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A relação do empoderamento das mulheres com o lucro das empresas
Longe de ser apenas uma onda, a inserção social e econômica das mulheres no mercado de trabalho também é positiva para as companhias.

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A diversidade de gênero é cada vez mais urgente dentro das empresas. Essa mudança de mercado é essencial para o empoderamento econômico e, ciclicamente, faz com que cada vez mais mulheres cheguem fortes e preparadas para o trabalho. Também torna as organizações mais plurais e, por consequência, mais lucrativas.

Como mostra uma pesquisa feita pela ONU Mulheres Brasil, voltada para a agenda 2030 dos objetivos de desenvolvimento sustentável, o aumento do poder econômico transforma a vida de mulheres que, por muitas vezes, se tornam vítimas de mazelas sociais por não terem uma renda fixa e um bom posicionamento profissional.

Tendo em vista esse cenário, a ONU Mulheres Brasil também criou o programa Princípios de Empoderamento das Mulheres — Igualdade Significa Negócios (WEPs), que reúne 100 empresas em todo o mundo e que até virou prêmio, graças a uma parceria com a Itaipu Binacional, para reconhecer iniciativas dentro do tema.

Outros projetos paralelos também foram criados junto a grandes empresas, como a Coca-Cola, a Maurício de Souza Produções e o Instituto Renner. Para você ter uma ideia, a parceria com a Coca deu origem a um programa de capacitação em comunidades carentes que formou 22 mil mulheres (e 13 mil homens).

O impacto do desenvolvimento socioeconômico das mulheres no mercado de trabalho

Enquanto empresas e institutos se organizam para acabar com as raízes estruturais que impedem a presença feminina no mercado, os efeitos já podem ser vistos.

Isso gera mais um benefício: o aumento de lucratividade das empresas nas quais elas chegam aos postos de liderança.

Um importante estudo realizado pela McKinsey & Company entrevistou 700 empresas de capital aberto da América Latina e concluiu que organizações com c-levels mulheres têm 50% a mais de chances no aumento de rentabilidade e 22% a mais de possibilidades de elevação da margem do Ebitda.

Os países que abrigam a maioria das sedes das empresas entrevistadas são Brasil, Peru, Panamá, Argentina, Chile e Colômbia: juntos, eles concentram 300 delas.

No total, 64% dos respondentes com mulheres em cargos de liderança perceberam um aumento na margem do Ebitda entre os anos de 2013 e 2018, em comparação a outros 43% de empresas que também registraram essa elevação, mas sem terem presença feminina em suas hierarquias.

Nem tudo que parece bom, de fato, é

Mesmo esses números parecendo bem animadores, incluindo os 32% de empresas que disseram ter pelo menos uma mulher em cargos de liderança, a pesquisa também frisa que, em 2011, esse percentual chegava a 38%. Isso demonstra a atenção e dedicação que as organizações e o mercado ainda precisam ter.

Nos conselhos administrativos, a situação também está longe de ser a ideal, mas apresentou melhoras em 2018, saltando de 36% para 40% de presença feminina. 

Em entrevista à revista Valor Econômico, Tracy Francis, sócia sênior e líder da prática de bens de consumo e varejo na América Latina da McKinsey, disse que “a diversidade traz novas vozes e diferentes pontos de vista, o que só ajuda a deixar mais rico o debate no topo das empresas e nos conselhos”. Essa observação mostra o quanto esse tema, além de necessidade, pode ser visto como oportunidade.

Mudam-se as peças, mas também é preciso mudar o tabuleiro

Se repararmos como funcionam os ambientes corporativos, concluiremos que eles não foram pensados levando em consideração a vida doméstica, por serem dominados por homens. 

Quando o mercado saiu da era industrial e se transformou neste turbilhão de escritórios que vemos hoje, a necessidade de dividir o tempo de trabalho com outras responsabilidades — que incluem filhos, parentes debilitados e problemas com a própria casa — não ganhou muita notoriedade.

Atualmente, inúmeras mulheres ainda ficam com a maior parte do trabalho doméstico. Entretanto, muitos homens também já se encaixam nesse cenário. Portanto, ambos precisam de flexibilidade para lidar com esses assuntos. Mesmo assim, elas sofrem mais com a hostilidade em relação a isso no ambiente de trabalho que eles.

Essa visão faz parte de um importante estudo da ex-jornalista Deborah Hargreaves, chamado Women at Work: Designing a Company Fit for the Future. Nele, ela fala sobre como as mulheres ainda precisam mentir no trabalho para lidar com os dias em que um filho está doente ou acompanhar um compromisso da escola dele. Algumas até retiram fotos da mesa para que não incomodem diretores.

Esses relatos — e muitos outros “completamente bizarros”, como diz a própria Deborah — foram coletados por meio de entrevistas com cerca de 150 mulheres no Reino Unido. A conclusão do estudo, que buscava entender como seria um ambiente de trabalho pensado por mulheres, foi: a organização deveria colocar os cuidados com os filhos, parentes e pais em seu centro.

Como resultado, também houve uma recomendação de flexibilidade de dias e horários de trabalho, diminuindo os dias trabalhados de cinco para quatro, operando algumas funções de forma compartilhada e, é claro, adotando o já muito conhecido home office.

Para “mudar este tabuleiro”, segundo Deborah, é necessário que uma massa crítica de mulheres ocupe os cargos de comando nas empresas.

Além disso, a ex-jornalista acredita na força da geração Millennial para mudar as prioridades da rotina profissional, dando muito mais foco a propósitos e bem-estar pessoal.

“A corporação honesta, com um propósito e um senso de missão, poderá se tornar a voz da razão novamente. Os Millennials se importam muito mais com o propósito e a sustentabilidade, e eles estão se tornando cada vez mais uma voz no setor corporativo. Espero que isso possa ajudar a mudar as coisas”, disse Hargreaves em entrevista à revista Valor Econômico.

Seja dando suporte no âmbito social ou profissional, o mercado caminha para uma forma mais humana e compartilhada de se trabalhar, apesar de os números mostrarem que a passos lentos.

Agora, o que é impossível negar é o quão cíclico e promissor é esse novo jeito de se pensar em negócios. Bom para as empresas e para as mulheres enquanto cidadãs, não é mesmo? Qual a sua opinião sobre o tema?

Autor

Ana Paula Rocha

Formada em jornalismo pela PUC-SP e pós-graduada em Mídias Digitais pelo Senac, Ana Paula Rocha tem mais de 10 anos de experiência com reportagens especializadas e para a internet. Atualmente, é gerente de conteúdo na Blueprintt, à frente das áreas de Serviços Financeiros, Finanças Corporativas e Serviços de RH.