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Como convencer o board sobre a implantação de big data na controladoria
Veja um caso prático de transição de processos manuais ao uso de big data na controladoria e leve a transformação digital à sua companhia

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A crise gerada pela pandemia da Covid-19 tem forçado a área de finanças a estar mais próxima do negócio. A transição rápida ao home office e a crescente necessidade de agilidade na tomada de decisão são fatores fundamentais, nesse sentido, para aceleração da transformação digital, que já era vista como necessária e inevitável nas companhias. Entre eles, o uso de big data na controladoria.

O big data permite que o grande volume dados produzido pelas empresas, em seus diferentes setores – não só a controladoria –, seja analisado por meio de algoritmos para que os profissionais identifiquem pistas significativas, prevejam resultados futuros e analisem tendências, de modo que as decisões possam ser tomadas mais rapidamente e os eventuais problemas sejam evitados.

Com a pandemia, justamente o uso de tecnologias, como a robotização, inteligência artificial (AI) e big data na controladoria, ficam em alta, assim como a necessidade de que o controller esteja próximo ao negócio, entendendo a necessidade das áreas e saindo de sua zona de conforto na reinvenção do business, atacando novos negócios e mitigando atritos nos processos atuais.

Isso se deve também ao fato do caixa e do planejamento preditivo serem prioridade máxima neste momento: a sobrevivência das empresas e dos empregos dependem deles.

Hoje vou compartilhar com vocês um caso prático apresentado na última edição do Controller’s Meeting, em 2019, sobre o processo de implementação do big data na controladoria industrial da Bauducco. Veja, a seguir, como montar um time focado na análise de dados confiáveis, sem excel ou inputs manuais.

O cenário anterior ao projeto

Assim como muitas companhias, antes da implantação do big data na controladoria, a Bauducco vivia um cenário sem tecnologia integrada, com controles manuais, demora na consolidação de dados, falta de padrão entre as suas fábricas no Brasil e análise reativa dos desvios.

A internacionalização da empresa, com a abertura de um site em Miami, nos Estados Unidos, e a busca incessante por produtividade para mitigar ineficiências e reduzir custos de manufatura justificaram uma transformação digital robusta liderada pela controladoria.

“Havia uma demora para ter uma resposta frente aos desvios, sendo que o mercado se mostrava preparado. Se você quer auxiliar a sua empresa a deslanchar de uma forma segura é preciso dar esse suporte à ela”, diz Rodrigo de Paiva Nery, Controller Industrial na Bauducco.

Nesse quesito, é importante salientar o papel do controller na tomada de decisão de outros departamentos. Inicialmente, a companhia possuía apenas a controladoria corporativa financeira. Depois, investiu em um modelo de business partner, alocando profissionais de controladoria nas fábricas, na área comercial, na logística etc.

Dessa forma, a missão passa a ser planejar o que a área precisa com base nos objetivos da empresa, traçando um planejamento estratégico e o budget, e buscando entender, acompanhar e mitigar problemas. Assim, o big data na controladoria passou a ser imprescindível.

Ele traz o histórico de ocorrências e faz o monitoramento em tempo real, permitindo a administração dos KPIs mais importantes para o funcionamento da fábrica. As soluções de Business Intelligence (BI) indicam à cada área da companhia quais ajustes precisam ser feitos para manter a qualidade do produto, a produtividade e, por consequência, a redução de custos.

Implantação do big data na controladoria

O projeto de big data na controladoria foi dividido em três fases. Na primeira, de equalização, envolveu a definição dos KPI’s, padronização dos conceitos e alinhamento das premissas junto ao board. Tudo isso porque cada fábrica trabalhava com seu próprio modelo de gestão, de acordo com o líder do site.

“No começo, cada um trazia a sua apresentação. A gente chamou a responsabilidade para a área de controladoria industrial e passamos a estruturar as apresentações, a agenda mensal de apresentação dos dados com os times das fábricas e com o board”, conta Nery.

Já na segunda etapa, chamada de conectividade, foi de criação do big data na controladoria para output de informação de modo integrado e confiável, o que permitiu a gestão on-line das informações.

Tudo isso foi possível por meio de um sistema de BI, que extinguiu, de uma vez por todas, as planilhas e a inserção manual de dados. “Sempre foi colocado muito dado nos servidores, mas pouca informação era extraída. Então, o BI começa a estruturar esse volume enorme de dados. Por exemplo, a linha tem disponibilizadas 23 horas de produção, dentro dessas horas, quantos minutos ficaram parados? Em qual equipamento? Qual a ocorrência maior de paradas? É na parte da embalagem ou no forno ou na masseira?”, exemplifica o controller.

Por fim, a terceira fase, de atuação preditiva, permitiu a correção proativa dos problemas, a produção de insights gerenciais, chamado de gestão à vista, e a ferramenta de TPM (Total Productive Maintenance). Foram disponibilizados tablets para os gerentes industriais de cada planta e televisões na produção para o acompanhamento das informações.

O big data na controladoria levou os profissionais à outro patamar de atuação: os controllers deixam de justificar os problemas e começam a ter a possibilidade de trabalhar dentro da operação de forma preditiva. É um papel muito mais ao lado da alta gestão, trazendo as soluções, sendo um direcionador e um apoiador na tomada de decisão.

A diretoria executiva, por outro lado, consegue ter uma gestão mais remota, fora da fábrica. A informação foi aberta para toda a empresa, 24 horas por dia, 7 dias na semana, de maneira rápida e interativa.

Próximos passos e resultados

O projeto de big data na controladoria incentivou novas adequações na companhia. Foi preciso, por exemplo, iniciar uma migração de ERP para garantir uma completa conectividade entre os sistemas.

Além disso, a Bauducco também trabalha na expansão de pontos de controle e de automação para garantir maior acuracidade, e na implantação de nova ferramenta de M.E.S, visando maior integração de modo Nativo, aderente a todos os processos de manufatura.

“Nós temos olhado para o futuro, para a indústria 4.0, altamente conectada, autônoma, com inteligência artificial e tomada de decisão mais rápida. Depois dessa jornada que nós fizemos na indústria, ganhou-se muita força para a transformação para a empresa como um todo”, finaliza Nery

E você deve estar se perguntando: como convencer o board desse investimento robusto em tecnologia?

A rápida resposta aos desvios identificados garante um alto nível de produtividade e, consequentemente, reduz custos. Que empresa não busca mais eficiência em seu orçamento hoje em dia?

E você, tem alguma dúvida sobre o big data na controladoria? Deixe a sua pergunta e compartilhe com a gente a sua experiência.

Programa de Imersão Controladoria

Autor

Ana Paula Rocha

Formada em jornalismo pela PUC-SP e pós-graduada em Mídias Digitais pelo Senac, Ana Paula Rocha tem mais de 10 anos de experiência com reportagens especializadas e para a internet. Atualmente, é gerente de conteúdo na Blueprintt, à frente das áreas de Serviços Financeiros, Finanças Corporativas e Serviços de RH.