pelas próprias empresas, como a Lu da Magazine Luiza e o case que vamos falar aqui hoje, o Conect Engage da Ericsson.

 

Conect Engage Ericsson

 

Talvez pareça fácil pensar em engajar pessoas dentro de uma empresa com atuação na América Latina e com cerca de 12.000 colaboradores. No entanto, não é um objetivo tão simples colocar um funcionário como porta-voz da marca, transmitindo sua missão, visão e valores.

 

Mesmo com este desafio, há sete anos a Ericsson embarcou na jornada de transformar seus próprios colaboradores em influencers.

 

No início, não havia nenhuma plataforma, aplicativo ou algo tão estruturado que envolvesse esta ideia, eram feitos apenas encontros em que se falava muito sobre os propósitos da marca, incentivando os participantes a espalhá-los por aí.

 

A princípio, o perfil das pessoas que participariam do então Branding Ambassadors era puro e simplesmente aquele funcionário que tinha a intenção genuína de fazer acontecer e paixão pela empresa.

 

E, de cara, já haviam 500 voluntários para o projeto, dos cargos mais variados possíveis, desde assistentes até diretores.

 

A evolução

 

Ao ver tanta gente interessada nesta ideia, a maioria sendo de áreas que realmente não tinham contato algum com o público externo e que, por isso, não conseguiam espalhar seu branding engage, a Ericsson resolveu começar a dar mais corpo ao projeto.

 

Para isto, revisitaram a missão e valores da empresa como um todo para que, da melhor maneira, pudessem criar sinergia e pontos de intersecção com os do Conect Engage.

 

“Quase metade das pessoas do mundo ao fazer alguma conexão online, ligação, acesso banda larga ou Wi-Fi usa Ericsson, pois temos 40% de Market Share. Isso nos fez entender o grau de importância que tínhamos no mundo todo e o tamanho do empoderamento da nossa inovação para além dos negócios, mas também na evolução de toda uma sociedade, levando benefícios a ela”, relata Leandro Baghdadi, Director Public & Media Relations da Ericsson.

 

Com este conceito, a participação no grupo começou a fazer cada mais sentido para as pessoas e o pensamento então evoluiu para: estou trabalhando em uma empresa que tem um propósito para a sociedade e, ainda por cima, em um grupo dentro desta empresa que quer propagar isso.

 

Outra grande transformação desta inciativa era conseguir mostrar aos consumidores o que a Ericsson oferece hoje, após o rompimento com a Sony. Ao perguntar às pessoas o que a empresa vende, muitos ainda lembram-se dos celulares, que, além de não serem fabricados mais, nunca foram o carro-chefe da companhia.

 

Sempre que uma ideia cresce dentro de uma empresa, outras áreas começam a se unir para entender como podem integrá-lo e utilizá-lo para outros braços da companhia.

 

Assim foi com o RH, que enxergou também no Conect Engage a possibilidade de virar um KPI de reconhecimento de colaboradores, que também incluía premiações para os que tivessem as melhores atitudes dentro de um determinado período.

 

 

Impactos sociais

 

Uma das grandes visões da Ericsson é proporcionar ao mundo uma sociedade completamente conectada e isso fez com que um importante integrante do Conect Engage fossem os trabalhos sociais.

 

Assim têm sido na comunidade da Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, com o projeto Conect to Learn, plataforma que ajuda crianças no reforço escolar, oferecida através de uma ONG que tem ativação social no local, em parceria com a Telefônica/Vivo.

 

E também com o “Amazônia Conectada”, também em parceria com a Telefônica/Vivo, que leva internet banda larga para as áreas ribeirinhas do estado.

 

“No primeiro ano do projeto o PIB da área triplicou. Havia pessoas que, por exemplo, produziam mel ou eram manicures e, através do celular, conseguiram disseminar melhor o trabalho”, frisa Baghdadi.

 

A Ericsson ainda ofereceu mais: os influenciadores mais assíduos puderam acompanhar e participar deste projeto, inclusive visitando os lugares beneficiados por eles.

 

Estruturando, crescendo e multiplicando

 

Há dois anos, desde que o Conect Engage começou a de fato ser reestruturado, a Ericsson tem orgulho em dizer que hoje quem participa dele sente o que eles mais queriam: estou trabalhando em uma empresa que faz algo pelo mundo.

 

Porém, mudanças estruturais precisaram ser feitas ao longo destes anos e o projeto ganhou uma trilha de conhecimento para certificação dos seus participantes, tendo 10 passos para sua conclusão.

 

Ela ensina coisas como, de que forma se deve utilizar o guideline da marca, qual é a história da empresa, skills para apresentações, como usar a assinatura eletrônica corretamente no e-mail, entender os impactos da Ericsson no mercado, entre outros.

 

“As pessoas já compartilhavam as coisas da empresa, porém encaminhando algo pronto e quem lia sabia que era só um reencaminhamento. Queríamos que as pessoas pudessem compartilhar conteúdos de maneira original e criar os seus também, que hoje vão pra base do projeto pra quem quiser compartilhar” contextualiza o diretor.

 

Hoje tudo é concentrado em um aplicativo de celular, de onde os colaboradores podem compartilhar os conteúdos em suas redes sociais ou criar os seus próprios conteúdos e realizar o seu upload.

 

Eles também recebem direcionamentos sobre as melhores formas e horários para postagem, podem planejar posts, além de conseguirem acompanhar os analytics para entender se estão sendo os mais engajados do mês, o que, aliás, é uma disputa por lá, que se chama Leader Board.

 

Hoje os chamados Digital Engagers do projeto totalizam 2.500 pessoas e não para de crescer.

Autor

Flávia Lima

Flávia Lima é jornalista pela PUC-SP e pós-graduada em Comunicação e Marketing pela ECA/USP. Possui ampla experiência como jornalista setorizada. Atualmente, é gerente de conteúdo da Blueprintt, responsável pelo planejamento de congressos corporativos nas áreas de RH Estratégico, Marketing e Tecnologia da Informação.

Conecte-se