Saúde mental no home office é um dos principais desafios atuais

saúde mental no home office
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As práticas de teletrabalho e home office já fazem parte do dia a dia de todas as empresas que, por conta dos efeitos causados pela COVID-19, adotaram o modelo como solução para continuar suas atividades. A preocupação lógica focou em como alocar todos, ou pelo menos a maioria, em suas casas pensando em estrutura, equipamentos e acesso para desempenhar as atividades em casa.

E as questões relacionadas à saúde mental no home office ficaram para um segundo momento.

Isso não quer dizer que não seja possível atuar remotamente, mas há pontos que vão além de computador novo, pacote de internet ou uma cadeira confortável. De acordo com a pesquisa realizada pela Workana, plataforma para profissionais freelancers, onde 2.810 pessoas de continentes diferentes foram entrevistadas, 43,7% afirmam que a mudança teve impacto negativo.

Afinal, o que fazer para que a saúde mental no home office não seja um problema que cause grandes transtornos aos colaboradores e empresas? Convidamos a psicóloga de saúde mental e ocupacional, Luiza Vaz para participar da 3ª edição da Conferência Home Office 360º a fim de esclarecer questões como: qualidade de vida, produtividade, condições estruturais e isolamento.

Mas o trabalho vai render em casa?

De acordo com Luiza, quatro tópicos vão ajudar as empresas a pensarem a saúde mental no home office.

  • Transformações no mundo do trabalho;
  • Saúde mental e trabalho;
  • Prazer e sofrimento no trabalho;
  • Home office e saúde mental do trabalhador.

Transformações no mundo do trabalho

A saúde do trabalhador é a área de conhecimento e atuação em expansão, onde o trabalho pode ser encarado tanto como um fator de desenvolvimento e equilíbrio quanto um elemento que agrava a saúde mental e física.

Dentro dessas mudanças, as transformações no mundo do trabalho vêm acontecendo de forma muito rápida, podendo afetar diretamente a ansiedade das pessoas. O trabalho ocupa um papel central na vida dos colaboradores na questão da área de saúde mental.

É possível notar essas mudanças através do ritmo de produção das atividades humanas, como tudo, hoje se o seu serviço não for ágil e manter o nível de qualidade, você está descartado, então é preciso rever a necessidade de tempo e espaço de trabalho. Essa redefinição precisa ser feita.

“Outra mudança também importante, é a gente pensar que o uso de tecnologia no mundo do trabalho fez com que, antes as atividades que eram predominantemente motoras, passam agora a serem atividades de uso da cognição, do uso mental das habilidades humanas”, afirma Luiza.

Com essa alteração, os riscos deixaram de ser físicos e ocuparam outro lugar do corpo, o mental.

Saúde mental no trabalho

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), saúde mental é um estado de bem-estar no qual um indivíduo percebe suas próprias habilidades, pode lidar com os estresses cotidianos, pode trabalhar produtivamente e é capaz de contribuir para a sua comunidade.

E se o trabalho é considerado como um dos elementos centrais, sendo ele o principal elo entre o indivíduo e sociedade, se torna uma prioridade dentro das organizações.

Algumas características do ambiente podem influenciar a saúde mental do colaborador, como exposição a gatilhos tóxicos, altos níveis de ruídos, situações de risco à integridade física e formas de organização de trabalho.

Prazer e sofrimento no trabalho

Luiza se baseia na base teórica da psicodinâmica do trabalho do psiquiatra e psicanalista Christophe Dejours para explicar o prazer e sofrimento no trabalho.

“O trabalho, ele possibilita ao funcionário experimentar sensações de prazer e sofrimento, sendo que elas podem coexistir no trabalho”, cita Luiza sobre o pensamento de Dejours.

Uma questão importante que o psicanalista aborda é sobre o trabalho prescrito, ou seja aquilo que é oferecido na vaga, contra o trabalho real, isso envolve uma das características citadas acima, as formas de organização de trabalho. Isso normalmente é vendido como aprendizado e desenvolvimento, mas o que acontece é frustração e desânimo por parte do trabalhador. Se atente para não criar uma confusão mental nas pessoas.

O trabalho jamais será neutro em relação à saúde mental da pessoa.

Home office e a saúde mental do trabalhador

Como citado no início do artigo, o home office faz parte dessa mudança no mundo do trabalho, mas deve-se considerar que, remotamente, não existe a barreira de tempo e espaço entre trabalho e casa. Essa é uma das principais causas que afetam a saúde mental.

Com isso, surgem algumas implicações:

  • Tendência ao isolamento;
  • Conflitos entre trabalho x família;
  • Administração de tempo x improdutividade;
  • Planejamento e monitoramento das atividades;
  • Aspectos motivacionais.

“O que as pesquisas nos apontam, quanto mais comprometido com o trabalho o trabalhador remoto tiver, menos ele tende a apresentar sintomas patológicos em relação a saúde mental”, comenta Luiza.

Fato é que no dia a dia, existem diversas dimensões do mais alto nível de complexidade. Para terminar, deixamos uma reflexão para vocês. De quem é a responsabilidade sobre a saúde mental do trabalhador remoto?

A verdade é que não existe uma pessoa ou um único órgão responsável. É um trabalho em conjunto entre empresas e empregados, equipe de saúde ocupacional, gestores e líderes, família e etc.

E na sua empresa, como estão sendo tratadas as questões relacionadas à saúde mental em tempos de home office? Compartilhe conosco nos comentários!

 

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