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Área de procurement: como ter sinergia nas negociações com fornecedores
Realizar a melhor compra de produtos para uma empresa está longe de ser apenas através da escolha pelo menor preço. Veja estratégias da JBS.

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Não importa o tamanho da sua empresa ou equipe, sempre é possível refinar o olhar e descobrir novas estratégias, ferramentas e maneiras de amadurecer o seu forecast da área de procurement.

Nada melhor para trilhar este caminho, do que aprendendo com dicas valiosas de quem já conseguiu se estruturar no assunto. Neste caso, estamos falando da JBS.

Fundada em 1953, esta gigante do ramo alimentício atua em 22 países, tem mais de 210 mil colaboradores, 300 mil clientes e lida com cerca de 8 bilhões de reais em compras.

As únicas frentes de aquisição que não estão com a área são originação de bois, grãos e óleos. Do restante, tudo passa por eles. Então, imaginem a demanda do departamento.

Quem contou um pouco mais sobre quais foram as principais mudanças dos processos de procurement dentro da JBS foi o Diretor de Suprimentos da América do Sul, Jérson Nascimento.

Esta troca de experiências aconteceu durante a última edição do Supply Chain Strategies, evento focado no segmento realizado pela Blueprintt.

Confira os principais processos e ferramentas que a JBS utiliza para a construção da maturidade da área de procurement.

Área de procurement na JBS hoje

Na América do Sul, a empresa possui 79 colaboradores focados em negociação. E, dentro deste escopo, quem trabalha na área de suprimentos só lida com estratégia, jamais entra em processos operacionais.

Todo este cuidado, está voltado para sempre manter o foco na melhor alternativa de compra para a companhia. “Estamos falando de um time que lida com R$ 8 bilhões em compras, não dá para desviar o olhar”, reforça Nascimento.

Após a implantação desta filosofia estratégica na área de procurement, nos últimos cinco anos, foi possível alcançar um save de R$ 1,6 bilhões, considerando que 18% do business é negociado pela área.

Além disso, também houve um expressivo aumento das negociações consideradas estratégicas pela empresa como um todo.

Quando a área assumiu este formato, somente 20% das negociações eram estratégicas, o restante eram compras para entrega rápida e não recebiam um tratamento estruturado. Hoje, 80% das negociações estão em contrato e passando por acordos mais sólidos.

Vale registrar que, uma das primeiras grandes mudanças que levou a área ao seu atual formato foi alterar o foco de time comprador para time vendedor. “Em inúmeras vezes eu tenho que convencer os stakeholders que a aquisição de determinados produtos observados no mercado faz sentido para facilitar os processos”, comenta o diretor da área.

Informação de qualidade e controle de resultados

“Eu sou natural de Franca, criado em Goiás e lá no interior costuma-se dizer que quem chega primeiro bebe a água mais limpa”, conta Nascimento para falar de um dos assuntos mais importantes para quem lida com Compras e que, por muitas vezes, não é priorizado: informação de qualidade.

Tendo em vista tal necessidade, a área de procurement desenvolveu uma plataforma de coast break down para ter total controle dos gastos que estão em torno do que é negociado. Logística, tributos, custo benefício, desperdício, entre outros pontos.

Hoje, eles conseguem ter uma visão exata sobre todas as variáveis que podem interferir no resultado de preço do produto.

E, para que isso ganhasse força, houve um acordo com grandes companhias de informações globais, com customização da abertura dos drivers de valores necessários, para assim entender o que compõe o custo de cada produto estratégico.

Assim, é possível acompanhar diariamente a variação de preço de cada componente, principalmente para os produtos que têm um custo mais alto.

Ainda sobre parcerias em troca de informações, há acordos também com empresas que fornecem informações climáticas e políticas, por exemplo, já que a área de atuação da JBS, pode sofrer grandes impactos com as alterações de ambos os cenários.

E, em sintonia com esta prática de previsão de cenários, alguns engenheiros ocupam uma posição na empresa, totalmente focada em redução de impactos, evitando assim muitos custos desnecessários.

Ter uma rotina constante de visitas a fornecedores, também é uma importante ferramenta utilizada pela JBS.

Inclusive, indo um pouco mais além das reuniões, como a maioria das inovações em fornecimento deles está na China, foi criado uma área de procurement exclusiva por lá, totalmente focado em desenvolvimento de fornecedores.

Todas estas informações são geradas e, de alguma maneira, também precisam chegar a alta gestão. Por isso, foi criada uma rotina de reuniões com os presidentes, para alinhar expectativas e vender as ideias necessárias.

Assim, os projetos fluem com mais naturalidade e geram a eles também um sentimento de importância no processo.

Garantindo a qualidade

Visando manter a qualidade e melhores negócios sempre a vista, a área de procurement criou um tripé que tange a garantia de suprimentos (fornecedores que garantam a entrega), qualidade e custo total.

Dentro deste tripé, também há quatro frentes que são constantemente observadas e monitoradas, já que suas alterações causam bastante impacto nas entregas.

As principais são a economia (taxas, inflação, dólar) política, cultura (já que uma crise, por exemplo, muda os hábitos de compra dos consumidores) e tecnologia.

Porém, toda esta grande estrutura não funcionaria se não fosse tocada por um time competente. Por isso, houve também uma reestruturação de cargos e algumas cadeiras, em busca da aproximação, cada vez maior, da excelência tanto para comprar, quanto para sustentar as negociações.

Ao falarmos de sustentação a estrutura global, a ideia da JBS não foi voltada ao que é mais comum no mercado, ter uma sede mundial que controla as restantes, mas sim a construção de uma sinergia global.

Para que esta ideia entrasse em prática, foram eleitos alguns líderes estratégicos em diversos países para formar a sinergia proposta, com constante troca de informações e resultados.

Por último, porém não menos importante, entender em quais grupos cada fornecedor está inserido é primordial para monitorar como cada negociação será tratada com cada terceiro. Na JBS, eles são divididos entre indispensáveis, no caso de fornecedores únicos, por exemplo, e os mutáveis.

Junto à isso também há um processo de fiscalização da produção de cada fornecedor. Afinal, há leis que precisam ser cumpridas e, se este processo não for acompanhado de perto, não é impossível saber se um terceiro está derrubando árvores de reservas impróprias para vender, por exemplo.

Para guiar este acompanhamento, foram criados 6 pilares de observação: ambiental, financeiro, qualidade, segurança de alimento, análise de laboratórios e jurídico.

E na sua empresa, como que os processos da área de procurement são tratados para se tornar cada vez mais estratégicos?

Compartilhe suas experiências conosco.

Aliás, a próxima edição do Supply Chain Strategies será realizada pela Blueprintt em junho em São Paulo.

Atualize as estratégias do seu departamento para aproveitar as oportunidades da retomada do crescimento.

Saiba mais sobre o evento clicando aqui.

Autor

Barbara Marques

Barbara é graduada em Jornalismo pela FIAM-FAAM, atua profissionalmente há cinco anos, tanto em conteúdo factual, quanto para empresas. É especialista em produções relacionadas à tecnologia, fraude, business e marketing, entre outros. Além de vasto conhecimento em cobertura de eventos, palestras e coletivas.